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Campanha de Marina Silva reclama de repasse menor da Rede em meio a briga no partido

Campanha de Marina Silva reclama de repasse menor da Rede em meio a briga no partido

Aliados reclamam que ela recebeu menos do que outras candidaturas, mesmo figurando entre os líderes das pesquisas

Por Juliana Arreguy/Folhapress

23/09/2026 às 17:45

Atualizado em 23/09/2026 às 18:00

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Campanha de Marina Silva reclama de repasse menor da Rede em meio a briga no partido

A ex-ministra Marina Silva (Rede), candidata ao Senado por São Paulo

A campanha de Marina Silva (Rede) ao Senado por São Paulo reclama de ter recebido repasses menores do fundo eleitoral, aponta que há outra candidatura a um cargo majoritário recebendo mais e cobra que o partido faça a transferência de R$ 1,2 milhão para a ex-ministra na reta final das eleições.

Internamente, aliados de Marina enxergam a distribuição do fundo eleitoral como mais um capítulo na disputa interna pelo comando da sigla, que opõe a ex-ministra à ex-senadora Heloísa Helena, candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro.

Heloísa recebeu R$ 2,8 milhões do fundo eleitoral até o momento, sendo a segunda candidata com mais recursos da Rede. O líder de repasses é André Janones (MG), que se filiou à Rede neste ano e recebeu R$ 3 milhões para a sua candidatura a deputado federal. O valor equivale a 8% do fundo eleitoral do partido, que é de R$ 35,8 milhões.

Marina recebeu R$ 1 milhão, menos do que a campanha de outra candidata ao Senado, a deputada federal Luizianne Lins (CE), e do que o ativista Thiago Ávila (SP), que já disputou mandatos coletivos a deputado distrital em 2018, e federal em 2022, sem nunca ter sido eleito.

O valor recebido pela ex-ministra é igual ao de outras candidaturas a deputado federal e estadual, o que foi visto pelo entorno dela como um desprestígio pelo fato de ela disputar uma candidatura majoritária.

Um de seus auxiliares disse à reportagem, sob reserva, que ela tem recebido mais apoio do PSOL, partido com o qual a Rede é federada, do que da própria sigla que ajudou a fundar.

A prestação de contas de Marina no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que ela recebeu R$ 1,1 milhão do PSOL, valor 10% superior ao recebido pela Rede.

Pessoas próximas à ex-ministra afirmaram que o grupo pediu que os repasses fossem revistos, mas foi ignorado pela direção partidária. Além dela, outros candidatos também teriam feito questionamentos e sido ignorados, acirrando ainda mais o racha interno.

Filiados à Rede têm acusado a direção partidária de privilegiar apenas as candidaturas de interesse da ala alinhada a Heloísa Helena, que hoje detém o comando do partido. Um deles lembrou que em 2024, Heloísa teve a candidatura mais cara da sigla a vereadora do Rio de Janeiro e não foi eleita.

A disputa interna no partido levou à debandada de diversos quadros em 2026. A própria Marina cogitou deixar a Rede, mas decidiu permanecer na sigla no último dia da janela partidária.

A reportagem procurou Paulo Lamac, presidente da Rede, e não recebeu resposta.

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