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Flávio Bolsonaro evita dizer como votará sobre 6x1 e diz que trabalhador deve ter liberdade
Flávio Bolsonaro evita dizer como votará sobre 6x1 e diz que trabalhador deve ter liberdade
Senador deu entrevista exibida neste domingo (30) em programa da Record
Por Renata Galf/Folhapress
30/08/2026 às 22:45
Foto: Charles Vieira/Divulgação
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência
O senador Flávio Bolsonaro (PL), que é candidato à Presidência, evitou dizer como deve votar em relação ao fim da escala 6x1 no Senado, mas reforçou que defende proposta alternativa à apoiada pelo governo Lula (PT). Segundo ele, o trabalhador deve ter liberdade para escolher a própria jornada.
As declarações foram dadas em entrevista para o programa Domingo Espetacular, da Record, divulgada neste domingo (30).
Ao ser questionado sobre como votaria, caso a apreciação da proposta fosse agora em setembro, ele não cravou qual seria seu posicionamento. Reforçou, porém, que defende um desenho alternativo.
"O que a gente está defendendo? É a liberdade. Você vai ter todos os seus direitos trabalhistas garantidos como estão na Constituição Federal. Mas vai trabalhar quantas horas você quiser, você vai montar a sua escala de trabalho", disse Flávio. "Essa é a alternativa que nós vamos oferecer, que é a liberdade para o trabalhador escolher a sua jornada de trabalho".
Flávio citou casos recentes, como os pedidos de recuperação judicial das Casas Bahia do Habib's, como argumentos contra a proposta do governo. Ele afirma que tais casos mostrariam que o Brasil tem hoje um "ambiente muito hostil para criação de empregos".
A proposta do fim da escala 6x1 sem redução de salário é uma das principais bandeiras da campanha à reeleição de Lula. Aprovada na Câmara no primeiro semestre, ela estava travada no Senado, mas teve avanço nos últimos dias e há expectativa de que seja analisada nesta semana.
O avanço da pauta foi selado na última quarta-feira (26), após reunião do presidente da República com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Na última quinta (27), o senador Omar Aziz (PSD-AM) divulgou o relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), atendendo ao governo Lula e mantendo o texto aprovado pela Câmara em maio. Isso porque uma alteração na PEC pelo Senado obrigaria o texto a voltar para a Câmara, o que dificultaria a promulgação antes da eleição.
A oposição, por sua vez, protocolou 14 emendas para alterar a PEC aprovada pela Câmara. Uma delas propôs manter a jornada de 44 horas semanais na Constituição e deixar uma eventual redução a critério de negociação coletiva ou contrato por hora. Essa ideia segue o modelo defendido por Flávio. A bancada bolsonarista também apresentou uma PEC que estabelece um novo regime de trabalho, com pagamento por hora trabalhada.
Questionado novamente neste domingo quanto a se apresentaria o contrato, novo documentos ou números auditados referentes ao dinheiro dado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio se esquivou e repetiu as mesmas respostas que vem dando em outras entrevistas. O senador tem dito que não haveria nada errado em buscar patrocínio privado para um filme privado.
Apesar de ter prometido prestar contas sobre o financiamento do filme "Dark Horse", Flávio tem resumido essa prestação à perícia privada feita pela própria produtora do longa, mas que não detalhou uma série de itens.
Durante a entrevista, ao ser questionado quanto a se indultaria seu pai, que hoje está em prisão domiciliar, Flávio criticou a corte no contexto do julgamento do 8 de Janeiro, dizendo que o processo foi uma "grande farsa" e que houve uma perseguição. Nesse contexto, afirmou que se eleito, trabalhará para que a anistia aos envolvidos no 8/1 seja aprovada ainda neste ano e que, caso não dê tempo, concederá indulto aos condenados.
No último ano, Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele foi apontado como líder de uma trama golpista colocada em marcha ainda durante seu governo, o que incluiu pressão sobre comandantes militares para a adoção de medidas de exceção que evitassem a posse de Lula e o mantivessem no poder.
Questionado se Jair Bolsonaro seria um ministro, caso ele quisesse participar do governo, Flávio respondeu que dependeria da decisão do próprio pai, mas que nunca conversou com ele a respeito. "Vai depender da vontade dele", disse o senador, que afirmou ter no pai um conselheiro.
Durante a entrevista, Flávio falou ainda sobre o STF, acrescentando que o próximo presidente deve poder indicar ao menos quatro ministros à corte, contando a vaga decorrente da aposentadoria de Luís Roberto Barroso e que ainda não foi preenchida, depois de o governo Lula ver o nome de Jorge Messias ser rejeitado no Senado.
Flávio evitou adiantar nomes que indicaria, caso eleito, mas afirmou que seriam patriotas, e também contra o aborto e contra as drogas.
"Eu vou indicar homens e mulheres que sejam comprometidos em serem contra o aborto, em serem contra as drogas e que não usem a caneta para fazer injustiça com ninguém", disse. "O perfil vai ser esse: homens e mulheres que sejam de verdade patriotas e que pensem em trazer segurança jurídica de volta e resgatar a credibilidade do Supremo."
Ao longo de todo seu governo, o ex-presidente Jair Bolsonaro manteve uma postura de ataques ao STF, que deu uma série de decisões contrárias aos interesses do então mandatário. Fora do poder, o bolsonarismo mira neste ano as eleições do Senado, tendo como bandeira o impeachment de ministros da corte.
