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Centrão repensa aliança com Flávio Bolsonaro após áudios que mostram proximidade com Vorcaro
Centrão repensa aliança com Flávio Bolsonaro após áudios que mostram proximidade com Vorcaro
Grupo reconhece desgaste para pré-candidato e quer aguardar pesquisas antes de decisão
Por Augusto Tenório/Folhapress
15/05/2026 às 13:50
Atualizado em 15/05/2026 às 18:40
Foto: Lula Marques/Agência Brasil/Arquivo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República
A ala do centrão que caminhava para uma aliança com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) agora prega cautela e quer postergar ao máximo a decisão sobre formar ou não uma coalizão em torno do oposicionista. O grupo ligou alertas após a divulgação de áudios do pré-candidato do PL pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
É consenso no centrão que a revelação prejudicará o filho de Jair Bolsonaro (PL). Há ceticismo, porém, sobre o tamanho do impacto na intenção de votos do pré-candidato.
Dessa forma, lideranças de partidos do centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, avaliam que é a hora de esperar —primeiro as pesquisas e, depois, se novas revelações virão à tona.
A federação União Brasil-PP estava em forte negociação com Flávio Bolsonaro e tendia a uma aliança formal, com liberação de filiados em estados onde a associação ao presidente Lula (PT) é mais conveniente. No Republicanos, diversos diretórios pressionavam por apoio ao filho de Bolsonaro, mas nessa sigla o senador encontra mais dificuldade de diálogo.
Neste momento, Flávio Bolsonaro enfrenta uma crise de confiança interna. Integrantes do PL dizem que em mais de uma ocasião o senador afirmou, internamente, que não teria esqueletos no armário sobre o caso Master. Dessa forma, aliados que fazem parte da campanha reclamam que foram pegos de surpresa, sem qualquer tipo de plano estabelecido.
Longe de condenar moralmente a relação de Flávio com o Master, o centrão —que também tem integrantes na mira da investigação da fraude— quer esperar para não ser ainda mais tragado para a crise ou morrer abraçado a um candidato que pode enfraquecer. Seus integrantes também preferem observar de longe o desenrolar da crise no PL.
Lideranças do centrão perceberam o clima de "barata voa" após a divulgação do áudio e acompanharam com atenção as repercussões. Há relatos de discussões e suspeitas de vazamentos internos. Ninguém quer ser convidado para a casa de uma família em conflito, brincou uma dessas lideranças sobre a situação.
Trata-se de uma mudança de postura num curto intervalo de tempo. No fim de abril, aliados de Flávio Bolsonaro e uma ala expressiva do centrão avaliavam que o senador havia se tornado o favorito para vencer a eleição. As pesquisas de intenção de voto e a rejeição histórica do Senado à indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) colaboraram para o clima.
Uma série de fatores, porém, mudou o panorama do petista nas últimas duas semanas. Lula emendou um encontro bem-sucedido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o anúncio de um pacote de bondades que enfrenta o endividamento do eleitorado, contém o preço da gasolina e derruba a "taxa das blusinhas". Além disso, viu um princípio de recuperação na última pesquisa Quaest.
Aliados do presidente Lula em partidos de centro afirmam ser cedo para celebrar, mesmo com o esperado desgaste de Flávio. Eles dizem que a eleição será apertada de qualquer maneira, partindo do pressuposto que o adversário conseguiu incorporar rapidamente o eleitorado do pai, cujo piso é alto.
O ÁUDIO
De acordo com informações reveladas pelo site The Intercept Brasil e confirmadas pela Folha de São Paulo com duas pessoas ligadas à investigação, Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção de "Dark Horse" (que significa "azarão"). Após a divulgação do áudio, Flávio disse a aliados que não haveria mais conteúdo para ser vazado sobre o assunto.
A Go Up Entertainment, produtora do filme, no entanto, afirma que não recebeu verbas de Vorcaro para o projeto. O deputado federal Mario Frias (PL), produtor executivo do filme, disse que Flávio "não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora".
À reportagem interlocutores de Flávio relatam desconfiança com a garantia do pré-candidato e apontam que será difícil desfazer a imagem de mentiroso perante o eleitorado. Internamente, consideram que a quebra de confiança também é irreversível. A mensagem que fica, segundo descreve um correligionário, é que, se ele escondeu isso, pode ter escondido muito mais.
