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Anvisa autoriza importação de medicação experimental para tratar o influenciador Lito Sousa
Anvisa autoriza importação de medicação experimental para tratar o influenciador Lito Sousa
Influenciador, que recebeu diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob, será o primeiro a receber a substância
Por Folhapress
04/09/2026 às 20:45
Foto: Reprodução
O influenciador Lito Sousa
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou nesta sexta-feira (4) a importação e a utilização, em caráter excepcional, de um medicamento experimental para o tratamento do influenciador Lito Sousa, que recentemente recebeu diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurodegenerativa rara e sem cura.
Chamada ALN-6457 (siRNA conjugado a C16 dirigido à proteína priônica), a substância autorizada pela Anvisa foi desenvolvida pela farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals. O composto ainda está em estágio prévio ao desenvolvimento clínico, sem estudos formalmente iniciados em seres humanos para tratamento da DCJ. Lito será a primeira pessoa a recebê-lo.
O pedido foi feito pelo Hospital Israelita Albert Einstein, responsável pelo tratamento do influenciador. A unidade solicitou a autorização excepcional para uso individual, por meio de importação por pessoa física, já que Lito foi aceito em um programa de uso compassivo mantido pela farmacêutica no exterior.
Segundo a Anvisa, esse tipo de autorização costuma ser usado em casos de produtos sem registro ou estudo no Brasil.
"A avaliação considerou que se trata de uma enfermidade neurodegenerativa com evolução rápida, letal e irreversível. Além disso, a autorização em caráter excepcional foi adotada diante da ausência de patrocinador ou representante responsável no Brasil", diz a Anvisa, em nota.
Com a liberação, a importação do medicamento ficará a cargo da equipe médica que acompanha o paciente. Não foram divulgados detalhes sobre como o tratamento será conduzido.
Em publicação nas redes sociais, a esposa de Lito, a empresária Mila Seidl, disse que a expectativa é que o medicamento chegue ao Brasil entre sete e nove dias.
O diagnóstico de Lito foi revelado em 21 de agosto por Mila, após semanas de investigação neurológica em São Paulo.
A DCJ é causada pelo acúmulo anormal de proteínas príon no cérebro, destruindo neurônios. Não existe, até hoje, tratamento capaz de reverter ou interromper sua evolução, e o protocolo médico usual recomenda o encaminhamento do paciente a cuidados paliativos após a confirmação do diagnóstico.
Após a alta hospitalar, Lito Sousa passou a receber cuidados em casa. Em vídeo publicado em 23 de agosto, Lito pediu, em inglês, para ser incluído em algum estudo experimental e citou instituições como Ionis Pharmaceuticals, Broad Institute, Harvard e Mayo Clinic. O Ministério da Saúde e o Itamaraty também afirmaram buscar alternativas para o influenciador.
Em novo vídeo, divulgado nesta sexta-feira, Lito falou sobre as chances de escapar da doença com o novo medicamento.
"Olha só a diferença entre aquele vídeo que fiz quando tive o diagnóstico para como estou hoje. Naquele dia, eu tinha 0% de chance de escapar dessa doença. E hoje eu já tenho 0,1% de chance", diz o influenciador.
Sem dar detalhes, ele diz que a porcentagem é "muito maior", mas prefere aguardar a chegada do medicamento ao Brasil para explicar a mudança. "Eu quero primeiro que o remédio chegue na minha mão, e aí eu vou aproveitar e vou explicar tudo para vocês. Serão boas notícias".
No vídeo ele também diz estar longe de seu "ideal", mas que mantém preservadas as funções cognitivas. "Continuo com inflamação no cérebro, mas felizmente a minha cognição não foi afetada. E tudo que eu lembrava do passado, eu continuo lembrando”.
