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Brasil merece ter Dino presidente após 'missão no STF', diz pupilo candidato ao Governo do Maranhão

Brasil merece ter Dino presidente após 'missão no STF', diz pupilo candidato ao Governo do Maranhão

Por Fabio Victor, Folhapress

20/09/2026 às 14:18

Foto: @felipecostacamarao no Instagram/Arquivo

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Flávio Dino, então governador do Maranhão, entre os secretários Felipe Camarão (esq.) e Diego Galdino, em 2016

Felipe Camarão se empolga com a pergunta sobre a semelhança entre a sua trajetória e a de Flávio Dino, que o introduziu na política quando era governador do Maranhão.

"Total. Nesse ponto a gente é muito parecido. Ele, juiz federal, eu, procurador federal. Ele, professor de direito da UFMA [Universidade Federal do Maranhão], eu também. A diferença foi que ele, como juiz, precisou sair do cargo para ser candidato. Eu continuo procurador, meu cargo permite que eu me afaste e seja candidato. Mas a nossa origem é rigorosamente a mesma", responde.

Vice-governador do Maranhão e candidato ao governo pelo PT, Camarão, 44 anos, é um admirador fervoroso de Dino e se orgulha da condição de pupilo do hoje ministro do Supremo Tribunal Federal.

"O Flávio é uma joia da República que tem que ser preservada. Acho que o Brasil merece tê-lo como presidente um dia, depois que acabar a missão dele no Supremo. Acho que ele faz muita falta na política", afirma seu ex-aluno e ex-secretário. "O Flávio, para mim, é um exemplo de cidadão, de homem, de jurista. É um brilhante, sempre foi. Tudo que eu aprendi na política foi com ele."

Camarão foi uma espécie de curinga nos dois mandatos de Dino no governo maranhense, de 2015 a 2022, assumindo alternadamente quatro diferentes secretarias, nessa ordem: Gestão e Previdência, Cultura, Governo e Educação.

Dino foi eleito senador em 2022, mas abriu mão do mandato para assumir o Ministério da Justiça no governo Lula, e quase dois anos depois foi indicado pelo pelo presidente para o STF. Quem o sucedeu no governo do Maranhão foi Carlos Brandão (na época no PSB, hoje no MDB), seu vice nos dois mandatos. Camarão, por sua vez, é vice de Brandão.

No final de 2024, segundo ano da gestão Brandão, a disputa por poder entre o governador e a ala mais próxima a Dino fez o grupo rachar. O vice Camarão, que tinha sido mantido como secretário de Educação por Brandão, se licenciou nas eleições daquele ano para coordenar a campanha de Duarte Jr à Prefeitura de São Luís, mas não reassumiu o cargo, num dos primeiros sinais do rompimento.

Dali para frente a cisão só se ampliou, se tornando uma guerra também nos tribunais, com vários processos decisivos para a política maranhense sob julgamento de Dino no STF, e queixas dos antigos aliados/novos inimigos de que ele tem usado a toga para influir nos rumos do poder no estado.

Algumas das ações relativas ao Maranhão sob a relatoria de Dino têm entre os investigados o clã Brandão e aliados do governador, como a dos desdobramentos de um assassinato à luz do dia num centro comercial numa área nobre de São Luís ou o sobre as normas para indicações ao TCE-MA.

Para Camarão, não há necessidade de Dino se declarar suspeito ao julgar esses casos porque "o muro ético-moral dele é enorme". "Eu não falo com o Flávio há meses. A gente se encontrou num velório há pouco tempo, se cumprimentou, mas eu evito falar com ele para que ninguém nos acuse de estar fazendo política. Enquanto eu estiver na política, não vou admitir covardia contra Flávio Dino, porque ele não está mais na política para se defender."

"Se o Flávio estivesse fazendo política com a toga", acrescenta, "ele já tinha afastado o Brandão faz tempo, porque elementos tem muitos".

Por causa do racha entre os antigos aliados, Camarão virou um corpo estranho no governo. Mora na residência oficial de vice-governador, onde falou à Folha, mas não tem mais função alguma na gestão. Reclama que Brandão lhe tirou de dois conselhos que reforçavam seus rendimentos e cortou todas as gratificações da equipe da vice-governadoria.

"Ele cortou tudo, até a internet da casa. Uso meu plano pessoal. A única coisa que o Brandão não teve coragem de cortar, eu formalizei [o pedido], foi o gabinete militar, porque eu disse que a minha segurança poderia estar em risco."

O vice atribui ao rompimento com Brandão o pedido do Ministério Público Estadual para afastá-lo do cargo, por suspeita de participar de um esquema de corrupção envolvendo policiais militares de sua segurança. O pedido foi suspenso pelo STJ. Camarão diz ter sido vítima de uma armação do grupo do governador.

Um dos motivos do racha foi a escolha do candidato a governador do grupo. Aliados do vice alegam que havia um acordo para que Brandão (que não pode tentar nova reeleição) fosse candidato ao Senado e Camarão ao governo.

Mas Brandão optou por não concorrer ao Senado, ficando no cargo até o término do mandato, e lançou como candidato a governador seu sobrinho Orleans Brandão (MDB), que está em segundo lugar nas pesquisas, atrás do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD). Camarão aparece em terceiro.

À Folha Brandão admitiu que agiu assim para não entregar a máquina ao vice agora inimigo. "Fiz uma reunião e no meu grupo disseram: 'rapaz, tu vai entregar pro adversário? Aí a gente vai morrer'. Eu tinha toda chance de ser candidato a senador. Se eu fosse pensar em mim, eu tinha sido, mas o grupo não aceitou. Então eu fui para o sacrifício, deixei de ser candidato para salvar o grupo."

Camarão afirma que, caso tivesse ocupado a cadeira de governador, como diz ter sido combinado, não estaria amargando a atual situação nas pesquisas —apesar do apoio de Lula, majoritário no Maranhão. "Acho que a eleição já estaria até definida a nosso favor. Porque hoje estou entre duas máquinas, a da prefeitura da capital [de Braide], e a do governo estadual."

Tido como uma escolha de Dino, que chegou a brincar num discurso, já como ministro do STF, que seu pupilo encabeçaria "uma chapa imbatível", Camarão tem mencionado o padrinho em sua campanha e em seu programa de governo. "A minha candidatura é também para defender o legado que o Flávio deixou no Maranhão e está sendo destruído."

O Maranhão é um estado lulista, mas não petista. O PT tem apenas duas prefeituras entre os 217 municípios, Codó e Brejo, e o prefeito de Codó apoia Brandão.

A difícil situação de Camarão é agravada por seus próprios supostos aliados. Boa parte do PT estadual faz campanha para Orleans Brandão (o grupo do governador também pede votos para Lula), incluindo lideranças como Cricielle Muniz. Outros, como o deputado federal Rubens Junior, um dos vice-presidentes nacionais do partido, estão no palanque de Braide.

"A história vai cobrar no futuro essa posição", comenta Camarão.

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