Alckmin diz que 2 estados se recusaram a aderir à subvenção do diesel
Por Nathalia Garcia, Folhapress
02/04/2026 às 14:48
Atualizado em 02/04/2026 às 17:18
Foto: Júlio César Silva/Divulgação Mdic/Arquivo
Vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin durante café com jornalistas em Brasília
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta quinta-feira (2) que apenas dois dos 27 estados –sem citar quais– se recusaram a aderir à proposta do governo federal de subvenção ao diesel importado para enfrentar os efeitos da guerra no Irã.
Ele também defendeu diálogo com as maiores distribuidoras de combustíveis do país que decidiram não participar da primeira fase do programa, como mostrou a Folha.
"Dos 27 estados, até agora só dois disseram que não [vão aderir ao plano]", afirmou. Segundo ele, "dois ou três" estão avaliando para dar resposta até sexta (3).
As declarações foram dadas em encontro com jornalistas na despedida de Alckmin do comando do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
Ele deixa o posto próximo da data-limite (4 de abril) para a desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos que vão disputar as eleições. O nome de seu sucessor ainda não foi anunciado. Segundo Alckmin, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está tendo as últimas conversas para definir seu substituto.
Um dos estados que não vai aderir ao plano do governo federal para o combustível é Rondônia, que, segundo nota da Secretaria de Estado de Finanças, disse ter dúvidas sobre o impacto da medida no preço ao consumidor.
"Rondônia não dispõe, neste momento, de espaço fiscal e orçamentário para aderir à proposta, nem margem para absorver subsídios ou promover desonerações tributárias sem comprometer o equilíbrio das contas públicas", afirmou.
O outro estado considerado no cálculo de Alckmin, segundo um interlocutor, é o Rio de Janeiro, que afirmou que vai aguardar a publicação da medida provisória do governo federal para analisar se vai aderir à subvenção do diesel.
Segundo levantamento feito pela Folha, confirmaram a participação no programa até o momento Acre, Amapá, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
No caso das distribuidoras, o prazo de inscrição para receber subvenção pelas vendas em março terminou na última terça-feira (31). Não houve participação de três gigantes do setor, responsáveis por metade das importações privadas do diesel: Vibra, Ipiranga e Raízen.
"Sobre as distribuidoras, ouvi que algumas das grandes não tinham concordado. Qual é o caminho? É diálogo", afirmou Alckmin.
"As distribuidoras ficaram com dúvida sobre metodologia, à medida que dou um subsídio, tem que ter contrapartida. [...] Qual é a orientação do governo? Diálogo, esclarecer e buscar entendimento com as distribuidoras. Uma parte já concordou, já aderiu, algumas grandes ainda não, o caminho é buscar o diálogo", acrescentou.
Segundo Alckmin, a prioridade do governo é, primeiro, garantir o abastecimento do combustível e, além disso, minimizar os efeitos da guerra. O vice-presidente demonstrou preocupação com o impacto sobre a inflação e o bolso do consumidor no Brasil.
