Petrobras nega defasagem nos preços e diz seguir política de reajuste
Por Pedro Lovisi/Folhapress
03/04/2026 às 12:25
Foto: Geraldo Falcão/Arquivo/Agência Petrobras
Plataforma de Petróleo
A Petrobras reafirmou nesta quinta-feira (3) que sua política de reajustes nos preços de combustíveis não prevê periodicidade definida em relação ao mercado internacional e negou que seus preços estejam defasados. A afirmação consta na resposta da empresa a um ofício da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre o tema.
No documento, o órgão questiona a estatal sobre uma reportagem publicada pelo portal Brazil Journal no final de março. Citando dados da Abicom (Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis), o texto diz que o diesel da Petrobras está sendo vendido hoje 86% abaixo da chamada paridade internacional; já a gasolina estaria com 64% de defasagem.
Em resposta, a Petrobras disse que segue sua estratégia comercial mesmo com as tensões geopolíticas causadas pela guerra no Irã.
"Os reajustes de preços continuam sendo feitos sem periodicidade definida, evitando o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio, conforme prática usual da Petrobras que considera as suas melhores condições de refino e logística. Quando necessários, os reajustes são realizados com base em análises técnicas e em linha com a governança da companhia", afirmou no comunicado.
A estatal afirmou não reconhecer os valores calculados pela Abicom e pontuou reajustes feitos pela empresa nos últimos dias, como o reajuste de R$ 0,38 por litro de diesel A na venda para distribuidoras.
A Petrobras também ressaltou que aderiu ao programa de subvenção do governo federal para a comercialização de diesel, que prevê o pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas beneficiárias.
"Dessa forma, para a Petrobras, o efeito combinado do ajuste de preços para as distribuidoras anunciado e o benefício do programa de subvenção, é equivalente a R$ 0,70 por litro", afirmou. "A Petrobras reforça seu compromisso com sua sustentabilidade financeira, preservando a sua atuação em equilíbrio com o mercado."
O questionamento da CVM vem em meio a preocupações dos investidores sobre uma eventual pressão do governo federal para que a estatal segure o aumento dos preços dos combustíveis.
Na quinta, por exemplo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o leilão de gás de cozinha organizado pela Petrobras nesta semana como "bandidagem" –o certame terminou com ágios superiores a 100%. "Vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra", afirmou.
Em 2023, a Petrobras encerrou a política de paridade internacional do preço do petróleo. Essa era uma bandeira eleitoral do presidente Lula, que contestava o fato de a estatal ter que seguir os preços do mercado internacional mesmo sendo uma das maiores produtoras do mundo. Desde então, a Petrobras adota uma política de reajustes graduais no preço, sem acompanhar imediatamente eventuais aumentos ou quedas no preço.
