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EUA foram incapazes de ganhar nossa confiança, diz Irã

EUA foram incapazes de ganhar nossa confiança, diz Irã

Negociações para possível cessar-fogo na guerra entre os dois países fracassaram em encontro no Paquistão

Por Folhapress

12/04/2026 às 09:00

Foto: Reprodução/X

Imagem de EUA foram incapazes de ganhar nossa confiança, diz Irã

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Ghalibaf

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Ghalibaf, que participou das conversas com os Estados Unidos, afirmou neste domingo (12) que Washington foi incapaz de conquistar a confiança de Teerã. As negociações chegaram ao fim sem um acordo.

"Meus colegas na delegação iraniana (...) apresentaram iniciativas construtivas, mas, em última instância, a outra parte não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações", disse Ghalibaf em uma publicação no X.

Ghalibaf também afirmou que os Estados Unidos entenderam "a lógica e os princípios do Irã" e que agora têm de "decidir se podem ou não conquistar" a confiança do país.

Além disso, o Ministério das Relações Exteriores do país afirmou no domingo que ninguém esperava que as negociações com os EUA chegassem a um acordo em uma única sessão.

As negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã na capital do Paquistão, Islamabad, terminaram sem que os países em guerra chegassem a um acordo, jogando na incerteza o futuro do frágil cessar-fogo entre os dois países adversários na guerra no Oriente Médio.

O vice-presidente americano, J. D. Vance, disse na manhã de domingo (12) no Paquistão, ter feito uma oferta final ao Irã nas conversas. Todos os membros da delegação americana já deixaram o país.

"Conversamos por 21 horas", disse o vice de Donald Trump em breve declaração à imprensa em um hotel de Islamabad, capital paquistanesa, país que serviu de mediador no conflito.

A fala contradiz declarações anteriores da delegação iraniana, que dizia esperar mais discussões no domingo. Após a entrevista de Vance, entretanto, a TV estatal do país persa confirmou o fim das negociações, colocando a culpa do fracasso em "exigências excessivas" dos EUA.

"A boa notícia é que tivemos discussões significativas com os iranianos. A má notícia é que não chegamos a um acordo, e acho que é uma notícia muito pior para o Irã do que para os EUA", disse o vice-presidente americano. Não está claro se haverá nova rodada de discussões em outro momento ou se os países retomarão os bombardeios na guerra, que já matou milhares de pessoas em toda a região.

Vance afirmou que o Irã optou por não aceitar os termos americanos, incluindo a proibição de construir armas nucleares. "Precisamos de um compromisso firme de que eles não buscarão armas nucleares e que não buscarão os meios que lhes permitiriam obtê-las rapidamente", acrescentando que esse era o objetivo central do presidente dos Estados Unidos.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que era "imperativo" preservar o cessar-fogo de duas semanas acordado na terça-feira (7).

A delegação dos EUA, que chegou ao Paquistão no sábado (11), foi liderada pelo vice-presidente J. D. Vance e inclui o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e o genro do mandatário, Jared Kushner.

Já a iraniana, composta por mais de 70 membros, foi encabeçada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.

No sábado, naquele que foi o encontro de mais alto nível entre Washington e Teerã desde a Revolução Islâmica de 1979, as delegações realizaram três rodadas de conversas —a terceira só terminou na madrugada de domingo (12), noite de sábado no Brasil.

As conversas aconteceram no hotel cinco estrelas Serena, com jardins e arquitetura mourisca, que é um dos edifícios mais fortificados de Islamabad e tem o próprio esquema de segurança.

Também no sábado, a emissora estatal iraniana afirmou que a delegação de Teerã apresentou demandas relacionadas ao estreito de Hormuz, à liberação de ativos iranianos bloqueados, ao pagamento de reparações para cobrir danos causados pela guerra e um cessar-fogo que alcance toda a região.

A última vez em que EUA e Irã negociaram olho no olho foi na costura do acordo nuclear de 2015, que trocou o fim de sanções à teocracia por um intrincado esquema de verificações segundo o qual seria restringida a capacidade de enriquecimento de urânio do país por 15 anos, visando coibir a busca pela bomba atômica.

Leia também: Negociações entre EUA e Irã fracassam; futuro do cessar-fogo é incerto

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