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Com pai feito por IA no palco, Flávio promete ser radical na segurança pública
Com pai feito por IA no palco, Flávio promete ser radical na segurança pública
Por Bruno Ribeiro / Folhapress
21/06/2026 às 09:30
Foto: Gabriela Biló / Estadão
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a dar ênfase a promessas da área de segurança pública como forma de se contrapor ao presidente Lula (PT), durante evento em São Paulo, neste sábado (20), para o lançamento da pré-candidatura ao Senado do deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Alesp (Assembleia Legislativa).
"Não vamos nos acostumar mais a viver com medo. Nós lançamos o programa Brasil sem Medo, porque quem tem que ter medo é vagabundo. É por isso que eu vou abrir mais de 500 mil vagas no sistema penitenciário para prender traficantes, narcoterroristas do Comando Vermelho, do PCC, de milícia e também o ladrão de celular", disse Flávio, que lançou um programa para segurança na última quinta-feira (18).
"Vou ser radical na segurança pública sim", acrescentou.
Antes de ser ligado ao escândalo do Banco Master, Flávio evitava se apresentar como alguém radical e dizia que era um 'Bolsonaro moderado'.
Em seu discurso de 20 minutos, Flávio acusou o presidente de ser condescendente com criminosos e atribuiu ao governo a responsabilidade pelo escândalo da máfia do INSS.
"Vamos virar a página de um governo que vai lá fora fazer lobby a favor do Comando Vermelho e do PCC. Nós vamos ter um governo para tratá-los como terroristas", disse.
O senador citou o fato de um dos irmãos do presidente, José Ferreira da Silva, o Frei Chico, ser vice-presidente de uma das entidades sindicais em que ocorreram os desvios, e citou a ligação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
"O filho do Lula sumiu do Brasil, recebeu mesada do Careca do INSS. O dinheiro do aposentado brasileiro pode estar na conta dele lá na Europa", afirmou.
A Polícia Federal, que apura o escândalo do INSS, investigou supostos pagamentos do Careca a Lulinha, mas não encontrou provas de repasses ao filho de Lula.
Flávio estava com uma camiseta da seleção brasileira com o nome de Neymar, atacante ironizado por Lula na sexta-feira (19), que o chamou de "jogador home office". O senador deixou o evento sem falar com a imprensa.
A cerimônia em que Flávio discursou ocorreu em uma casa de eventos em Guarulhos, na região metropolitana, decorada com telões que exibiam a sigla do PL e o número do partido. A chapa bolsonarista em São Paulo -o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tentará a reeleição, além de André do Prado e Guilherme Derrite (PP), que devem disputar o Senado- apresentou-se ao público.
Em seu discurso, de cerca de 15 minutos, Tarcísio também fez críticas ao governo Lula, desta vez voltadas à área econômica. "A gente não está aproveitando as nossas vocações, nossos potenciais, a vocação da biotecnologia, a vocação da transição energética, da segurança alimentar, da economia do conhecimento. Estamos ficando para trás. Estamos empobrecendo em relação aos nossos pares e a gente pode mais."
Lideranças nacionais da sigla, como o deputado federal Sóstenes Cavalcanti, o senador Rogério Marinho e o presidente Valdemar Costa Neto, compareceram, além das bancadas estaduais e federais do PL. O Espaço Inter, local do evento, tem capacidade para 7.000 pessoas e estava praticamente lotado.
Telões nas entradas e nas laterais do salão exibiam figuras animadas por IA (inteligência artificial) do ex-presidente Jair Bolsonaro, para que os militantes pudessem tirar fotos com ele - que cumpre pena em regime domiciliar, em Brasília, por ter liderado a trama golpista do fim de seu mandato.
Bolsonaro foi citado no palco em meio aos discursos e um áudio gravado por ele na campanha de 2018 foi reproduzido.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), condenado a 4 anos e 2 meses de reclusão por tentar interferir no processo sobre a tentativa de golpe, apareceu em um vídeo para endossar a candidatura de André.
Até 2025, o acordo negociado por PL, Republicanos, PP, PSD e União Brasil era que Eduardo concorresse ao Senado. Com a mudança dele para os Estados Unidos e a consequente perda de seu mandato, o filho do ex-presidente fez um acordo com André do Prado e lhe cedeu a vaga.
Eduardo estava cotado para ser suplente de André, mas está inelegível. O partido sustenta que manterá a candidatura, apesar da inelegibilidade, e não indicou ainda um substituto.
"O André é gente nossa e vai defender a anistia no Senado", disse Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, que deve concorrer à Assembleia Legislativa pelo PL.
O ex-governador Rodrigo Garcia (Republicanos), derrotado por Tarcísio em 2022 e que depois se aproximou do governador, discursou a favor de André e Flávio e criticou o governo Lula: "Nosso país não pode mais continuar nas mãos do PT."
Uma das músicas de campanha exibidas no evento trouxe o "olê, olê, olá" de Lula, mas, no lugar do nome do presidente, dizia o nome do senador.
