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Navio chinês com 800 toneladas de peças chega em maio para obras da ponte Salvador-Itaparica
Navio chinês com 800 toneladas de peças chega em maio para obras da ponte Salvador-Itaparica
Por André Borges/Folhapress
21/04/2026 às 06:26
Foto: Divulgação/Concessionária Ponte Salvador-Itaparica
A previsão é de que ancore em Salvador na segunda quinzena de maio, para que as obras comecem em junho
Um navio carregado com mais de 800 toneladas de equipamentos partiu da China com destino a Salvador (BA). A embarcação que zarpou no dia 30 de março leva 44 contêineres de materiais que serão utilizados nas primeiras etapas de construção da ponte que vai ligar a capital baiana à Ilha de Itaparica.
A previsão é de que ancore em Salvador na segunda quinzena de maio, para que as obras comecem em junho. Com 12,4 de extensão, a ponte será o maior eixo de ligação sobre o mar já construído em toda a América Latina.
Na semana passada, a concessionária Ponte Salvador-Itaparica, formada pelas estatais China Communications Construction Company (CCCC) e China Railway Construction Corporation (CRCC), pediu os alvarás que autorizam o início dos trabalhos na Baía de Todos-os-Santos. Os documentos entregues às prefeituras de Salvador e de Vera Cruz, municípios que são os pontos de partida e chegada da ponte, têm previsão de serem liberados em até 30 dias, segundo a concessionária.
A ponte tem prazo total de construção em cinco anos, com previsão de ser inaugurada em junho de 2031. A concessionária vai operar a estrutura por mais 29 anos, chegando aos 35 anos de contrato, prazo que inclui um ano na etapa de licenciamento.
A remessa de equipamentos da China será usada para erguer uma plataforma lateral que será usada para apoiar a construção da ponte. Trata-se de uma tecnologia chinesa que ainda não tinha sido usada na América Latina.
Fixada no fundo do mar, essa plataforma serve de apoio para o trabalho de funcionários, chega de material e instalações em geral da ponte em si, que será erguida paralelamente à plataforma. Quando a ponte estiver concluída, todo material é desmontado e retirado.
"Com essa engenharia, conseguimos reduzir em 70% o número de embarcações que seriam necessárias para apoiar a construção da ponte", diz Carlos Prates, porta-voz da concessionária Ponte Salvador-Itaparica.
A fase de implantação da plataforma já possui todas as licenças ambientais necessárias, dependendo agora apenas dos alvarás das prefeituras. Já a instalação da ponte em si aguarda autorização do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), o órgão estadual que emite as licenças.
No segundo semestre, mais oito embarcações virão da China para o Brasil. São equipamentos específicos de apoio ao projeto, como rebocador multiuso, navio de cravação de estacas e navio misturador de materiais.
O material da obra em si, porém, será produzido no Brasil, além da contratação local de funcionários, que vai se concentrar na região do projeto. Estão previstos cerca de 7.000 postos de trabalho, entre diretos e indiretos.
Serão usados, entre a laje da ponte e seus 169 pilares, cerca de 660 mil metros cúbicos de concreto, material que daria para construir 7,5 estádios do Maracanã. Um dos canteiros funcionará em estaleiro de Maragogipe, onde serão fabricados os pré-moldados.
A operação da ponte vai incluir a cobrança de um pedágio que, segundo Carlos Prates, deverá ter um preço próximo do que é praticado hoje pelos serviços de ferry-boat. Hoje, um carro pequeno paga R$ 64,70 em dias úteis para fazer a travessia. Nos fins de semana e feriados, o preço sobe para R$ 91,70. A travessia marítima feita em cerca de 1 hora é conhecida pelas longas filas para embarcar.
Embora a instalação da plataforma seja o marco formal do início da construção, a etapa mais visível para a população, que é a execução da ponte no mar, está prevista para começar apenas em 2027, com o avanço das intervenções estruturais sobre a água.
Além dos 12,4 quilômetros de extensão sobre a água, o projeto inclui 4,4 quilômetros de acessos viários na capital, com túneis e viadutos, além da construção de uma via expressa de 22 quilômetros na ilha e a duplicação de um trecho da BA-001.
O governo baiano diz que a obra estimada em cerca de R$ 15 bilhões trará impacto econômico na vida de 70% da população baiana, cerca de 10 milhões de pessoas que vivem em 250 municípios.
Hoje, a ponte Rio-Niterói é considerada a maior da América Latina em extensão total, com 13,29 quilômetros. Ocorre que seu trajeto inclui não apenas o trecho sobre a água, mas também acessos em terra e viadutos urbanos. Sobre o mar carioca mesmo são aproximadamente 9 quilômetros. No caso da ponte Salvador–Itaparica, os 12,4 quilômetros correspondem ao trecho contínuo sobre a água.
"Esse projeto é o símbolo da aliança do Brasil com a China, um projeto que reúne esforços das duas nações. É muito mais do que apenas a construção de uma obra física, é o símbolo das relações comerciais que vão desenvolver e impactar diretamente a população baiana", disse Carlos Prates.
Em julho do ano passado, durante uma passagem pela Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu a demora para a construção da ponte e chegou a comemorar o início das obras.
"Finalmente saiu a ponte de Itaparica. Essa ponte foi um parto difícil. O [ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia] Rui Costa sabe o quanto ele sofreu. Quantas vezes eu falei com o [líder da China] Xi Jinping: 'Ô, meu amigo, e a nossa ponte? E a nossa ponte? Está acertada? Vai ser construída?", disse em entrevista à TV Bahia.
A estrutura é uma promessa antiga das gestões petistas da Bahia. As conversas para viabilizar a ponte datam de 2009, ainda no governo de Jaques Wagner (PT), hoje líder de Lula no Senado. As negociações chegaram a uma nova etapa somente em 2020, quando o governo estadual estava sob Rui Costa.
