Quem pode ser delatado por Vorcaro?
Por Redação
06/05/2026 às 15:05
Atualizado em 06/05/2026 às 15:09
Foto: Divulgação/Banco Master
O banqueiro Daniel Vorcaro
A delação de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, deve atingir diversos núcleos — do político ao financeiro — devido às conexões do empresário com lideranças partidárias, parlamentares e operadores do mercado da Faria Lima envolvidos nas fraudes investigadas pela Polícia Federal (PF).
De acordo com o site O Brasilianista, um dos nomes citados por Vorcaro deve ser o de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), que também negocia delação premiada. A relação entre ambos teria garantido que o BRB cobrisse rombos do Master, que oferecia investimentos com a promessa de segurança via Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
O uso do BRB pode implicar o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que admite ter se encontrado com Vorcaro, mas nega irregularidades. A atual governadora Celina Leão também pode ser citada, embora negue envolvimento.
Ainda segundo O Brasilianista, o ex-presidente Michel Temer teria sido mencionado por apresentar Vorcaro a investidores estrangeiros.
A delação pode alcançar outros estados. No Amapá, reduto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o fundo Amapá Previdência investiu R$ 400 milhões no Master e está sob investigação. Já no Rio de Janeiro, o Rioprevidência aportou R$ 970 milhões durante a gestão de Deivis Marcon Antunes, indicado pelo ex-governador Cláudio Castro a pedido de Antônio Rueda, presidente do União Brasil.
De acordo com a publicação, essa rede de conexões políticas faz com que os nomes de Castro e Rueda sejam cotados para integrarem a delação de Vorcaro. Mas as menções ao União Brasil não devem se limitar ao presidente do partido. ACM Neto, vice-presidente da sigla, já admitiu ter relação com Vorcaro.
De acordo com o site, ACM Neto pode ser um, dentre diversos políticos baianos enrolados pela confissão de Vorcaro, tanto que, conforme a publicação, as lideranças políticas no Estado firmaram um pacto de não agressão quanto ao Caso Master para as eleições deste ano.
O armistício parcial foi combinado porque o dono do Master mantinha proximidade com diversos campos ideológicos, como o PT da Bahia, que tem como principais lideranças o senador Jaques Wagner e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa.
Wagner já afirmou que não manteve proximidade com Vorcaro e que o mais próximo que chegou do Master foi quando foi procurado por Augusto Lima, ex-CEO do Master, para discutir a implantação do Credcesta, cartão cedido a servidores estaduais e que garante acesso a crédito consignado e outros benefícios.
O texto destaca também que Augusto Lima, operador político de Vorcaro, expandiu sua influência após casamento com Flávia Peres, aliada de Ciro Nogueira, apontado como provável citado, assim como Paulinho da Força, ambos apoiadores do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), durante pressões relacionadas ao caso.
Toffoli aparece no contexto por operações ligadas ao Resort Tayayá, onde teria recebido figuras como André Esteves, citado por Vorcaro como responsável pela queda do Master. O banco de Esteves, junto com Itaú e Nubank, enfrenta processo por distribuição de títulos problemáticos associados ao rombo estimado em R$ 50 bilhões no FGC.
Outro ministro do STF citado é Alexandre de Moraes, devido a contratos de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Master. Moraes nega qualquer contato com Vorcaro.
O Brasilianista também aponta possível impacto sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta, cuja cunhada teria obtido empréstimo de R$ 22 milhões com Vorcaro, além de atuação legislativa que poderia favorecer o mercado de interesse do banco.
Por fim, a decisão do governador do Paraná, Ratinho Júnior, de não disputar a Presidência foi interpretada, nos bastidores, como tentativa de evitar associação ao caso, embora não haja provas de envolvimento.
Assim, segundo O Brasilianista, a delação de Vorcaro tem potencial para atingir uma ampla rede política e financeira em diferentes estados e esferas de poder.
Leia também: Defesa de Vorcaro entrega proposta de delação à PGR e à PF e começa negociação sobre benefícios
1 Comentário
Kleber Rodrigues
•
06/05/2026
•
17:45
De onde tudo começou, não se lê uma linha...
