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Vorcaro diz que foi cobrado por aportes em resort de Toffoli: 'Me deu um puta problema'

Vorcaro diz que foi cobrado por aportes em resort de Toffoli: 'Me deu um puta problema'

Nas conversas extraídas pela PF, cunhado do banqueiro disse que pagamentos ao Tayayá totalizaram R$ 35 milhões

Por Aguirre Talento/Estadão

14/02/2026 às 12:00

Atualizado em 14/02/2026 às 15:04

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Vorcaro diz que foi cobrado por aportes em resort de Toffoli: 'Me deu um puta problema'

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Diálogos inéditos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram que ele reclamou com um interlocutor por ter recebido cobranças para efetuar pagamentos em um resort ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. As conversas extraídas pela Polícia Federal do celular dele indicam que Vorcaro determinou repasses que totalizaram R$ 35 milhões ao resort Tayayá, no qual uma empresa de Toffoli possuía participação societária.

Em nota divulgada anteriormente, o ministro negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou ter relação de amizade com o banqueiro (leia ao final). Procurado neste sábado, 14, ele ainda não se manifestou. As defesas de Vorcaro e Fabiano Zettel também foram procuradas e não responderam.

Esses diálogos, obtidos com exclusividade pelo jornal O Estado de São Paulo, mostram que o cunhado dele, Fabiano Zettel, atuava como seu operador financeiro e era o responsável por organizar esses pagamentos. Nas conversas, Vorcaro não explica quem era o responsável pelas cobranças.

As mensagens fazem parte do relatório apresentado pela Polícia Federal ao STF sobre a relação entre Vorcaro e Toffoli, que foi compartilhado com os dez ministros do Supremo e com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O material ainda está sob análise do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que ainda não tomou nenhuma providência sobre o seu conteúdo. A suspeita dos investigadores é que os repasses ordenados por Vorcaro tinham Toffoli como destinatário final.

O ministro do STF é sócio da empresa Mardit, que tinha participação societária em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu sua fatia de participação a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, o cunhado de Vorcaro, como acionista.

Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.

Depois disso, Zettel apresentou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Nessa lista, constava em uma das linhas: “Tayaya - 15″. Para a PF, tratava-se do repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.

Meses depois, em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças de pagamentos. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.

Por causa disso, Vorcaro se irritou. “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, afirmou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”. Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.

Toffoli nega recebimento de valores de Vorcaro

Em nota divulgada após a PF ter apresentado o relatório ao STF, Toffoli admitiu ter recebido dividendos da empresa Maridt, que tinha participação nos resorts, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro. Leia a íntegra da manifestação.

“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.

O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.

A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.

A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.

Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel".

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