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Ypê cancela reembolso e afirma que Brasil não adota limite para bactéria em produto de limpeza
Ypê cancela reembolso e afirma que Brasil não adota limite para bactéria em produto de limpeza
Fabricante afirma que agência reguladora determina apenas adequação a processos e que está se adaptando
Por Daniele Madureira/Gabriela Cecchin/Folhapress
15/05/2026 às 19:45
Atualizado em 15/05/2026 às 19:36
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Detergente Ypê
A Química Amparo vai suspender o reembolso de R$ 2,99 que estava sendo pago aos consumidores que compraram detergente da marca Ypê de lote 1, fabricado na sede da empresa, em Amparo (SP). O pagamento estava sendo feito via Pix após preenchimento do formulário no site da companhia, sem a necessidade de o consumidor apresentar nota fiscal ou fotos do lote.
A medida foi tomada nesta sexta (15), após reunião com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que determinou que a produção e a venda de detergentes, sabão líquido e desinfetantes da marca Ypê continuem suspensas. A empresa também deve apresentar um plano de gerenciamento para lidar com cada um dos lotes de final 1 que já foram distribuídos. A Anvisa afirma que o reembolso ao consumidor não é da sua alçada; recomenda apenas que o público guarde os produtos e não os utilize.
Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o diretor jurídico da Química Amparo, Sergio Pompílio, afirmou que não existe divergência da companhia em relação às determinações da Anvisa. Mas sustenta que o Brasil não tem uma regulação para o nível microbiológico encontrado em produtos de limpeza.
"Não é como em cosméticos e produtos de higiene pessoal, em que a regra [RDC 907/2024] proíbe a presença dessa bactéria [Pseudomonas aeruginosa]. Não existe um limite de bactérias para produtos de limpeza no Brasil", afirmou Pompílio.
A Química Amparo foi alvo de duas denúncias por parte da rival Unilever —dona de produtos como Omo, Comfort, Cif e Brilhante— que apontaram a contaminação microbiológica do lava-roupas Tixan Ypê e de detergentes Ypê, com a bactéria Pseudomonas aeruginosa, conforme revelado pela Folha. A Anvisa atestou a contaminação nos produtos e a não conformidade em processos produtivos no complexo industrial na sede da empresa.
CONTAMINAÇÃO EM PRODUTOS DE LIMPEZA PODE LEVAR A SURTOS, DIZ ANVISA
Questionada pela reportagem, a Anvisa confirmou que não existe um limite específico, mas se as boas normas de produção são seguidas, a contaminação microbiológica é evitada. "As normas de boas práticas de fabricação (BPF), previstas, por exemplo, na RDC 47/2013, estabelecem o dever técnico da empresa de prevenir contaminação microbiológica", afirma a agência.
"Conforme o artigo 5º da norma, os produtos de limpeza devem ser fabricados para garantir a prevenção de contaminação, higiene industrial, validação de limpeza, qualidade da água, controle de matérias-primas e produto acabado".
A Anvisa não determinou ações de recolhimento dos produtos. A Ypê disse que pretende realizar testes nos lotes suspensos, fabricados entre 1º de janeiro e 31 de março deste ano, para comprovar que não há inconformidades e liberar novamente a autorização para venda e uso. Os produtos ficarão em quarentena.
Isso significa que tudo o que foi produzido ou já vendido —e que esteja nos depósitos dos varejistas ou na casa dos consumidores— deve ser armazenado em separado e só comercializado ou usado após aprovação de laudos técnicos de laboratórios contratados pela Química Amparo, reconhecidos pela Anvisa.
Mas o resultado desses laudos técnicos tem prazo de até 90 dias para ser apresentado. "São 120 milhões de unidades por mês vendidas apenas de detergente e lava-roupas líquido", diz Pompílio. "Tudo ficará em quarentena até que um laudo aprove o seu uso e a empresa informe o varejista e o consumidor". Com isso, afirma, a Química Amparo está tendo um custo médio de R$ 10 milhões por dia.
"Como é um prazo muito longo, estamos pensando em contratar laboratórios até fora do Brasil, tendo em vista a grande quantidade de produtos", diz. "Nossa prioridade é garantir a tranquilidade do mercado como um todo, da agência e principalmente dos nossos consumidores".
Com a suspensão da produção e venda das três categorias, a empresa afirma que o trabalho dos 3.000 funcionários destas linhas está direcionado à adequação do processo produtivo, de acordo com as determinações da Anvisa. A Química Amparo não entrou em detalhes, porém, sobre quais processos estão sendo revistos.
A Ypê disponibilizou um SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) para tirar dúvidas. Os telefones são 0800-002-6071 (atendimento 24h), 0800-278-0024 (de segunda a domingo, das 9h às 18h), ou 0800-130-0544 (de segunda a sexta, das 9h às 17h).
Leia também: Anvisa mantém proibição a Ypê e determina plano para a devolução gradual dos produtos vendidos
