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Dólar, a R$ 4,973, cai ao menor nível em mais de dois anos; Bolsa sobe com alta do petróleo

Dólar, a R$ 4,973, cai ao menor nível em mais de dois anos; Bolsa sobe com alta do petróleo

Investidores acompanham fechamento do estreito de Hormuz e impasse nas negociações do conflito

Por Folhapress

20/04/2026 às 19:00

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Dólar, a R$ 4,973, cai ao menor nível em mais de dois anos; Bolsa sobe com alta do petróleo

Valor do dólar é o menor desde 7 de março de 2024, quando a moeda encerrou o dia a R$ 4,933

O dólar fechou em queda de 0,19%, a R$ 4,973, nesta segunda-feira (20), com os preços do petróleo impulsionando a valorização do real frente à moeda norte-americana e as ações de empresas brasileiras do setor energético na Bolsa.

O valor do dólar é o menor desde 7 de março de 2024, quando a moeda encerrou o dia a R$ 4,933. O movimento foi mais intenso do que o observado no exterior: o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuou 0,03% ao longo da sessão

A Bolsa, por outro lado, fechou em alta de 0,20%, aos 196.132 pontos, impulsionada pela valorização das ações do setor de petróleo.

Segundo a XP, a alta das tensões beneficia a condição do Brasil como exportador líquido de petróleo, o que sustenta o saldo comercial do país, fortalece o real e ajuda a mitigar pressões inflacionárias.

"Por outro lado, caso os riscos geopolíticos diminuam e os preços do petróleo recuem, o apetite ao risco deve retornar ao ambiente pré-conflito, caracterizado por um dólar mais fraco e maior atratividade de mercados emergentes", afirma a instituição em relatório macro.

O petróleo voltou a subir nesta segunda-feira, diante de mensagens contraditórias sobre o conflito. Por volta das 17h, o barril do Brent, referência internacional, avançava 5,03%, a US$ 94,93, no contrato com vencimento em junho deste ano. Na máxima do dia, a commodity chegou a US$ 97,50 —alta de 7,8%.

Em reação, as ações da Petrobras fecharam em alta de 1,83% (ordinárias) e 1,73% (preferenciais). Os papéis da Brava avançaram mais de 4%.

"Empresas do setor petrolífero tendem a ser beneficiadas por esse cenário, pois há expectativa de aumento das receitas com exportações, dado o contexto de redução da oferta por parte dos países do Golfo Pérsico", afirma Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Ao longo do fim de semana, o tráfego no estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito, voltou a ser interrompido. Nas últimas 12 horas, o fluxo de navegações pela via permanecia parado, com apenas três travessias registradas, de acordo com dados de navegação da SynMax e de rastreamento da plataforma Kpler.

No sábado (18), a Guarda Revolucionária iraniana realizou ataques contra embarcações que transitavam pelo estreito de Hormuz, segundo agências internacionais. No domingo (19), foi a vez dos Estados Unidos.

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que fuzileiros navais do país atacaram uma embarcação que tentou burlar o bloqueio americano aos portos iranianos no estreito de Hormuz. Trump afirmou ainda que a tripulação iraniana se recusou a obedecer a ordens de parada.

O ataque foi respondido pelo comandante operacional do Irã, Khatam al-Anbiya, através da mídia estatal iraniana. "Alertamos que as forças armadas da República Islâmica do Irã em breve responderão e retaliarão contra essa pirataria armada por parte das forças militares dos EUA", disse.

Para Cordeiro, "o aumento de tensões contribui para a expectativa de uma suspensão dos fluxos de petróleo e derivados por um período maior do que o esperado".

Ao mesmo tempo, Trump afirmou que representantes dos dois países devem se reunir para mais uma rodada de negociações no Paquistão nesta segunda —o acordo de trégua expira na quarta-feira (22).

O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, irá liderar a delegação dos EUA, afirmou Trump. Vance participou das conversas entre os países no começo do abril, que acabaram sem acordo.

À agência Reuters, uma fonte iraniana de alto escalão afirmou nesta segunda que o país está considerando participar das negociações de paz, mas que a decisão final ainda não foi tomada.

O cenário geopolítico tem sido o principal responsável pela desvalorização do dólar frente ao real e pela alta da Bolsa nas últimas semanas. A trégua temporária impulsionou a busca global por ativos de risco e retomou o fluxo de investidores estrangeiros para mercados emergentes.

No começo deste ano, esse movimento levou o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a bater diversos recordes. O fluxo, contudo, foi interrompido com a guerra no Irã.

Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, o otimismo voltou, o que fez com que o dólar rompesse o piso de R$ 5 e se mantivesse abaixo da marca pela primeira vez desde 2024.

O Brasil se valoriza neste contexto pela distância em relação ao conflito e pelo diferencial de juros com os EUA.

Segundo o Boletim Focus desta segunda-feira, economistas consultados pelo BC (Banco Central) veem a taxa básica de juros, a Selic, terminando este ano em 13% ao ano. A taxa hoje é de 14,75%.

Com a Selic no maior patamar em quase duas décadas e a taxa dos Estados Unidos na banda entre 3,5% e 3,75%, investidores aproveitam da diferença para apostar no "carry trade".

Nessa estratégia, investidores internacionais captam recursos em países de juros baixos para aplicar em economias com taxas mais elevadas, como o Brasil.

Segundo dados da B3, o saldo de investimento estrangeiro foi de R$ 68 bilhões até 10 de abril —superior ao fluxo de 2025 inteiro.

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