Transporte interestadual perde 17% das rotas e acirra disputa no setor
Associação diz que barreiras à entrada reduzem oferta e concorrência
Por Alex Sabino/Luana Franzão/Folhapress
10/08/2026 às 21:40
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo
Cerca de 80% das rotas ainda são operadas por uma ou duas empresas
As linhas do segmento de transporte Trip (Transporte Rodoviário Regular Interestadual de Passageiros) reduziram 17% desde o período pré-pandemia da Covid-19, há oito anos, segundo dados da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) cruzados com estatísticas do mercado.
Os números analisados pela Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia) apontam uma queda de 2.436 rotas em 2019 para 2.018 em 2026.
A associação atribui a queda na oferta à concentração das rotas nas mãos de alguns grupos empresariais. A entidade ainda afirma que as empresas incumbentes dificultam a entrada de novos players no mercado, o que contribuiria para a concentração.
André Porto, diretor-executivo da Amobitec, afirma que entrantes poderiam cobrir lacunas e oferecer mais rotas.
Segundo o levantamento, grupos como Gontijo (Nacional, Continental e São Cristóvão), Guanabara (Real Expresso, Útil, Rápido Federal e Sampaio), JCA (Cometa, Catarinense, Expresso do Sul e 1001), Suzano e Águia Branca somam 36,5% do mercado.
A pesquisa ainda aponta que cerca de 80% das rotas ainda são operadas por uma ou duas empresas, em alguns casos, do mesmo grupo econômico.
Do outro lado, os grupos tradicionais do setor argumentam que os novos entrantes não oferecem comprovações de segurança e eficiência o suficiente para atuar no mercado. Elas são representadas pela Abrati (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros).
O regime de autorizações para o Trip (transporte rodoviário interestadual de passageiros) foi estabelecido por lei em 2014. Em 2025, dos 33 mil mercados vigentes, cerca de 25 mil eram resultado de decisões judiciais. Nos últimos dois anos, a ANTT recebeu aproximadamente 70 mil solicitações de autorização.
O número de passageiros caiu de 43,1 milhões em 2023 para 36,7 milhões em 2025. No mesmo período, a receita do setor recuou de R$ 6,7 bilhões para R$ 6,15 bilhões.
Em março, a ANTT abriu a 1ª Janela Extraordinária, com previsão de autorizações para 47.291 mercados, sendo 38.379 desassistidos e 8.912 monopolizados. O resultado foi suspenso e posteriormente liberado pela agência, mas voltou a ser suspenso após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).
A nova suspensão ocorreu em ação movida pela Anatrip, que apontou vulnerabilidades tecnológicas no sistema da ANTT. Na semana passada, a Amobitec pediu ao STF a liberação das autorizações para mercados desassistidos ou monopolizados previstas na janela.
