Home
/
Noticias
/
Exclusivas
/
Entrevista – Sheila Lemos: “Meu nome está à disposição para representar o interior da Bahia como vice-governadora”
Entrevista – Sheila Lemos: “Meu nome está à disposição para representar o interior da Bahia como vice-governadora”
Por Política Livre
02/03/2026 às 08:46
Atualizado em 02/03/2026 às 16:38
Foto: Divulgação/Arquivo
Sheila Lemos
A prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União), afirmou que está disposta a disputar o cargo de vice-governadora da Bahia em uma eventual chapa encabeçada por ACM Neto (União) nas eleições de 2026. Em entrevista exclusiva ao Política Livre, ela, que está no segundo mandato à frente na gestão município, disse que colocou o nome à disposição do grupo político para representar o interior e contribuir com o desenvolvimento do Estado.
Na conversa, Sheila também criticou o que considera falta de grandes investimentos dos governos federal e estadual em Vitória da Conquista, defendeu maior protagonismo do interior e confirmou que o vice-prefeito Dr. Alan (Republicanos) está preparado para assumir o cargo caso ela deixe a Prefeitura para acompanhar ACM Neto.
Confira abaixo a íntegra da entrevista:
Seu nome tem sido ventilado cada vez com mais força como possível candidata a vice-governadora na chapa de seu aliado ACM Neto. A senhora aceitaria esse desafio?
Meu nome começou a ser ventilado logo após a eleição (de 2024), que foi muito acompanhada em toda a Bahia. Tivemos quase 60% dos votos, fomos a primeira mulher eleita prefeita da cidade e a primeira vitória em primeiro turno depois da implantação do sistema de dois turnos. Desde então, meu nome começou a surgir como uma liderança forte do Sudoeste. No início, eu dizia que queria terminar o mandato. Mas, entendendo que posso contribuir mais ainda para Vitória da Conquista e para o interior da Bahia, coloquei meu nome à disposição do partido e do grupo político. Se for da vontade da população, estou disposta. O fato é que a gente vem trabalhando, mudando a cara da cidade, tendo uma gestão muito responsável, procurando trazer investimentos de fora, e isso tem dado resultado. Então, é um município que tem as finanças organizadas, a gente está atraindo cada vez mais empregos e renda para Vitória da Conquista. Então, esse nome, claro, depois da eleição, começa a surgir, não é?
“Não posso me negar a participar de um projeto como esse.”
O que motivou essa mudança de posição?
Sempre defendi que a eleição deve ser discutida no ano eleitoral. E comecei a refletir sobre como posso contribuir mais para o crescimento de Conquista e da região. Quando Neto fala em formar uma chapa com alguém do interior, isso é muito importante e o coração chega a sorrir. Precisamos de alguém que conheça a realidade do interior, que saiba as dificuldades do sertanejo. É isso que defendendo o tempo inteiro, que tenha alguém que viva no interior, que saiba as dificuldades do interior, que saiba a realidade da zona rural. Isso é tão diferente das pessoas que moram na zona urbana. O Neto entendeu esse sentimento. Não posso me negar a participar de um projeto como esse. Meu nome está à disposição.
“O que fiz foi dizer publicamente que estou pronta e à disposição do grupo, caso seja escolhida.”
Já houve convite direto de ACM Neto para compor a chapa?
Não houve convite formal. Neto vem ventilando nomes de lideranças regionais desde o ano passado, incluindo o meu, o do prefeito de Feira, Zé Ronaldo (União), o do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), o do ex-prefeito de Barreiras, Zito Barbosa (União). Ele disse para a gente ir se preparando, porque pode acontecer. O que fiz foi dizer publicamente que estou pronta e à disposição do grupo, caso seja escolhida.
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), também já defendeu seu nome como possível vice. Ele chegou a conversar com a senhora?
Eu sempre encontro com o Bruno nas reuniões da Frente Nacional dos Prefeitos. Ele comenta, fala, mas, na verdade, não houve nenhuma conversa formal, nem com Bruno, nem com Neto, nem com o depurado federal Paulo Azi (União), que é o presidente do partido (na Bahia). Não teve nenhuma reunião objetiva, nada nesse sentido.
Seus aliados, incluindo vereadores, secretários e lideranças de Vitória da Conquista, têm defendido publicamente seu nome para a vice. Como estão essas conversas nas suas bases?
Com certeza é uma honra enorme, não só para Vitória da Conquista, mas para toda a região sudoeste. Então eu entendo que o que Vitória da Conquista quis dizer é o seguinte: “Se for o nome da prefeita Sheila, a região está aqui, está junto com ela, tem nosso apoio”, porque nos sentiremos honrados e representados nessa chapa.
Se for escolhida, a senhora deve mudar de partido, correto, já que ACM Neto também é do União Brasil. Para onde iria?
Não tenho dificuldade nenhuma, desde que seja um partido com os mesmos princípios, que defenda a liberdade econômica e os valores em que acredito. Já estive em outros partidos e não vejo problema nisso.
Caso saia para disputar a eleição, o vice-prefeito Dr. Alan assume a Prefeitura em Conquista. A senhora já o escolheu em 2022 pensando na possibilidade?
Ele está preparadíssimo. É uma pessoa extremamente preparada, parceira, que participa ativamente do governo. Tem o respeito dos secretários, vereadores e da população. Se for necessário, ele dará continuidade ao nosso projeto político. Eu tive bastante sorte mesmo nessa escolha do nome de Alan.
“Não há grandes investimentos do governo federal em Conquista.”
Como está a relação da senhora com os governos estadual e federal?
É uma relação institucional. Com o governo federal, a principal obra é o Minha Casa, Minha Vida, com cerca de 1.800 casas. Fora isso, não há grandes investimentos. Com o governo estadual, também é uma relação institucional. Existem algumas obras, como escolas e uma avenida duplicada, mas não vemos investimentos estruturantes capazes de transformar a realidade da cidade. E isso não é só em Conquista, você está acompanhando aí. Salvador critica muito também, não é? Como é que está funcionando aqui? Eles têm duas escolas novas, uma por inaugurar e terminaram uma avenida aqui, a Avenida Presidente Vargas, uma duplicação que é a saída da cidade para a Barra do Choça. Foi ainda uma ordem de serviço que o ex-governador Rui Costa (PT) e aí o governador Jerônimo Rodrigues (PT) terminou, entregou e me convidou para entregar. Eu fui com ele. Ele gentilmente colocou meu nome na placa, porque na verdade não teve nenhum recurso do município, a não ser a contribuição que o município tem que dar mesmo, que é de liberar a obra, acompanhar, ajudar, não precisar entregar planta. Então não tem muita coisa. Mas por não ser uma Prefeitura parceira, você sabe como é que eles fazem, os modos operantes deles. O prefeito que é do lado, eles fazem obra; o que não é, eles deixam lá.
O presidente da Câmara de Vitória da Conquista, Ivan Cordeiro (PL), chegou a se reunir com o governador e houve insinuações de que poderia mudar de lado. Como está hoje a relação da senhora com ele, especialmente diante da possibilidade de sua candidatura a vice?
Na verdade, o presidente Ivan teve uma relação institucional com o governo do Estado. Enquanto presidente da Câmara, ele foi a Salvador, conversou com o secretário da Serin, Adolpho Loyola, participou de reuniões com o Legislativo. Isso faz parte da função institucional dele. Aquela história de que Ivan poderia ir para a base de Jerônimo foi mais uma confusão criada pela mídia. Ele demorou um pouco para se posicionar e isso acabou gerando o burburinho. Mas, quando a situação tomou proporção, ele se pronunciou e disse que, de forma nenhuma, deixaria seu posicionamento. Ele foi eleito pelo PL, é de direita e continua sendo de direita. Então, foi mais especulação mesmo. Nossa relação é institucional e de respeito.
Quem a senhora defende como candidato da direita à Presidência?
O nome deve ser aquele que estiver melhor posicionado. Pode ser o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os governadores do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), ou de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Quem tiver mais chances será o nome que vamos apoiar, porque queremos uma mudança no país, derrotar o PT.
Como avalia a aproximação do senador Angelo Coronel (PSD) com a oposição?
Fico muito contente. Coronel é um municipalista, sempre ajudou Vitória da Conquista, independentemente de posição política. É um amigo e um grande defensor dos municípios.
Uma possível candidatura a vice da senhora pode atrapalhar os planos do seu esposo, Wagner Alves, de concorrer a deputado federal este ano?
Não vejo forma de atrapalhar. Nós lançamos a pré-candidatura de Wagner Alves e, a cada dia, estamos recebendo mais apoio, graças a Deus. Apesar de Vitória da Conquista ter condições de eleger deputados da própria cidade, não podemos contar apenas com isso. Estamos buscando lideranças principalmente da região Sudoeste, para que, eleito, ele possa dar assistência mais próxima. Porque quando você tem votos espalhados na Bahia inteira, não consegue dar assistência aos 417 municípios. Quanto mais próximo da base, melhor é o trabalho. E não basta ser eleito, tem que trabalhar para mudar a realidade da região. É isso que entendemos.
Ele já definiu o partido?
Estamos conversando com o PL, com João Roma, mas também não descartamos continuar na federação, ou no PP, ou na União Brasil. Na eleição proporcional é preciso fazer muitas contas, e estamos fazendo essas contas. O que é certo é que ficaremos em um partido da base de Neto.
2 Comentários
Duda Gomes
•
02/03/2026
•
10:02
Nilson
•
02/03/2026
•
07:09
