Lulinha voou em jato de advogado que doou R$ 2 milhões para Tarcísio
Por Mônica Bergamo e Lucas Marchesini/Folhapress
06/04/2026 às 12:24
Atualizado em 06/04/2026 às 12:28
Foto: Reprodução/Arquivo
Lulinha
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, embarcou no jato privado de um advogado que atua em São Paulo, Brasília e Cuiabá, indicam documentos obtidos pela Folha.
Otto Medeiros de Azevedo Jr. já advogou para ele em um caso em que Lulinha, como é conhecido, foi acusado de sonegação fiscal, na época da Operação Lava Jato.
O filho de Lula foi investigado por supostamente ter recebido R$ 132 milhões da companhia telefônica Oi por meio de uma de suas empresas, a GameCorp, entre 2004 e 2016. Fábio Luís sempre defendeu a legitimidade do negócio com a empresa, que se dedicava à produção de conteúdo focado em tecnologia e games.
O processo contra ele foi anulado na Justiça.
Otto Medeiros foi o maior doador da campanha eleitoral de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo, para a qual destinou R$ 2 milhões.
Além dele, apenas Fabiano Zettel, cunhado do dono do banco Master, Daniel Vorcaro, fez doação tão volumosa, no mesmo valor.
Os documentos aéreos indicam que Fábio Luis entrou no hangar executivo do aeroporto de Brasília às 17h30 do dia 19 de fevereiro de 2025.
No mesmo horário, o advogado Otto Medeiros também chegou ao local, como indica lista de passageiros registrados pela Anac.
Às 19h36, o avião de Otto Medeiros, de prefixo PR-WBW, decolou rumo ao aeroporto Catarina, que fica na cidade de São Roque (SP). Operado pela JHSF, o terminal é reservado apenas para a decolagem e o pouso de jatos privados.
Este é o único voo identificado pela Folha, por meio do CPF do filho de Lula.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Fábio Luís, afirma que o voo foi "pontual, de natureza privada", e que a defesa não comentará "todo e qualquer aspecto da vida pessoal" do cliente, "que não tem cargo nem exerce qualquer função pública".
Fábio Luís está sendo investigado pela PF pelas ligações com o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS" e preso sob a acusação de participar da organização criminosa que viabilizava descontos irregulares de aposentados e pensionistas.
Segundo a defesa, o filho de Lula não tem relação direta ou indireta de negócios com Camilo Antunes.
O relacionamento entre eles teria se limitado a uma viagem a Portugal em que Fábio Luís foi convidado pelo empresário para visitar uma fábrica de extração de canabidiol em Portugal.
Sobre o INSS, a defesa afirma que "está aguardando o arquivamento do caso", já que "nem um único real sequer foi encontrado nas contas" de Lulinha que o relacionasse "a Camilo Antunes ou a qualquer de suas empresas".
