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Na Alemanha, Lula vai pedir mais dinheiro a Merz para Fundo de Florestas

Na Alemanha, Lula vai pedir mais dinheiro a Merz para Fundo de Florestas

Por José Henrique Mariante/Folhapress

18/04/2026 às 14:45

Foto: Ricardo Stuckert/PR

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O presidente Lula

Às vésperas de receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a abertura da Feira Industrial de Hannover, o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, está sendo pressionado por entidades ambientais a aumentar o aporte do país no Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), lançado pelo Brasil na COP30, no ano passado.

Carta aberta dirigida ao premiê publicada nesta semana por, entre outros, WWF Alemanha, Germanwatch e Rainforest Foundation Norway, pede que a contribuição de Berlim para o TFFF suba de € 1 bilhão (R$ 5,8 bilhões) para € 3 bilhões (R$ 17,6 bilhões). "A contribuição prometida pela Alemanha… é um sinal importante, mas não faz jus nem à sua própria responsabilidade nem à pretensão de assumir um papel de liderança na proteção e conservação das florestas tropicais", dizem as entidades.

Segundo observadores que participaram de uma reunião do fundo nesta semana em Washington, dentro dos encontros de primavera do FMI, é "bastante provável" que Lula aborde o assunto com Merz durante a visita de três dias do presidente a Hannover.

Lula chega à cidade neste domingo (19), vindo de Barcelona, onde assinou acordos de cooperação com o governo espanhol. Neste sábado, participou ainda do Fórum Democracia para Sempre, reunião de Estados progressistas organizada por ele e Pedro Sánchez, primeiro-ministro do país.

Sánchez também ouviria um pedido de colaboração de Lula para o fundo, de acordo com ativistas.

Desde seu lançamento, em novembro, o TFFF acumula US$ 6,7 bilhões, vindos de Noruega (US$ 3 bilhões), Alemanhã (€ 1 bilhão ou US$ 1,1 bilhão), França (€ 500 milhões ou US$ 588,5 milhões), Brasil e Indonésia (US$ 1 bilhão cada). Portugal, Holanda e a Fundação Minderoo reverteram US$ 15 milhões para o estabelecimento do sistema, que será abrigado no Banco Mundial.

Para funcionar, no entanto, o TFFF precisa alcançar US$ 10 bilhões de investimento público ainda neste ano, conforme projeção do Ministério da Fazenda. Ou seja, uma contribuição alemã ampliada na proporção exigida pelos ambientalistas quase cumpriria a meta inicial de Brasília.

"Uma contribuição adicional de € 2 bilhões na forma de empréstimo para a capitalização do fundo atenderia ao anunciado ‘montante significativo’, demonstraria liderança e mobilizaria mais recursos públicos e privados", dizem as ONGS na carta.

"Montante significativo" foi a expressão que o governo alemão usou ao anunciar sua participação no fundo, sem dar valores, no ano passado. Após críticas e negociações internas da coalizão liderada pelo conservador Merz com os sociais-democratas, o valor de € 1 bilhão foi finalmente divulgado.

Tudo isso depois da polêmica protagonizada pelo premiê, que viralizou nas redes sociais fazendo um comentário depreciativo sobre Belém. O episódio é lembrado com frequência nas reportagens da imprensa alemã sobre a visita.

Idealizado pelo Brasil, o TFFF funciona como um mecanismo financeiro tradicional, que remunera seus acionistas com parte dos lucros, a taxas de mercado, e mais US$ 4 (R$ 21) para cada hectare preservado de floresta tropical no mundo. Comunidades tradicionais devem receber 20% dos recursos.

A diferença é que o rendimento excedente é convertido para países de floresta tropical que conservam seus biomas e reduzam suas taxas de desmatamento.

O desenho original do TFFF prevê seu funcionamento pleno com US$ 125 bilhões, sendo US$ 25 bilhões em recursos públicos. A ideia é que o investimento dos países, que também será remunerado, dê lastro e segurança ao mecanismo, atraindo recursos privados.

O momento é propício para o diálogo entre Lula e Merz. Além de o Brasil ser o país homenageado da Hannover Messe, maior feira industrial do mundo, a entrada em vigor do Acordo União Europeia-Mercosul em maio é citada em quase todas as manifestações relacionadas à visita.

Brasil e Alemanha foram os maiores defensores do tratado, que cria um mercado de livre comércio de 720 milhões de pessoas e um PIB conjunto de US$ 33 trilhões. A Alemanha é o quarto maior parceiro comercial do Brasil, com US$ 20,9 bilhões de comércio corrente no ano passado.

Na última etapa da viagem à Europa, Lula estará em Lisboa, na terça-feira (21).

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