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Políticos veem ameaça com multiplicação de investigações da Polícia Federal sobre Master

Políticos veem ameaça com multiplicação de investigações da Polícia Federal sobre Master

Ramificação de inquéritos em estados e municípios aumenta temor, enquanto alvos buscam acordão que limite alcance das investigações

Por Raphael Di Cunto/Adriana Fernandes/Folhapress

09/02/2026 às 17:15

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Políticos veem ameaça com multiplicação de investigações da Polícia Federal sobre Master

Banco Mster

A ramificação de investigações envolvendo o Banco Master, com a abertura de inquéritos em diversos estados e uma apuração sobre a tentativa de venda ao BRB (Banco de Brasília), passou a ser encarada como uma ameaça por políticos de partidos que entraram na mira das investigações.

Advogados e políticos da esquerda e do centrão afirmam nos bastidores que a PF (Polícia Federal) estaria fora de controle e levaram ao Palácio do Planalto uma "advertência" de que as investigações podem afetar também o PT e seus aliados muito em breve, numa tentativa de pressionar por um acordão para delimitar o alcance da apuração.

A PF já detectou o envolvimento de políticos com foro especial em supostos desvios cometidos pelo Master e seu dono, Daniel Vorcaro, que tem profundas conexões em Brasília. Ele mesmo disse em depoimento no STF que tem amigos em todos os Poderes da República. A polícia encontrou material com referências a lideranças partidárias e altas autoridades.

Políticos da esquerda e do centrão temem que as ramificações do caso para diversas instâncias da Justiça, a atenção pública voltada para o caso, o impulso do governo Lula (PT) em explorar politicamente as investigações e o tamanho do rombo, de mais de R$ 50 bilhões, sejam um obstáculo às tentativas de um acerto político para abafar as investigações.

Dizem também que a capilaridade do banco pode levar a negociações de delações premiadas em diversos estados, o que pode provocar pressões sobre a PGR (Procuradoria-Geral da República), responsável por finalizar os acordos que envolvem autoridades com foro privilegiado.

Já há inquéritos abertos em pelo menos seis estados, como São Paulo, Alagoas, Amapá, Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo, para apurar desvios em fundos de previdência que terão prejuízo com títulos do Master. Há também investigações sobre fraudes em títulos e fundos de investimentos e sobre as duas empresas que tentaram comprar o banco: o BRB (Banco de Brasília) e a Fictor.

Pelo menos cem fundos de previdência fizeram aportes em títulos do Master, e agora terão que lidar com prejuízos e a responsabilização de seus dirigentes.

A operação na sexta-feira (6) contra a Amprev (Amapá Previdência), gestora do regime próprio de previdência do Amapá, é citada como exemplo. A ação mirou o presidente da instituição, Jocildo Silva Lemos, indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e responsável por autorizar a aplicação de quase R$ 400 milhões em títulos do Master.

De acordo com um auxiliar do presidente, ouvido pela reportagem, na condição de anonimato, há uma preocupação entre integrantes do Palácio do Planalto para que as investigações contra o Master não atinjam a cúpula do Congresso, devido às consequências políticas que isso poderia ter para o governo. Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), são dois dos principais aliados de Lula.

Após a operação de sexta, Alcolumbre afirmou que tem confiança nas instituições e na Justiça brasileira e que defende "que tudo seja apurado, devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal".

Dias antes, em outro eixo, a PF prendeu o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes em ação que investiga aplicações que somam cerca de R$ 970 milhões do fundo fluminense no Master –valor que dificilmente será ressarcido com a quebra do banco.

A situação é diferente daquela enfrentada pela classe política e empresarial na época da operação Lava Jato, quando a investigação inicial ficou concentrada na vara criminal de Curitiba e só depois se fragmentou para apurações em outros lugares, como Rio de Janeiro e Distrito Federal, com base em desdobramentos das delações premiadas de empreiteiros e doleiros contra os políticos.

Embora o quadro não seja o mesmo, lideranças do setor financeiro enxergam o risco de a teia montada por Vorcaro se transformar "numa Lava Jato ainda maior", afetando não só o cenário eleitoral, mas também a economia. O Banco Central, que está no meio da crise do caso Master e tem sido alvo de ataques, está prestes a começar o processo de redução da taxa básica de juros (Selic) em março.

Desta vez, as apurações correm em paralelo em diversos lugares. Políticos mantêm interesse em um acordo que limite o alcance das investigações, mas consideram que essa situação pode tornar mais custoso "estancar a sangria", como sugerido pelo ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) na época da Lava Jato, em diálogo gravado secretamente pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado semanas antes de a Câmara abrir o processo de impeachment e afastar a ex-presidente Dilma Roussef (PT) do cargo.

Jucá confeccionou uma frase que entrou para os anais da política brasileira ao propor que um eventual governo Michel Temer (MDB) deveria construir um pacto nacional "com o Supremo, com tudo" para delimitar as investigações.

A queda de Dilma não parou as investigações contra políticos, e a operação começou a refluir após a Vaza Jato revelar conversas do ex-juiz Sergio Moro com procuradores e policiais para orientar as investigações, o que fez com que a maioria dos processos fosse arquivada ou anulada, como aquele que levou Lula (PT) à prisão.

O eixo central das investigações foi parar nas mãos do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, que passou a ser questionado por decretar sigilo absoluto sobre os processos e por investimentos de um fundo ligado ao Master em um resort de sua família.

Parte dos ministros defende nos bastidores que ele envie as apurações para a primeira instância, para retirar a suspeição sobre o tribunal, e as suspeitas deram força à discussão de um código de conduta para os integrantes do Supremo.

Novo líder do PT na Câmara, o deputado Pedro Uczai (SC) afirma que Lula tem se posicionado claramente contra barrar investigações da PF, inclusive em relação a pessoas próximas a ele, como no caso de um de seus filhos, investigado por supostos desvios no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social).

"Eu não acredito que alguém tenha força diante da autonomia da Polícia Federal pelas operações que ela está fazendo", diz Uczai.

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