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Bloquinho inclusivo em Lauro de Freitas debate o direito ao lazer e a adaptação de espaços para autistas

Bloquinho inclusivo em Lauro de Freitas debate o direito ao lazer e a adaptação de espaços para autistas

Por Redação

12/02/2026 às 09:36

Foto: Divulgação

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O projeto, voltado para pacientes da clínica, implementa estratégias de regulação sensorial, como controle de decibéis

Enquanto Salvador se prepara para a maior festa de rua do planeta, uma parcela significativa da população muitas vezes permanece invisível aos circuitos tradicionais da folia. Segundo dados do Censo 2025 divulgados pelo IBGE, o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas com autismo. Para muitas dessas famílias, o excesso de estímulos sonoros e visuais do Carnaval funciona como uma barreira de exclusão, restringindo o direito fundamental ao lazer e à socialização.

Contrariando a lógica de que o indivíduo neurodivergente deve se isolar durante os festejos, o Gira Mundo - Espaço Lúdico Terapêutico realiza em 2026 mais uma edição do seu "Bloquinho Inclusivo". A iniciativa não busca apenas entreter, mas servir como um estudo de caso prático para a sociedade: é possível manter a tradição cultural para todos se houver adaptação do ambiente.

O projeto, voltado para pacientes da clínica, implementa estratégias de regulação sensorial, como controle de decibéis, previsibilidade de percurso e suportes visuais, elementos raros nos circuitos oficiais, mas vitais para a neurodivergência.

Para Manoela Guimarães, psicóloga e fundadora do Gira Mundo, o bloco é um manifesto de ocupação.

"Passamos décadas ensinando a pessoa com autismo a suportar o mundo ou a se esconder dele. O que propomos com o bloquinho é a inversão dessa lógica: é o ambiente que precisa ser modificado para acolhê-los. O lazer não é um privilégio neurotípico, é um direito e também uma ferramenta terapêutica poderosa de socialização. Quando controlamos as barreiras sensoriais, a criança autista brinca, dança e se diverte como qualquer outra", afirma a especialista.

A adesão das famílias reflete a carência de espaços seguros na cidade. Camila Moreira, mãe de Felipe, paciente do Gira Mundo, destaca que a segurança técnica da equipe é o fator decisivo para permitir que o filho participe de eventos sociais desse porte.

"A Gira Mundo é uma clínica muito séria e faz sempre o melhor em tudo o que se propõe a fazer. Os profissionais estão o tempo todo se atualizando, reciclando conhecimentos e isso nos passa segurança. A gente se sente muito confiante [...] porque é tudo feito com muito amor, com muito cuidado e com muita responsabilidade", relata Camila.

A discussão levantada pelo bloco ganha força com os dados recentes do IBGE. O levantamento de 2025 apontou não apenas o volume de 2,4 milhões de pessoas no espectro, mas também os desafios educacionais e sociais enfrentados após os 14 anos. Iniciativas como o carnaval inclusivo atuam justamente na quebra do isolamento social, promovendo a convivência comunitária.

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