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‘Eleição é guerra, e serei escudeiro de Flávio Bolsonaro se for preciso’, diz Pablo Marçal

‘Eleição é guerra, e serei escudeiro de Flávio Bolsonaro se for preciso’, diz Pablo Marçal

Influenciador disse que pretender reverter condenações na Justiça Eleitoral para concorrer em outubro e que Bolsonaro teria perdido no primeiro turno em 2022 sem a sua ajuda

Por Guilherme Caetano/Estadão

12/04/2026 às 14:30

Foto: Reprodução

Imagem de ‘Eleição é guerra, e serei escudeiro de Flávio Bolsonaro se for preciso’, diz Pablo Marçal

Flávio Bolsonaro ao lado de Pablo Marçal em evento em São Paulo

Recém-filiado ao União Brasil para ajudar o partido a alavancar a bancada federal nas eleições, o empresário e influenciador Pablo Marçal diz que “política é guerra” e que ele vai servir de “escudeiro” para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na batalha contra a esquerda pela Presidência da República.

Com um exército de 13,1 milhões de seguidores no Instagram, Marçal se reuniu com caciques de seu novo partido em Brasília nesta semana para definir seu papel nas eleições de outubro. Ele já havia sido eleito deputado federal em 2022, mas o Tribunal Superior Eleitoral negou seu registro de candidatura por problemas na documentação.

Agora ele faz mistério. Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, diz não saber a qual cargo vai concorrer: “O que der mais resultado, eu vou partir para cima”. O problema é que ele foi condenado à inelegibilidade pela Justiça Eleitoral por irregularidades na conturbada campanha eleitoral à Prefeitura de São Paulo em que ficou de fora do segundo turno por um triz.

A dois dias do primeiro turno, Marçal divulgou um laudo falso de internação do então candidato do PSOL, Guilherme Boulos. A divulgação teve impacto direto na sua votação e reforçou a lista de irregularidades ao longo da campanha paulistana.

Marçal tem três condenações no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que o tornam inelegível: oferta de dinheiro em troca de apoio político, oferta de dinheiro entre os seguidores que promovessem cortes dos seus vídeos e abuso de poder econômico ao sortear brinde entre seus seguidores. Ele aposta em um recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não apenas para reverter as decisões, mas para manter uma eventual candidatura sub judice até trânsito em julgado.

“Vou reverter. Eu estou elegível. Só fica inelegível quando é transitado em julgado”, afirma ele.

O senhor já disse que o Brasil precisa de um presidente de perfil outsider, e que o povo estava de saco cheio de Lula e Bolsonaro. Agora o candidato a sucessor de Bolsonaro é justamente o filho Flávio. Lançá-lo a presidente foi uma escolha acertada do PL?

Eu sou do União, e declarei apoio. Meu partido não decidiu ainda quem vai apoiar. Mas pela gratidão, pelo acesso ao próprio Flávio não me arrependo de apoiar ele, não. O Augusto Cury (Avante), acabou de se lançar, é um grande amigo e também vou apoiar ele. O Ronaldo Caiado (PSD, ex-governador de Goiás) é outro amigo que está buscando a última pedra na coroa dele. Grande político, na segurança pública nunca vi igual. Se vierem mais nomes com esse perfil, vai ter meu apoio pessoal.

O senhor preferia o governador Tarcísio a Flávio, não?

O Tarcísio tinha que ter se posicionado. Mas como a eleição dele ao governo de São Paulo foi praticamente uma unção que o Bolsonaro deu na cabeça dele, ele teve que responder de onde veio esse capital político. Se ele tivesse se posicionado, poderia ser, sim, um nome poderoso para bater o Lula.

Como o senhor tem visto a pré-campanha de Flávio?

Ela está começando de fora para dentro, está indo bem, dominando palcos nos Estados Unidos, em Israel. É um cara dinâmico, nobre, acho que isso pode favorecer muito ele.

No momento a gente tem uma profusão de pré-candidatos de direita. Além de Flávio, temos Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e outros. A direita está bem representada?

Acho que falta gente. A direita não tem dono. Num cenário de pré-campanha tinha que ter uns 20 candidatos. E desses 20 a gente vai depurando até chegar ao que tem pujança. Se for uma eleição só de um cara de um lado e outro cara do outro lado, se der um resfriado no cara, a gente perde a eleição. Está faltando gente aparecer.

Não prejudica Flávio Bolsonaro ter tantos candidatos do mesmo campo ideológico?

Favorece o Brasil. Flávio é o nome mais forte. Acho que o pesadelo do Lula é o Flávio, porque ele é o Jair Bolsonaro melhorado. Dá conta de conversar, de segurar a boca, ele tem diálogo, um cara nobre, republicano. Tem um perfil de senador e mostrando a outra parte dele vai dar uma surpreendida no PT. Acho que o PT está ficando apavorado com o Flávio.

Renan Santos, do MBL, pode ocupar esse espaço de candidato estilo outsider?

Renan é aquele curioso caso que vai falar, falar, falar e vai terminar com dois pontos (percentuais de votação). Não tem musculatura. Não conheço ele pessoalmente. Eles (do MBL) são muito mochileiros, aventureiros. Não tem capilaridade. Eleição majoritária não é coisa para menino. Pode ser o sonho deles, não vou dizer que nunca vão conseguir, mas nos próximos 20 anos é meio complicado. O MBL esquece que eles são fruto de um movimento, e eles falam mal do movimento, então eles perdem uma credibilidade absurda. Eles já nascem em descrédito.

O senhor teve agenda política aqui em Brasília. Com quem o senhor se encontrou? E para tratar de quê?

O evento foi com Antônio Rueda (presidente do União Brasil), ACM Neto. A gente sempre se encontra, e está discutindo as direções do que a gente vai produzir, para a gente fazer a maior bancada já vista num partido político. Foi para isso que eu vim para o União. Quero ter uma influência forte no parlamento. Disputando cargo ou não, é a minha pretensão.

O senhor vai concorrer nas eleições?

Não sei. Se for melhor para o partido, não serei. Tem chance de sair para tudo, qualquer cargo, ou para nada também.

Tem predileção por Câmara ou Senado?

O que der mais resultado, eu vou partir para cima.

Em janeiro, o senhor chamou Flávio Bolsonaro para cima do palco, em um evento em São Paulo, e disse que os dois iriam para a guerra juntos. Como o senhor pretende ajudar na campanha dele?

No que ele precisar. Estou aberto a ajudá-lo. A gente pode não ser do mesmo batalhão, mas vai atacar na mesma direção. Se eu tiver a ferramenta que ele não tem, vou pôr na mão dele. Se ele precisar de escudo, sou escudeiro dele no que for preciso. Vou incentivar outras candidaturas. Ele tem que trabalhar numa única direção. Temos que construir uma história com muitos batalhões, para depois chegar e virar um batalhão maior.

O senhor pretende ser uma espécie de consultor de estratégia digital, algo assim?

Sim, vou ajudar várias campanhas. Já dei sugestões, mas não fechei absolutamente nada com ele. Se ele precisar só de conselho, a nível profissional, já falei isso para ele.

Como pretende alavancar o engajamento de Flávio?

Como a gente não combinou, não tenho ainda essa pretensão. Então tem que partir dele agora. Eu já ajudei o Bolsonaro em 2022. Ele ia perder no primeiro turno, e ele deu uma arrancada no final, conseguiu passar para o segundo turno. O Lula tinha certeza que ia vencer no primeiro turno. Todo mundo sabia que Bolsonaro ia perder. Ele deu aquela arrancada com influenciadores, que é um movimento de 300 mil pessoas ajudando nas redes sociais. Foi avassalador. Não chegou no final por detalhes. Dava para ter virado aquela eleição.

Vale tudo para ganhar uma eleição?

Pelo povo vale tudo. Para tirar essa corja de políticos, às vezes vale um prejuízo menor para um bem maior. Se for para quebrar princípios, isso nem entra em questão pra mim. Mas querer fazer o bem e acabar tropeçando é outro detalhe. Vale tomar um processo, ser perseguido, ser destruído nas redes sociais, em rede de televisão. Já estou acostumado em relação a isso.

Na eleição à Prefeitura de São Paulo em 2024, o senhor teve um desempenho surpreendente e quase foi para o segundo turno. O que deu errado?

Não deu errado. Não tinha dinheiro público, TV, rádio, Lula, Bolsonaro, partido político, não tinha nada. Tinha só um papel me autorizando a disputar. Era eu, Deus, o povo e um celular. A Justiça derrubou duas vezes as redes sociais. (A campanha) foi perdendo um pouco da força pela perseguição. Esses caras gastaram dinheiro público só me atacando. Eu comecei com 1% e terminei empatado com esses caras. Foi o maior experimento social já produzido no Brasil. Caso aconteça uma candidatura, com um partido forte… meu Deus do céu, quero ver quem segura.

O senhor já disse que incorporou arquétipos na campanha eleitoral passada, do rebelde, do bobo da corte etcétera. Pretende repetir nas eleições deste ano?

Aqueles não, porque eu já fiquei conhecido. Agora (vou) ser naturalmente o que eu sou, que é governante. É isso que sou na minha vida, no meu dia a dia.

O senhor foi condenado por difamação contra Tabata Amaral (candidata do PSB) e por espalhar uma notícia falsa para atribuir o uso de droga a Guilherme Boulos (candidato do PSOL). O senhor se arrepende disso?

Ele não provou o contrário, então não tenho como eu chegar numa certificação de que aquilo não é real. A questão do laudo já foi concluída. Inclusive eu aceitei, eu sugeri essa transação penal, porque estamos brigando com um ministro de Estado. Você vai pegar um secretário-geral da Presidência da República para tentar julgar alguma coisa contra mim, eu não sou bobo. Já aceitei. Não é aceitar culpa, mas é suspender o processo por dois anos, cumprir certos acordos, e depois liquida o processo. Acredito que muita coisa de eleição é guerra. Eu acho que foi necessário.

No caso do laudo contra Boulos, o senhor sabia que era falso quando sua equipe divulgou isso nas suas redes sociais?

Nunca vi o laudo. Se eu soubesse, jamais teria autorização para fazer essa postagem. Existe um eco na eleição que toda hora alguém aparecia com um dossiê de alguém e eu falava, não quero nem ver. É assim, é o dia inteiro. Tem gente tentando destruir os outros. Tinha gente que me ligava, ligava para agente meu para falar, R$ 500 mil eu entrego um dossiê do Marçal. Eu não estou nem aí. Entrega isso aí para o Estadão, para o UOL. Eu não estou nem aí. Eu não vou pagar isso. Várias coisas minhas, empresariais, às vezes, não conseguem andar porque eu nunca paguei propina a minha vida inteira. E aí, imagina o desespero da campanha eleitoral. Os caras não conseguiam pegar nada. Então, tem que fazer o quê? Nós temos que arrumar confusão aqui nessa eleição com eles. Eles foram muito duros comigo. Eu nunca vi ninguém interpelando nem o prefeito, nem o próprio ministro do Lula. Nunca vi ninguém interpelando eles pelas mentiras que eles falaram. E eu não movi o processo contra eles. E disso eu me arrependo. Eu tinha que ter distribuído um processo por dia, de cada difamação, calúnia e injúria que foi produzida.

Como fazer os eleitores acreditarem quando o senhor tiver que publicar alguma informação importante, alguma denúncia?

Ah, como aconteceu isso, eu vou falar: Esse (documento) aqui eu chequei. Aquilo lá (minhas redes sociais durante a campanha) eram 120 postagens todo dia. A gente amadurece, ninguém é bobo. Todo mundo já foi criança, já foi adolescente e meu tempo na política é muito recente. Então, aprendi muito. Você pode me ver errando, mas não vai ser das mesmas coisas. Não faz sentido. Um erro tão amador igual aquele. Eu não compactuo com esse tipo de coisa e jamais se permitiria postar uma merda daquela.

O TRE-SE manteve a sua condenação à inelegibilidade na ação dos campeonatos de cortes, por uso indevido dos meios de comunicação. Como o senhor pretende reverter essa situação no TSE?

Vai reverter. Infelizmente o Judiciário não é matemático. Se eles fossem exatos, eu falava com exatidão pra você. É uma questão filosófica, uma questão material e a gente precisa, nesse embargo, nós estamos lutando pra ter uma perspectiva boa. Mas eu tô elegível. Só fica inelegível quando é transitado em julgado (sem possibilidade de recurso). Tenho certeza do meu coração (que vou conseguir concorrer). Tomei 250 processos e fui bancando tudo no meu bolso. Espero tomar menos processos nessa eleição.

Esses campeonatos renderam essa condenação ao senhor, mas a sua conta no Instagram continua patrocinando anúncios para ensinar as pessoas a ganhar dinheiro com cortes. Acha que isso pode ser usado de novo contra o senhor?

Não está no período eleitoral, então, como não há proibição, não tem nenhum problema em estar fazendo isso.

Como o senhor tem visto as revelações publicadas na imprensa sobre a relação de Daniel Vorcaro com ministros do STF, em especial de Alexandre de Moraes?

Eu não acompanho essas coisas. O STF claramente precisa de um reforço do regimento interno para ministro do STF não ficar tão exposto. Não ter nem participação empresarial, nem participar de fóruns. Com certeza (um código de ética). É uma grande hora para a Corte trabalhar isso, para não dar problema para ela, porque ela está muito fragilizada. Se você perguntar para um brasileiro médio hoje, o maior problema do Brasil é o Supremo Tribunal Federal.

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