Dólar vai a R$ 5,12, menor valor desde maio de 2024; Bolsa cai
Investidores repercutiram pesquisa eleitoral da Atlas que mostra Flávio e Tarcísio numericamente à frente do presidente Lula
Por Folhapress
25/02/2026 às 18:30
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo
Notas de dólar
O dólar fechou em queda pelo quinto pregão consecutivo nesta quarta-feira (25), com recuo de 0,57%, cotado a R$ 5,124. Ao longo do dia, o cenário eleitoral doméstico e o ambiente internacional estiveram no radar dos investidores.
O mercado também demonstrou maior apetite por risco, diante de perspectivas positivas para o setor de tecnologia nos Estados Unidos, em dia de divulgação do balanço da Nvidia —previsto para após o fechamento do mercado acionário brasileiro.
A cotação de fechamento do dólar é a menor desde 21 de maio de 2024, quando encerrou a R$ 5,123. Na mínima do pregão, a moeda norte-americana tocou R$ 5,118.
Em dia de realização de lucros —isto é, com investidores vendendo papéis para consolidar ganhos—, a Bolsa recuou 0,18%, aos 191.135 pontos, segundo dados preliminares, pressionada por ações de bancos brasileiros. Na máxima do dia, o Ibovespa atingiu 192.623 pontos, um novo recorde intradiário.
"A queda do dólar na sessão de hoje reflete principalmente a melhora do ambiente internacional, com maior apetite por risco evidenciado pela alta dos principais índices globais de ações. No campo político, a percepção de maior equilíbrio na disputa eleitoral contribuiu para a redução dos prêmios de risco, sustentando o fluxo para ativos locais", afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Divulgada na manhã desta quarta-feira, a pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em simulações de segundo turno da disputa presidencial.
No cenário de segundo turno, Flávio aparece com 46,3%, contra 46,2% de Lula. Já Tarcísio soma 47,1%, ante 45,4% do atual presidente. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos.
"O mercado tende a reagir de forma mais positiva a candidatos percebidos como mais alinhados a uma agenda liberal, com foco em privatizações e pautas pró-mercado", afirma Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.
No cenário internacional, a leitura é de que o discurso de Donald Trump ao Congresso norte-americano não alterou o rumo da política econômica do país. Houve, contudo, sinalização de que as tensões podem se acirrar caso, segundo o próprio republicano, autoridades iranianas não negociem o fim do programa nuclear.
Um possível conflito entre os países pressiona os preços do petróleo. Segundo analistas, o temor é de que um confronto provoque interrupções na oferta da commodity, o que tende a impulsionar as cotações.
"Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo estreito de Hormuz, região estratégica para o escoamento global da commodity. Qualquer ameaça à navegação na área impacta as expectativas de oferta", afirma Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.
Os preços, contudo, perderam força após a Reuters revelar que a Opep+ considera elevar a produção em 137 mil barris por dia a partir de abril.
No exterior, houve otimismo com a divulgação do balanço da Nvidia, que será feita na noite desta quarta. Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 0,59%, o S&P 500 avançou 0,81% e o Nasdaq Composite ganhou 1,30%.
Investidores acompanham os papéis da fabricante de chips em busca de sinais de que os lucros seguem crescendo, sustentados pelos US$ 630 bilhões em investimentos previstos pelas grandes empresas de tecnologia até 2026.
As ações da companhia subiram 1,6% nesta quarta-feira (25).
Nos últimos pregões, analistas acompanham a nova política tarifária do presidente dos Estados Unidos. A alíquota estipulada pelo governo norte-americano foi de 10%, segundo aviso emitido pela CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras, na sigla em inglês), ao contrário dos 15% prometidos.
A imposição de uma taxa mais baixa gerou confusão entre os agentes econômicos, e nenhuma explicação foi fornecida pelas autoridades americanas.
"Diante da diminuição da alíquota, temos visto valorizações de moedas e de ações de mercados emergentes. É um cenário de apetite por risco que tende a favorecer, principalmente, economias com juros mais altos e retornos atrativos, como o Brasil", diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.
A nova taxa é uma reação à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou as tarifas anunciadas no "Dia da Libertação" ilegais. O tarifaço anterior tinha como base jurídica a IEEPA —Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional—, que permitia a aplicação de sobretaxas de importação a todos os países sem aprovação do Congresso.
Os juízes discordaram que a lei, criada em 1977 para situações de emergência, de fato concedia ao presidente esse poder. O placar da decisão foi de 6 votos a 3.
A nova carga tarifária se ampara, dessa vez, em um dispositivo de 1974. A seção 122 dá a Trump poder para impor temporariamente taxas de até 15% sobre importações quando houver déficits significativos na balança de pagamentos.
No Brasil, a leitura é de que as novas tarifas podem ser benéficas ao país, já que são significativamente menores do que a carga que antes incidia sobre alguns produtos brasileiros. Essa visão aumenta a atratividade do mercado nacional, já beneficiado pelo fluxo de investidores estrangeiros para praças emergentes.
"O mercado assimilou de forma positiva a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos relacionada às tarifas comerciais, movimento que favorece economias exportadoras e amplia a pressão baixista sobre o dólar", diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
A entrada de investidores estrangeiros no país deriva de um movimento de diversificação de carteiras em escala global, reflexo, entre outros fatores, dos temores instalados pela condução geopolítica do governo Donald Trump.
A manutenção dos juros brasileiros a 15% —o maior em quase duas décadas— também beneficia o fluxo de capital e preserva a atratividade das operações de carry trade.
Nessa operação, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhar com o diferencial de juros, o que tende a favorecer o real.
