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Lula reforça discurso voltado a mulheres em evento com críticas a Tarcísio

Lula reforça discurso voltado a mulheres em evento com críticas a Tarcísio

Em um discurso repleto de quebras de protocolo, e com uso de palavrões, presidente exaltou políticas contra a violência de gênero

Por Bruno Ribeiro/Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress

09/02/2026 às 20:00

Atualizado em 10/02/2026 às 00:46

Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Imagem de Lula reforça discurso voltado a mulheres em evento com críticas a Tarcísio

O presidente Lula

Em um discurso repleto de quebras de protocolo, com uso de palavrões, o presidente Lula (PT) exaltou políticas contra a violência à mulher, atacou indiretamente o adversário Jair Bolsonaro (PL) e criticou homens com medo de "uma dedada", em referência ao exame de detecção de câncer de próstata.

O petista esteve em Mauá (Grande São Paulo) na tarde desta segunda-feira (9) para evento sobre investimentos em saúde e educação.

Em clima de campanha, o presidente focou em setores considerados cruciais para o resultado das eleições, como os jovens, com quem fala a partir da bandeira da educação, e as mulheres. Lula associou os dois segmentos e focou na necessidade de educação das mulheres, dizendo que " uma menina sem profissão vai se humilhar".

"A mulher não é propriedade do homem. Ela é livre", afirmou. "Uma mulher, quando tem uma profissão, ela vai morar com alguém se ela quiser, ela vai ficar com alguém se ela gostar", disse. "Uma mulher não pode ficar morando com um homem por conta de um prato de comida, por conta do pagamento do aluguel".

Ele falou em mudar o currículo escolar, da creche à universidade, para que os homens aprendam "que não são melhores do que as mulheres" e disse que é preciso intervir em casos de agressão. "Mulher não é saco de pancada de ninguém. Mulher tem que ser respeitada, ela passa o dia inteiro cuidando das crianças, lavando merda, lavando fralda, lavando cama, lavando banheiro, fazendo comida. Chega em casa, tem dois ovos para comer [...] É só ovo? É só ovo! Não comprou carne porque ela não tinha dinheiro, ela não tem culpa. 'Não estou gostando da comida', vai para a cozinha fazer", disse.

No mesmo tom, o presidente afirmou que "nós homens, quando ficamos tomando uma cachaça fora e chegamos em casa tarde, a gente quer que nossa mulher entenda. ‘Não, amor, entenda, eu estava com os meus amigos, eu estava jogando bola’. A gente quer que a mulher compreenda, mas, quando a gente chega em casa, que a mulher não está e ela demora meia hora para chegar, nós já ficamos putos da vida, ficamos nervosos e já ficamos xingando".

Lula ainda criticou homens que, por preconceito, não se submetem ao exame de toque para a detecção precoce do câncer de próstata: "Enquanto a mulher se submete a um monte de exames, o homão tem vergonha de tomar uma dedada".

Além do presidente, os ministros da Saúde, Alexandre Padilha (PT), da Educação, Camilo Santana (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) fizeram discursos —todos eles em tom eleitoral, comparando a gestão atual com a de Bolsonaro e a de Michel Temer (MDB).

Alckmin, por exemplo, criticou a educação do governo anterior. "A única discussão era homeschooling: estudar fora da escola. Estudar em casa. Proposta racista que nasceu nos EUA, quando a Suprema Corte decidiu que deviam estudar na mesma escola brancos e negros", disse. "Hoje, a prioridade é creche para a mamãe poder ter tranquilidade, escola de tempo integral, Pé-de-meia", afirmou.

Já Padilha alfinetou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao dizer que há governos, como o de Tarcísio, sinalizando que é iniciativa local o programa Agora Tem Especialistas, do governo federal.

"Tem estado que criou a tabela do estado tal. Aqui em São Paulo está acontecendo isso. Vai na TV, fala que criou uma tabela com o nome do estado de São Paulo e não mostra que 70% do recurso dessa tabela é do governo federal, é o presidente Lula que coloca, repassa os recursos para as secretarias estaduais e municipais".

"Eu só quero que se reconheça que o ex-presidente que governou esse país não deu um real para esse estado durante todo o período que governou", afirmou Padilha, em referência a Bolsonaro, padrinho político de Tarcísio.

Ao lado de prefeitos do ABC filiados ao PL, Lula também atacou o antecessor. "Se todo presidente da República e todos os governadores fizessem assim, a gente teria muito menos problemas. Vocês sabem que, no governo passado, os estados do Nordeste que não estavam do lado do presidente não receberam um centavo de ajuda para nada. E podem ter certeza de que eu estou colocando mais dinheiro no estado de São Paulo do que qualquer presidente".

Ele também acenou a prefeitos do PL, dizendo colaborar com as gestões apesar de serem parte da oposição. "Aqui tem dois prefeitos que são do PL. O PL é partido do Bolsonaro. O PL é o maior inimigo nosso da Câmara. Mesmo assim vocês estão recebendo ambulância, porque vocês foram eleitos pelo voto, e eu respeito o voto do povo da cidade de vocês", afirmou aos políticos do ABC.

Ao falar de caravanas para mutirões de exames que seu governo estava entregando, o presidente cometeu um ato falho. Disse que iria a uma caravana com "a Marisa", em referência à primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, de quem ele é viúvo desde 2017, para depois se corrigir e dizer "Janja" — Rosângela Lula da Silva, 59, com quem é casado desde 2022.

O petista, candidato à reeleição no pleito de 2026, deu a largada para a eleição com estratégia que mira valorizar programas de governo, como o Pé-de-meia, Gás do Povo e Desenrola.

Pela manhã, o presidente participou de ato no Instituto Butantan, em São Paulo, onde anunciou investimento na infraestrutura, produção de vacinas e insumos imunobiológicos. No evento, Esper Kallás, diretor do instituto, se emocionou ao falar da importância da ciência e do SUS (Sistema Único de Saúde) no país.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não compareceu ao ato. Já Lula reforçou o discurso, um dos pilares para a campanha de reeleição, de soberania nacional e cutucou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizendo que se ele "conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião num presidente, não ficaria provocando a gente".

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