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Eduardo assinou contrato com diretor de filme de Bolsonaro, mas diz que planos mudaram
Eduardo assinou contrato com diretor de filme de Bolsonaro, mas diz que planos mudaram
Função daria poder para ex-deputado lidar diretamente com a gestão financeira do projeto, segundo Intercept Brasil
Por Folhapress
15/05/2026 às 17:15
Atualizado em 15/05/2026 às 18:51
Foto: O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP)
Nilson Bastian/Câmara dos Deputados/Arquivo
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e assinou um contrato com poderes sobre a gestão financeira do projeto, de acordo com o site The Intercept Brasil. Os documentos obtidos contradizem declarações públicas de Eduardo de que ele teria apenas cedido direitos de imagem, sem exercer nenhum cargo de gestão na produção.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo admitiu que assinou um contrato com a produtora do filme para contratar o diretor da obra e que recebeu a função de diretoria executiva, mas afirmou que os planos mudaram.
Segundo o Intercept, o contrato, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024, designa ele e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos, ao lado da produtora GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos. A função conferiria poder para lidar diretamente com o controle de orçamento e a gestão financeira de um projeto audiovisual.
Ainda de acordo com o site, os produtores-executivos teriam responsabilidade sobre decisões estratégicas de financiamento, preparação de documentação para investidores e identificação de fontes de recursos para o filme —que, na época, se chamava "O Capitão do Povo".
Também haveria uma minuta de aditivo contratual, datada de fevereiro de 2024, citando Eduardo como "financiador" da produção. O Intercept ressalva que não há confirmação de que o aditivo tenha sido, de fato, assinado.
No vídeo postado em suas redes, Eduardo Bolsonaro disse que o Intercept está fazendo um "vazamento seletivo" para "assassinar a reputação de Flávio Bolsonaro".
Segundo Eduardo, o contrato com o cargo foi assinado com a produtora para assegurar a execução do filme. O ex-deputado diz que enviou US$ 50 mil para os EUA como garantia para que o diretor Cyrus Nowrasteh continuasse no projeto. Por isso, teria recebido o título de produtor-executivo.
"A produtora, na época, disse basicamente o seguinte: Eduardo, bota esse dinheiro aqui. Como o risco é 100% seu, eu vou te garantir ser diretor-executivo do filme", disse ele.
Ainda segundo Eduardo, grandes investidores teriam entrado no projeto antes do fim do contrato, o que possibilitou que o ex-deputado não precisasse mais ter essa função. Ele diz que, com essa mudança, recebeu de volta os US$ 50 mil que havia enviado como garantia.
"Quando essa estrutura passou a ser de fundo de investimento, ter outra estrutura, eu saí dessa posição de diretor-executivo, e passei a ser somente uma pessoa que assinou sua cessão de direitos autorais", disse Eduardo.
"Quem diz que recebi dinheiro de Daniel Vorcaro ou do fundo criado nos Estados Unidos está mentindo. Eu recebi meu dinheiro de volta da produtora, o valor que era meu e que nem foi corrigido. Esse dinheiro foi o que permitiu confeccionar o filme", afirmou. Procurado diretamente pela reportagem, o ex-deputado não se manifestou.
Questionado sobre o assunto, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) também disse que a informação seria referente a um contrato antigo.
"Esse é um contrato antigo, formalizado com a produtora muito antes de haver toda essa estrutura lá nos Estados Unidos. Foi ali a plataforma legal para o Eduardo colocar dinheiro e segurar o roteirista, o Cyrus [Nowrasteh]", declarou em entrevista à CNN.
Na quarta-feira (13), o Intercept revelou que Flávio articulou com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, dos quais R$ 61 milhões já foram pagos. Um áudio de setembro de 2025 mostra o senador cobrando mais recursos ao banqueiro. Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens em troca.
O senador disse, ainda, que novas conversas ou relatos de encontros que teve com Vorcaro podem se tornar públicos, mas que o contato que manteve com o ex-banqueiro se restringiu ao filme.
"Pode vazar um videozinho mostrando o estúdio, que eu possa ter enviado para ele, ou algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo para tratar exclusivamente do filme. Não vai ter surpresinha. Não virão coisas novas", disse em entrevista à CNN Brasil.
Segundo Flávio, ao todo, o dono do Master –atualmente preso e investigado por fraudes bilionárias– investiu US$ 12 milhões (cerca de R$ 60 milhões, na atual cotação) no longa-metragem intitulado "Dark Horse" ("azarão", em inglês).
"O orçamento previsto era de US$ 24 milhões, mas não houve captação disso tudo. O que foi investido por ele [Vorcaro] nesse fundo privado, 100% comprovado, foi uma quantia um pouquinho superior a US$ 12 milhões e alguma coisa de dólares", disse.
Nesta sexta, o Intercept também publicou mensagens em que Eduardo orienta o empresário Thiago Miranda, intermediário entre Vorcaro e a família Bolsonaro, sobre como enviar recursos aos Estados Unidos. "O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo", teria dito Eduardo.
Em outra mensagem, sugere: "Enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual".
As mensagens indicam que parte dos valores negociados por Flávio com Vorcaro foi transferida ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas (EUA) e controlado por aliados de Eduardo —entre eles Paulo Calixto, advogado responsável pelo processo imigratório do ex-deputado nos Estados Unidos.
A Polícia Federal apura se o dinheiro de Vorcaro para o filme teria custeado despesas de Eduardo nos EUA, para onde ele se mudou em fevereiro de 2025 alegando perseguição do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Ao Intercept, Mario Frias informou que "Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo" do filme.
O orçamento total da produção, segundo documentos obtidos pelo site, está estimado entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões —valor que condiz montante que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro: US$ 24 milhões.
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Edivaldo
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15/05/2026
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15:54
