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Paraíso fiscal cancela registro de holding de Vorcaro após pedido de empresa de critpo, que cobra dívida
Paraíso fiscal cancela registro de holding de Vorcaro após pedido de empresa de critpo, que cobra dívida
Ação para a liquidação da Titan Capital tramita nas Ilhas Cayman desde abril
Por Pedro S. Teixeira/Diego Felix/Folhapress
10/08/2026 às 20:10
Atualizado em 10/08/2026 às 20:21
Foto: Divulgação/PF/Arquivo
O banqueiro Daniel Vorcaro
As Ilhas Cayman determinam o cancelamento do registro da Titan Capital, empresa fundada por Daniel Vorcaro no paraíso fiscal para controlar ativos no Brasil e no exterior —a Titan era acionista do Banco Master e teve participações, por exemplo, na agência de turismo BeFly e no conglomerado de moda Veste, vendido ao BTG. A ordem é do último dia 31.
Investigações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e da Polícia Federal citadas pelo liquidante do Master apontam que a Titan esteve no centro de um suposto esquema de esvaziamento patrimonial, tendo recebido mais de R$ 700 milhões da instituição financeira entre janeiro e julho de 2025, antes da liquidação do banco pelo Banco Central, em novembro.
Segundo os documentos do liquidante, Vorcaro detém 20 mil ações classe B ordinárias na companhia, e existem indícios de tentativa de venda dessas participações, em junho de 2025, a uma empresa das Bahamas por US$ 100 milhões.
A decisão é um dos efeitos do pedido de liquidação da Titan, feito em 28 de abril pela Tether, uma das maiores empresas de criptomoedas no mundo. A Tether cobra uma dívida de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão em valores históricos do contrato) decorrente de um empréstimo concedido por seu braço de investimentos em março de 2025.
O caso foi julgado pela juíza-chefe das Ilhas Cayman Margaret Ramsay-Hale no último dia 29 e, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, culminou na liquidação judicial da empresa, cujo único acionista era Daniel Vorcaro.
Com a abertura do processo de falência internacional, os antigos administradores da holding foram destituídos, e o controle foi transferido para liquidantes da Grant Thornton Specialist Services.
Procurada via email neste domingo (9), a defesa de Vorcaro não se manifestou.
A Tether, que também busca a liquidação da dívida no Brasil desde abril, citava o ex-diretor de Compliance do Master Luiz Antonio Bull como responsável pela companhia.
Procurada, a defesa do executivo disse que ele "renunciou a todo e qualquer cargo, função ou posição que eventualmente ocupasse na Titan Capital e demais empresas de seu grupo". A mesma informação foi anexada aos autos do Tribunal de Justiça de São Paulo
A Justiça paulista procura, sem sucesso, um responsável pela Titan no país a fim de executar a dívida desde o dia 2 de junho. O oficial de Justiça visitou duas vezes um endereço informado na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo. Na primeira ocasião, ouviu que a atendente "desconhecia a empresa". Depois, foi informado de que o responsável "encontrava-se viajando".
Como garantia do empréstimo, foram dadas cessões de recebíveis de empréstimos consignados do Credcesta que eram depositados em conta segura do próprio Master.
A Tether afirma que, ao longo do ano, o Master teve suas notas de crédito rebaixadas por agências de risco e, em outubro, mais de R$ 67 milhões teriam entrado na conta segura e sido retirados em seguida —o que evidenciaria má-fé do banco.
Um tribunal de arbitragem em Londres condenou a Titan a pagar US$ 312,5 milhões em dezembro, valor que hoje ultrapassa US$ 326,2 milhões com as custas do caso.
Paralelamente, no final de julho, o juiz Jalil Asif emitiu uma ordem de reconhecimento que concede à EFB Regimes Especiais, liquidante do Master, o papel de representante estrangeira exclusiva da massa falida do Banco Master em Cayman.
Os advogados do liquidante listaram ativos e disputas relevantes nas Ilhas Cayman. Um deles diz respeito ao envio de US$ 121,8 milhões, em maio de 2025, para o Global Navigator Fund, fundo constituído naquele país, gerido pela Arbra Partners.
A própria gestora alega ter um crédito de US$ 32 milhões contra a Titan como direitos de compensação —provavelmente decorrentes de taxas, resgates pendentes ou outras obrigações contratuais. O liquidante afirma não reconhecer essa dívida.
Segundo a petição, o mesmo fundo teria sido supostamente usado por Vorcaro e pelo Master como garantia de operações com o BRB (Banco de Brasília). Os advogados ainda trabalham com a hipótese de Vorcaro ter realizado a transferência de titularidade do fundo ao BRB quando o banco estatal tentava comprar o Master no ano passado.
A Tether desponta como uma das primeiras na fila de credores da holding por possuir garantias vinculadas a operações do Credcesta, gestor de cartão consignado que permanece ativo. Entre os credores da Titan estão o próprio Banco Master e a gestora de crédito Fictor, que anunciou a compra do Master no fim do ano passado, um dia antes da liquidação da instituição financeira.
A EFB pede a execução de US$ 32,3 milhões (R$ 166 milhões). Os valores estão ligados ao vencimento de seis contratos de câmbio.
Leia também: Vorcaro reforça defesa em busca de 3ª tentativa de delação, mas provoca atritos com advogados
