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Após ataques com Pix, Raquel Lyra aciona Justiça contra rede de perfis-robô

Após ataques com Pix, Raquel Lyra aciona Justiça contra rede de perfis-robô

Governadora publicou vídeo em que afirma ter sido vítima de ação coordenada com pedidos de doações e depósitos; ação cita relatório técnico que identificou 535 perfis suspeitos

Por Guilherme Matos/Estadão

10/08/2026 às 22:00

Foto: Divulgação/Governo de Pernambuco/Arquivo

Imagem de Após ataques com Pix, Raquel Lyra aciona Justiça contra rede de perfis-robô

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD)

A coligação da governadora Raquel Lyra (PSD) afirma que vai protocolar nesta segunda-feira, 10, uma ação cautelar no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) contra uma rede de perfis suspeitos de serem robôs.

A ação pede a preservação de dados que permitam identificar quem está por trás da rede, apontada como responsável por ataques à mandatária e pela promoção da candidatura do adversário João Campos (PSB), ex-prefeito de Recife.

O texto, porém, faz questão de frisar que não atribui a nenhuma pessoa, partido ou campanha a autoria, contratação ou financiamento da rede. O objetivo, diz a ação, é apenas preservar as provas técnicas que poderão, no futuro, esclarecer quem criou, administrou e eventualmente financiou a estrutura de perfis.

O alvo na cautelar são “operadores e financiadores ainda não identificados”.

Procurada, a assessoria de João Campos respondeu por meio de nota. Segundo o texto, a Frente Popular de Pernambuco (coligação de oposição que reúne doze partidos, incluindo, o PSB do candidato ao governo) já havia apresentado uma representação sobre a suposta existência de um “gabinete do ódio”, com participação de ocupantes de cargos comissionados ligados ao governo estadual.

“Não se trata, portanto, de uma denúncia surgida agora, nem de uma acusação construída em função do atual cenário eleitoral. Os primeiros relatos públicos sobre essa prática remontam a agosto de 2024, muito antes do período de campanha. Diante dessa cronologia, tentar apresentar a candidatura da governadora como vítima de uma ofensiva política significa desconsiderar fatos anteriores e inverter a sequência dos acontecimentos”, afirma a nota.

A assessoria lembra ainda que João Campos não foi o único alvo apontado por essas denúncias. Segundo a nota, o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco e uma deputada estadual também teriam denunciado ataques atribuídos à mesma rede, em momentos distintos.

“Esse conjunto de episódios reforça a necessidade de que os fatos sejam devidamente investigados e esclarecidos pelas autoridades competentes, sem tentativas de reescrever a cronologia ou desviar o foco das questões que deram origem às denúncias”, finaliza a nota.

O relatório técnico anexado à ação do grupo de Raquel Lyra mapeou 535 perfis falsos entre 28 de maio e 12 de julho, dos quais 525 foram classificados como não orgânicos. De acordo com o documento, 481 desses perfis já foram suspensos, removidos ou apagados da plataforma restando apenas 44 ativos. A totalidade da base recebeu classificação de atuação “pró-adversário”: 435 perfis miravam diretamente a governadora como alvo de ataques, e 275 promoviam a candidatura de João Campos.

A perícia destacou na ação, um erro de tradução como evidência da automatização das postagens. Sete perfis, sem vínculo, cometeram o mesmo erro em publicações de ataque à governadora: usaram a palavra inglesa “the” no lugar do artigo (o/a). Um exemplo citado é a frase “João é the governador do povo, Raquel é the governadora do CNPJ”.

Para os peritos, repetir o mesmo deslize em contas distintas é indício de uma fonte textual comum. Pode ter havido um modelo padronizado de mensagem ou até uma ferramenta de tradução ou geração automatizada de texto, diz a ação.

O episódio mais recente citado na ação ocorreu entre os dias 6 e 9 de agosto. Um vídeo com indícios de manipulação de imagem e voz atribuiu à governadora um suposto pedido de transferências via Pix. A partir daí, começou uma onda de comentários nas redes pedindo “vaquinha”, “rifa” e envio de valores a Lyra.

Segundo a petição, dos 42 perfis que fizeram esse tipo de pedido, 41 já constavam do banco de contas suspeitas levantado pelo relatório. Ou seja: não eram vozes novas. Era o mesmo conjunto de contas, reaproveitado para uma nova pauta.

O caso teve desdobramento fora das redes. Segundo a governadora, ela passou a receber depósitos via Pix de pessoas desconhecidas. Um dos valores citados na petição é de R$ 0,40, acompanhado da mensagem “40” — o número do candidato adversário.

Raquel Lyra tratou do episódio em vídeo publicado nas redes sociais neste domingo, 9. Segundo a governadora, se trata de uma ação coordenada de adversários. Lyra registrou boletim de ocorrência sobre o caso e negou estar pedindo dinheiro.

A ação está ligada a uma cautelar anterior, movida em agosto pelo diretório estadual do PSD. Nela, o TRE-PE já havia determinado, em 5 de agosto, a preservação de registros de uma rede de perfis digitais que atacam a governadora.

Segundo a nova petição, essa cautelar anterior tratava de uma camada diferente da rede: perfis já identificados e nominados, ligados a operadores conhecidos, alvo de dezenas de representações eleitorais. Já a ação protocolada nesta segunda-feira mira uma camada distinta — os 535 perfis anônimos, tratados no relatório como uma massa artificial responsável por amplificar o conteúdo e simular apoio popular.

A ação pede à Justiça Eleitoral que determine, em caráter de urgência e sem prévia oitiva da outra parte, que a Meta preserve todos os dados técnicos ligados aos perfis listados na ação. Entre os itens estão data de criação das contas, histórico de alterações de nome de usuário, e-mails e telefones cadastrados, registros de acesso, endereço de IP, e dados sobre eventual impulsionamento pago.

A petição também pede que o processo tramite sob sigilo. O argumento é que a publicidade da lista de perfis permitiria aos operadores da rede apagar as contas e reconstruir a estrutura antes da coleta de provas.

A coligação “Pernambuco de Coração”, que moveu a ação, é formada pelo PSD, Federação União Progressista, Podemos, Avante e Federação PSDB Cidadania.

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