/

Home

/

Noticias

/

Brasil

/

Bolsonaristas renovam ofensiva contra STF, mas cúpula do Congresso espera validação de dosimetria

Bolsonaristas renovam ofensiva contra STF, mas cúpula do Congresso espera validação de dosimetria

Após decisão de Moraes contra presos do 8/1, oposição quer nova PEC da anistia e impeachment

Por Carolina Linhares/Folhapress

11/05/2026 às 20:15

Atualizado em 11/05/2026 às 20:18

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado/Arquivo

Imagem de Bolsonaristas renovam ofensiva contra STF, mas cúpula do Congresso espera validação de dosimetria

Bolsonaristas, ao lado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), comemoram derrubada do veto à Lei da Dosimetria

A oposição bolsonarista no Congresso decidiu renovar a investida em pautas anti-STF (Supremo Tribunal Federal) e na anistia de condenados por golpismo como resposta à decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender a Lei da Dosimetria, ainda que não haja grande expectativa de que as matérias avancem neste ano.

A ofensiva tem quatro frentes —a anistia geral a Jair Bolsonaro (PL) e demais condenados na trama golpista, inclusive os presos do 8 de Janeiro; o impeachment de Moraes; a pressão pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o Banco Master e a PEC (proposta de emenda à Constituição) que restringe decisões monocráticas da corte.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou, nesta segunda-feira (11), que vai protocolar uma nova PEC pela anistia em resposta à decisão de Moraes. Sem apoio do centrão e da cúpula do Congresso, tentativas anteriores de anistia total não avançaram, e bolsonaristas admitem que seguem em minoria na defesa dessa causa.

A estratégia da oposição, contudo é manter o debate ativo, em busca de um contexto político mais favorável no ano que vem, quando a direita espera ter maioria na Câmara e no Senado.

A avaliação, no momento, é que a decisão de Moraes de não aplicar a Lei da Dosimetria a condenados do 8 de Janeiro não poderia ficar sem uma resposta política. Bolsonaristas dizem acreditar, ainda, que a atitude controversa do ministro poderia até ampliar o apoio de outros grupos políticos mais ao centro a essa agenda anti-STF.

A cúpula do Congresso, porém, acredita que o plenário do STF deve validar a Lei da Dosimetria ao julgar sua constitucionalidade, o que iria contribuir para arrefecer o novo embate entre a oposição e a corte.

Parlamentares que tiveram contato com ministros do STF ao longo do fim de semana relatam que Moraes não deve demorar a enviar para deliberação do plenário as ações que questionam a lei, das quais ele também é relator —impetradas pela federação PSOL-Rede e pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

Eles afirmam ainda que a maior parte dos ministros do STF tem o entendimento de que a redução de penas é uma prerrogativa do Parlamento e que eles devem validar a lei até para evitar um novo conflito com o Congresso.

Desde sábado (9), o ministro tem dado decisões e suspendido a lei em ações dos condenados pelos ataques golpistas. No entanto, ele ainda não deu decisões nas ações que questionam a Lei da Dosimetria em si, método questionado por outros integrantes da corte.

Por meio das ações de controle de constitucionalidade, ele poderia ter concedido uma liminar para suspender temporariamente a lei de forma geral. Mas isso levaria, de acordo com o regimento do STF, necessariamente ao encaminhamento da decisão para referendo do plenário.

O projeto de lei da redução de penas, que ficou conhecido como Dosimetria, foi aprovado por ampla maioria em dezembro, acabou vetado por Lula (PT) e, novamente, a maior parte dos parlamentares se posicionou a favor da lei, derrubando o veto no último dia 30.

Em nota a respeito da nova PEC da anistia, Sóstenes afirmou que a resposta ao "novo abuso" de Moraes seria dada através do Parlamento e criticou penas desproporcionais e perseguições políticas.

"A suspensão da Lei da Dosimetria mostrou que não basta apenas corrigir excessos pontuais. [...] O Congresso Nacional não pode continuar assistindo passivamente à escalada de decisões monocráticas que ignoram a vontade popular, desrespeitam o Poder Legislativo e tentam impedir qualquer avanço em direção à pacificação nacional", disse.

"Foi uma decisão muito grave de Moraes, ele deixou de cumprir a lei. A gente não tem maioria na Câmara, mas foi mais um ataque à democracia e ao Congresso, e os partidos de centro estão vendo isso", afirmou ao jornal Folha de São Paulo o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB).

Na opinião do líder, a decisão de Moraes favorece a ofensiva bolsonarista. "O tema está muito tenso", completa.

Autor do requerimento de uma CPI mista do Master, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) disse à reportagem que "o embate vai se intensificar". "Moraes já mostrou que não quer pacificação. Muita gente está cética com a realização de uma CPI no ano eleitoral, mas tem vários parlamentares dispostos, até para colher evidências para um impeachment do ministro".

Em troca de pautar no Congresso a derrubada do veto à dosimetria, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enterrou a CPI mista do Master ao ignorar a leitura do requerimento da oposição na sessão do último dia 30.

Já a PEC que restringe as decisões monocráticas de ministros do STF foi lembrada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), no fim de semana. Ele divulgou uma nota criticando o fato de Moraes, "um único homem não eleito", ter invalidado uma norma aprovada pelo Congresso.

"Chama-se democracia representativa quando o povo governa por meio de seus eleitos. Chama-se outra coisa quando um juiz governa sozinho acima de todos. A decisão monocrática do ministro Moraes não suspendeu apenas uma lei. Suspendeu a vontade popular", disse em nota.

"Cabe à Câmara reagir com firmeza e aprovar, com urgência, a PEC contra decisões monocráticas que suspendam leis aprovadas pelo Congresso. E cabe ao povo eleger representantes corajosos para promover uma verdadeira e saneadora reforma do Judiciário em 2027", completou.

Leia também

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
politicalivre@politicalivre.com.br
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.