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Em pré-campanha, Flávio Bolsonaro adota tom leve e mira 'cansaço' do eleitor com Lula

Em pré-campanha, Flávio Bolsonaro adota tom leve e mira 'cansaço' do eleitor com Lula

Estratégia busca ampliar alcance além da base bolsonarista, evitar associação ao discurso de risco à democracia e a pautas que elevam rejeição, além de explorar desgaste do governo

Por Hugo Henud/Estadão

22/03/2026 às 14:30

Atualizado em 22/03/2026 às 14:48

Foto: Reprodução

Imagem de Em pré-campanha, Flávio Bolsonaro adota tom leve e mira 'cansaço' do eleitor com Lula

O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende adotar, neste início de pré-campanha, um tom mais leve para evitar a retomada do discurso de risco à democracia e atrair o eleitorado de centro. Ao mesmo tempo, a estratégia do pré-candidato passa por explorar o desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a percepção de “cansaço” do eleitor com o governo petista.

A avaliação de aliados do senador ouvidos pelo jornal O Estado de São Paulo é que o objetivo passa por construir uma imagem mais palatável do pré-candidato, reduzindo a exposição a temas que mobilizam rejeição e ampliando o espaço de diálogo com o eleitorado de centro e segmentos em que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi derrotado em 2022, como o eleitorado feminino. Nesse desenho, os ataques mais duros ao presidente devem ficar a cargo de aliados.

O senador vem ajustando o tom do discurso e das redes sociais para ampliar o alcance para além da direita ideológica. Com esse reposicionamento, a pré-campanha também busca evitar que o senador seja associado, pelo campo governista, ao discurso de que a democracia está em risco.

Em discurso na quinta-feira (19), o presidente Lula voltou a colocar o tema da democracia no centro do debate eleitoral ao afirmar que “corremos o risco de entregar a democracia outra vez aos fascistas”. A declaração foi feita durante evento que marcou o anúncio de Fernando Haddad como candidato ao governo paulista, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

A fala ocorre em referência ao ex-presidente Bolsonaro, condenado em 2025 por liderar uma tentativa de golpe de Estado no País.

A leitura de aliados é que essa mudança de rota, com a adoção de um tom mais leve e a delegação dos ataques mais diretos a aliados, cria as condições para que Flávio Bolsonaro explore o desgaste do governo, priorizando críticas mais técnicas neste primeiro momento, sem radicalizar o discurso nem ampliar a rejeição, hoje em cerca de 45%.

Como parte dessa estratégia, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio, avalia que um dos eixos será mostrar ao eleitorado que o quarto mandato de Lula não trouxe novidades e que “já venceu o prazo de validade da gestão petista” após duas décadas no comando do País. “Lula só olha para o retrovisor, é mais do mesmo, e o eleitor já está cansado e percebeu isso”, afirma.

Na mesma linha, o líder do PL na Câmara, Zucco (PL-RS), diz que Lula é “um produto com prazo de validade vencido”.

Na prática, o próprio Flávio Bolsonaro já tem adotado esse tom. Em discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo, no fim de fevereiro, o senador evitou ataques diretos ao presidente Lula e concentrou críticas em temas econômicos e de segurança pública. “Qual o caminho que o Brasil vai escolher? O caminho de redução de carga tributária, de diminuir impostos?”, disse. Em seguida, afirmou que “o PT controla o Brasil há 20 anos e ninguém aguenta mais”.

A avaliação de aliados é que a estratégia tem começado a dar resultado e deve ser mantida até o período das convenções partidárias e do registro de candidaturas, em agosto. As pesquisas mais recentes indicam que o senador vem reduzindo a distância em relação a Lula. Levantamento Genial/Quaest aponta que, em um cenário de segundo turno, ambos aparecem com 41% das intenções de voto.

O cenário dialoga com o nível de avaliação positiva do atual governo. Como mostrou o Estadão, Lula chega à reta final do mandato com 33% de avaliação positiva - abaixo do patamar de presidentes que conseguiram se reeleger ou eleger sucessores, de acordo com a série histórica do Ipsos-Ipec desde 2002.

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