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Tarifaço, Pix e narcotráfico: relembre pontos de atrito entre Lula e Trump

Tarifaço, Pix e narcotráfico: relembre pontos de atrito entre Lula e Trump

Por Isabella Menon/Folhapress

07/05/2026 às 06:42

Foto: Reprodução/Arquivo

Imagem de Tarifaço, Pix e narcotráfico: relembre pontos de atrito entre Lula e Trump

Donald Trump

Desde o primeiro dia de volta à Casa Branca, Donald Trump já dava sinais de que a relação com o Brasil não seria marcada por tranquilidade. Em 20 de janeiro de 2025, afirmou que o relacionamento entre os dois países seria positivo, ainda que com uma hierarquia clara: "Deve ser ótima, eles precisam de nós mais do que precisamos deles".

O ano foi marcado por críticas à condução do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pela imposição de tarifas comerciais e pela sanção ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ao longo desse período, o governo Lula trabalhou para reduzir tensões, e o primeiro sinal de distensão veio durante a Assembleia-Geral da ONU, quando Trump afirmou ter tido uma "química excelente" com o presidente brasileiro.

Desde então, a sanção contra Moraes foi retirada, e parte das tarifas acabou suspensa. Ainda assim, neste ano, embora Trump tenha deixado de fazer críticas diretas a Lula, novas crises ganharam destaque, como a negativa de visto ao diplomata Darren Beattie, a prisão —e posterior soltura em poucos dias— do ex-delegado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e a possibilidade de facções como o PCC e o Comando Vermelho serem designadas como organizações terroristas.

Agora, como mostrou a Folha, os presidentes se reúnem em Washington para tratar de temas ligados à segurança e à economia, considerados de interesse mútuo. Do lado brasileiro, há a expectativa de apresentar uma proposta de cooperação em segurança pública, incluindo o combate ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro.

Além disso, estarão na pauta as investigações da Seção 301 abertas pelo governo Trump contra o Brasil, que podem resultar em sanções e tarifas adicionais ao país.

Há, segundo fontes próximas à Casa Branca, a possibilidade de que a reunião ocorra sem a presença de integrantes do Departamento de Estado, tanto por questões de agenda, uma vez que o titular da pasta, Marco Rubio, estará no Vaticano, como para evitar conflitos. Isso porque uma ala mais ideológica do departamento teria atuado para evitar ou limitar o encontro.

Além disso, está prevista a presença do representante do comércio dos EUA, Jamieson Greer, a chefe do gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, o vice-presidente, JD Vance, o secretário do comércio, Howard Lutnick e o secretário do Tesouro, Scott Bessent.

"O timing dessa reunião é misterioso", afirma o brasilianista americano Brian Winter. Em meio a prioridades domésticas nos EUA, queda de popularidade de Trump e crises internacionais como a guerra no Irã, o encontro com Lula não pareceria, à primeira vista, uma prioridade. "Se fosse para resumir em duas palavras o motivo dessa reunião seria terras raras", diz.

Essas matérias-primas, essenciais para setores como defesa, tecnologia e transição energética, tornaram-se prioridade estratégica do governo americano após a China ameaçar, no ano passado, restringir suas exportações. Para Winter, o encontro, porém, segue cercado de incertezas.

O comportamento imprevisível de Trump abre espaço para diferentes cenários — de uma reunião cordial a um embate público, como já ocorreu com outros líderes internacionais, entre eles o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e o sul-africano Cyril Ramaphosa.

"Acredito que a intenção amanhã é positiva, com uma visão construtiva baseada na importância do Brasil nas terras raras, mas, se eu fosse o presidente Lula, entraria no Salão Oval esperando praticamente tudo", afirma.

Relembre o histórico da relação entre os presidentes

Tarifas

As tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil foram um dos principais pontos de atrito bilateral. Em julho, foram anunciadas tarifas de 50%. A Casa Branca citou "perseguição política, intimidação, assédio, censura e processos judiciais" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, classificando essas ações de "graves abusos de direitos humanos" e um enfraquecimento do Estado de Direito no Brasil. Brasília buscou negociação e diversificação de parceiros comerciais e, ao longo do processo de reaproximação dos presidentes, parte das tarifas acabou sendo suspensa.

Lei Magnitsky

O ministro Alexandre de Moraes (STF) foi alvo de sanções com base na lei Magnitsky. Na justificativa, o governo dos EUA afirmou que Moraes "utilizou sua posição para autorizar detenções arbitrárias antes do julgamento e suprimir a liberdade de expressão". A sanção foi retirada em dezembro.

Do Pix ao etanol

Também em julho, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) anunciou o início da investigação da Seção 301 que tinha o Brasil como alvo. A investigação colocou itens como Pix, pirataria, etanol e Rua 25 de Março como indicativos como uma possível prática desleal do país. A investigação ainda não foi concluída, e o processo costuma durar até um ano. A expectativa é de um cenário desfavorável para o Brasil —o processo pode resultar em novas tarifas para o país.

Química

Em setembro do ano passado, Lula e Trump tiveram um breve encontro na Assembleia-Geral da ONU. Os dois se abraçaram, e o americano definiu o momento como de "grande química" entre eles. Logo depois, os presidentes se falaram pelo telefone, e, em outubro, encontraram-se na Malásia. Desde o fim do ano passado, Trump não fez mais críticas públicas a Lula.

Conselho de Paz

Neste ano, Trump criou o chamado Conselho de Paz para a reconstrução da Faixa de Gaza, o que analistas viram como uma tentativa de escantear a ONU. Entre os países convidados, estava o Brasil, que não respondeu ao convite. Trump chegou a falar que previa um grande papel para o país no Conselho. O presidente Lula afirmou que o Brasil poderia aceitar o convite, mas que seria necessária a presença de um palestino na direção do conselho.

Encontro com líderes latinos

No início do ano, Trump reuniu líderes latinos na Flórida com objetivo declarado de discutir o combate ao crime organizado na região. Além do Brasil, Colômbia e México não foram convidados, mas o republicano pareceu não saber da falta de extensão de convite as nações. Questionado, ele afirmou: "Acho que eles foram [convidados], eu me dou bem com todos eles", disse o americano. A Folha apurou com representantes do Brasil e dos EUA que Lula não foi convidado.

Visto negado de Darren Beattie

Conselheiro de Trump, Darren Beattie teve o visto negado para entrada no Brasil e adicionou um novo ponto de atrito diplomático. A decisão foi anunciada por Lula, que afirmou que a decisão é uma resposta ao cancelamento do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Na agenda, Beattie tinha como objetivo visitar Jair Bolsonaro na prisão.

Terrorismo

Um dos pontos mais delicados da agenda bilateral envolve a possibilidade de os Estados Unidos designarem facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, de organizações terroristas.

A medida abriria caminho para cooperação mais agressiva em segurança, mas também geraria tensões jurídicas e diplomáticas com o governo brasileiro, que historicamente resiste à classificação formal dessas organizações como terroristas. Para isso, o Brasil vai apresentar uma proposta para cooperação em segurança pública, que inclui colaboração no combate ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

Alexandre Ramagem

A prisão e posterior soltura do ex-delegado e deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) entrou na pauta da relação entre Brasil e Estados Unidos por sua repercussão política e institucional. Após a soltura e uma pressão de aliados bolsonaristas, Washington anunciou a suspensão da credencial do delegado brasileiro que trabalhava baseado na Flórida em conjunto com o ICE por supostamente contornar pedidos formais de extradição para promover "perseguições políticas" no Brasil.

 

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