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O grande golpe em Wagner, o risco de Rui entrar no bolo, o efeito sobre o 2 de Julho de Lula, um fantasmão na Faria Lima e a juíza corajosa sob o bate-cabeça entre ministros
O grande golpe em Wagner, o risco de Rui entrar no bolo, o efeito sobre o 2 de Julho de Lula, um fantasmão na Faria Lima e a juíza corajosa sob o bate-cabeça entre ministros
Por Política Livre
24/06/2026 às 13:21
Atualizado em 24/06/2026 às 17:53
Foto: Arte Política Livre
Sem fôlego
Considerado o maior golpe já sofrido por Jaques Wagner (PT), liderança que iniciou a dinastia do petismo na Bahia há 20 anos, as revelações sobre suas ligações perigosas com o empresário Guga Lima, sócio baiano de Daniel Vorcaro no Master, abalaram a moral do partido, dos governos federal e estadual e das demais lideranças na Bahia da sigla, aonde se teme a extensão das apurações da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema de fraudes, propinas e corrupção do banqueiro.
Risco
Por enquanto, o temor maior é de que, além de Wagner, as investigações alcancem o ex-ministro Rui Costa, parceiro do senador nas tratativas e medidas que levaram o Master, por meio da relação com Guga, a adquirir musculatura e tração nacionais, através de produtos como o Credcesta e do sistema de crédito consignado em contas de servidores dos órgãos estaduais baianos que foram reproduzidos com sucesso - para o banco - em outros Estados e, inclusive, no governo federal.

Estrago maior
A avaliação é a de que se as apurações chegarem a Rui, depois do estrago que fizeram em Wagner, os petistas verão seu principal ativo eleitoral no Estado ser atingido, com consequências imprevisíveis sobre a candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), único quadro importante do petismo na Bahia que, se acredita, passará incólume em meio às denúncias contra Guga e Vorcaro. Mas não apenas sobre ele. O entorno do presidente Lula também se preocupa com o andamento da Compliance.
Bola da vez
Em Brasília, circulam abertamente informações de que Rui é a próxima bola da vez das investigações, motivo porque a tropa de choque do presidente da República se prepara para vários cenários dramáticos nos próximos dias. Por enquanto, o fator maior de preocupação, no entanto, é Wagner, que resiste a deixar a liderança do governo, desconsiderando que a posição é um dos motivos para o grau de exposição de que tem sido vítima e vitimado todos no seu entorno, inclusive Lula.
Jaques Wagner Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Vem ou não vem?
Não é por outro motivo que, na equipe direta do presidente, há quem defenda ostensivamente que Lula não venha mais para o 2 de Julho ou então que se dê um jeito de Wagner não dar as caras na festa no caso de o presidente decidir comparecer - como foi revelado por este Política Livre -, modelo que deve ser usado para outras virtuais programações do petista na Bahia, dada a aura radiativa adquirida pelo senador, com a qual se estima que terá que lidar até depois das eleições.
'Malandrão carioca'
Nas rodas petistas-raiz que sempre torceram o nariz para ele, Wagner é conhecido pelo apelido de "malandrão carioca" desde que comprou, logo após ter deixado o comando do governo baiano, seu primeiro apartamento na Vitória, para cuja aquisição arrumou uma desculpa para lá de fajuta na época que incluía até o improvável empréstimo de um irmão. Neste grupo, as últimas revelações da Polícia Federal acabaram liquidando de vez o respeito pelo líder petista.
'Sementinha do mal'
Não é apenas sobre Rui que Brasília se debruça na expectativa de que será o próximo alvo da Compliance Zero. João Roma (PL), candidato a senador na chapa do postulante ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil), é outro nome mencionado com frequência quando se fala sobre o andamento das apurações. Foi ele que levou a 'sementinha' do Credcesta para o governo Jair Bolsonaro (PL), abrindo o caminho para o esquema que atingiu o INSS e turbinando os canais do senador Flávio (PL) com Vorcaro.
João Roma
Bate-cabeça
O CNJ precisa urgentemente se entender com o STF. Enquanto o corregedor Mauro Campbell age apertando o cerco contra Tribunais estaduais que insistem em fazer transferências para o BRB, instituição sob fortes especulações de que pode ruir a qualquer momento, o ministro Luiz Fux, do Supremo, acaba de derrubar liminar dada por uma corajosa juíza baiana que, de forma sensata, retirava a exclusividade do banco de Brasília para gerir depósitos judiciais do TJ baiano.
Fantasmão
Um petista de São Paulo muito amigo da Radar do Poder, acusado de ser o responsável pelo jocoso apelido de "República da Bahia", como os representantes baianos próximos a Lula passaram ser chamados desde a eclosão do escândalo com Wagner, diz que o grupo não cansa de criar problemas para o governo em Brasília. A última, segundo ele, teriam sido as declarações de José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo lulista, ao jornal O Globo, que deixaram o mercado assustado.

All alone
Na avaliação de aliados, a operação contra Wagner acabou fazendo ACM Neto nadar de braçada na agenda do São João. Sob o constrangimento do noticiário nacional que passou a associar lideranças petistas ao caso Master, Wagner e Rui, preferiram adotar a discrição durante o período junino. Sem a tradicional disputa por espaço nas festas do interior, ACM Neto circulou livremente pelos municípios em um dos momentos mais importantes do calendário eleitoral.
Pitaco
* Setores do governo não escondem a irritação com o prefeito de Senhor do Bonfim, Laércio Júnior, do União Brasil. Depois de uma sequência de acenos a Jerônimo, pregando a chamada “política com P maiúsculo”, Laércio declarou apoio à pré-candidatura de ACM Neto.
* Outro espertão, Laércio só teria aguardado o governo oficializar a estadualização do Hospital Dom Antônio Monteiro, em Senhor do Bonfim, para cair fora da banda governista.
* José Estevão voltou a ser pré-candidato ao governo da Bahia, Anunciado em meados de abril pelo Democracia Cristã, ele viu sua indicação ser retirada menos de dois meses depois pela então comissão executiva, mas agora, após uma reviravolta interna, conseguiu reaver nacionalmente o controle da legenda.
* ACM Neto reunirá vereadores de diversas regiões da Bahia em um encontro marcado para o Hotel Fiesta, em Salvador, na véspera do 2 de Julho. O movimento reforça a estratégia de ter palanque nos pequenos e médios municípios para evitar o que se viu em 2022, quando Jerônimo ganhou de goleada em centenas de cidades pequenas.
* A data do encontro não deixa de ser estratégica, já que mobilizará um efetivo importante para acompanhar Neto na festa do 2 de julho.
* Com a sucessão municipal de 2028 ali, a vice-prefeita Ana Paula mudou de postura. Já começa a falar abertamente do desejo de ser prefeita e coloca a sua definição no âmbito do desejo do povo. Ela também se tornou figurinha carimbada nas inaugurações da Prefeitura de Salvador, inclusive sem a presença do atual prefeito.
* Por enquanto, Ana Paula tem um concorrente: o deputado federal Leo Prates. O parlamentar, inclusive, aproveitou a janela partidária para se filiar ao Republicanos em uma manobra para se posicionar melhor para 2028. Para ele, o grupo de Neto e Bruno deve muito ao partido da Igreja Universal e deve entregar à sigla a cabeça de chapa. À conferir.
* O excesso de manifestações de carinho nas redes sociais da deputada Roberta Roma (PL) em relação a ACM Neto neste São João levaram aliados de ambos a atribuir a exagero no licor.
* No mês do Orgulho LGBT, foi elogiada a iniciativa do presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, José Rotondano, de fazer a iluminação com as cores do arco-íris na fachado do Poder, tradicionalmente muito conservador.

