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Lula exalta Janja e fim da 6x1 em ato de mulheres em MG com protesto de petistas

Lula exalta Janja e fim da 6x1 em ato de mulheres em MG com protesto de petistas

Militantes do partido que se queixam de recursos na campanha ergueram faixa dizendo não aceitar serem laranjas

Por Gabriel Araújo/Folhapress

29/08/2026 às 16:50

Atualizado em 29/08/2026 às 18:12

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Imagem de Lula exalta Janja e fim da 6x1 em ato de mulheres em MG com protesto de petistas

Lula (PT) com a primeira-dama Janja em encontro voltado ao eleitorado feminino na Serraria Souza Pinto (BH)

O presidente Lula (PT) participou neste sábado (29) de encontro voltado ao eleitorado feminino na Serraria Souza Pinto, região central de Belo Horizonte, onde ressaltou a importância da participação das mulheres na política e disse pretender aprovar, já na próxima semana, o fim da escala de trabalho 6x1.

O evento teve exaltações de Lula à primeira-dama Janja e protesto de militantes que ergueram faixa com recados críticos ao partido, devido à disputa por recursos de campanha, com a mensagem de que mulheres do PT-MG não aceitam serem tratadas como laranjas.

Lula dividiu palanque com diversas aliadas, entre elas a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, candidata do PT ao Senado que criticou a sigla antes da campanha devido à opção do comando partidário de lançar candidatura própria ao Governo de Minas Gerais.

"Nós vamos aprovar nessa semana o fim da escala 6x1 para que as mulheres e os homens tenham mais tempo de cuidar da sua vida própria, das crianças, e mais tempo pra namorar também, porque ninguém pode ficar correndo, tendo pressa", discursou o presidente.

Em sua fala, em grande parte voltada a ressaltar políticas públicas direcionadas às mulheres promovidas em seu terceiro mandato, Lula elogiou a mãe, a quem chamou de "heroína", e destacou a participação de Janja em ações relacionadas ao segmento, dizendo que a primeira-dama o fortalece política e ideologicamente. "Enquanto eu tiver uma causa, eu estarei com 30 anos de idade, e isso eu devo a vocês, a cada mulher desse país", afirmou.

Presente ao evento com Lula, Marília Campos recusou em junho o convite para lançar seu nome ao pleito estadual e criticou a decisão do PT de recusar apoio a candidatos de outros partidos na disputa ao governo mineiro, afirmando que a escolha era um "equívoco estratégico" e poderia "reproduzir uma disputa fortemente polarizada".

Antes da chegada do presidente, militantes ergueram faixa com críticas ao PT. Num manifesto entregue à imprensa assinado por 13 deputados federais e estaduais da sigla, elas afirmam: "destinar recursos ínfimos e irrisórios configura a mais grave instrumentalização da mulher na política".

Candidatas ao Senado apoiadas pelo PT em diversas regiões do país também estavam presentes, como Manuela d'Ávila (PSOL-RS) e Soraya Thronicke (PSB-MS), além de ministras e secretárias do atual governo, como Márcia Lopes, do Ministério das Mulheres, Miriam Belchior, da Casa Civil, e Margareth Menezes, da Cultura. Três mulheres que acessaram políticas públicas promovidas pela atual gestão também foram convidadas a discursar.

Antes das falas, foi exibido um vídeo narrado por Janja no qual ela diz também ser "mais uma Silva", numa referência ao jingle de campanha do próprio presidente. A peça diz que as mulheres são guardiãs da democracia e pede "mulheres vivas com Lula presidente".

O candidato a governador Patrus Ananias (PT), único homem a discursar no evento, além de Lula, também exaltou as mulheres presentes e acusou omissão das últimas gestões estaduais no enfrentamento à violência de gênero. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, Minas Gerais é o segundo estado com mais feminicídios no Brasil, atrás apenas de São Paulo.

Neste sábado, Lula destacou a particularidade do ato, afirmando nunca ter participado de um palanque onde apenas dois homens falaram. O presidente fez ainda um apelo para que as mulheres, que são maioria entre beneficiários de diversos programas sociais citados, votem para diminuir a desigualdade feminina no Legislativo.

"A democracia é o exercício do voto", disse o presidente, candidato a reeleição. "E veja a contradição: vocês são a maioria. Por que vocês têm que ser representadas por homens?", questionou. "Estou fazendo um chamamento a vocês. Deus já fez vocês maioria, exerçam esse direito de vocês".

Lula disse ainda que os três Poderes atuam de forma articuladas em ações de proteção às mulheres. A declaração vem na esteira do acordo definido, nesta quarta-feira (26), entre o Palácio do Planalto e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que acertou o avanço de pautas caras à gestão petista, como a própria PEC do fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança.

A frequência de agendas voltadas ao público feminino durante a gestão do presidente foi intensificada a partir do segundo semestre do ano passado —segundo auxiliares do Planalto, sob forte influência da primeira-dama.

Apesar de ter promovido políticas voltadas ao segmento, como a lei de igualdade salarial, a Política Nacional de Cuidados e o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, entre outras frentes, pesam contra o petista declarações consideradas machistas e a baixa presença feminina na chefia de ministérios de seu último mandato.

"Estamos com 38% [de participação de mulheres em cargos de gestão no governo], e é pouco. Precisamos chegar a 50% ou mais", disse Lula neste sábado.

Durante a gestão, contrariando as expectativas pela indicação de uma ministra negra ao STF (Supremo Tribunal Federal), grande parte delas vindas do próprio campo da esquerda, Lula nomeou três homens ao cargo: Cristiano Zanin, empossado em 2023, Flávio Dino, em 2024, e Jorge Messias, que teve a indicação rejeitada pelo Senado.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, Lula lidera entre as mulheres —o petista marca 51% das intenções de voto, ante 38% de Flávio Bolsonaro. O resultado reflete os percentuais da rodada de julho, onde os candidatos marcaram 50% e 40%, respectivamente, dentro da margem de erro de três pontos.

No levantamento de abril deste ano, Lula e Flávio chegaram a marcar um empate técnico no segmento.

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