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Conselheiros de Lula e Flávio para a Saúde apresentam planos semelhantes para o SUS

Conselheiros de Lula e Flávio para a Saúde apresentam planos semelhantes para o SUS

Cláudio Lottenberg, nome de Flávio a ministro, não critica atual gestão e diz que SUS tem estrutura vitoriosa

Por Mateus Vargas/Folhapress

08/09/2026 às 21:30

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Andressa Anholete/Agência Senado

Imagem de Conselheiros de Lula e Flávio para a Saúde apresentam planos semelhantes para o SUS

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro

Os nomes escolhidos por Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para formular o plano para a área da saúde na disputa à Presidência apresentaram ideias semelhantes para o SUS (Sistema Único de Saúde) em evento nesta terça-feira (8).

Em linhas gerais, o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), e o médico Cláudio Lottenberg, que Flávio anunciou que nomeará ao comando da Saúde se for eleito, defenderam fortalecer a produção nacional de medicamentos e outros insumos, ampliar o uso de tecnologias e integrar dados da rede pública, além de reforçar pagamentos por serviços com base no desfecho clínico do paciente, em vez de por cada procedimento realizado.

As principais diferenças no discurso de cada conselheiro dos presidenciáveis apareceram ao tratar o grupo adversário.

Lottenberg não fez críticas à gestão petista e reconheceu que parte dos seus planos tem relação com políticas atuais do ministério, como a reformulação do modelo de pagamento pelos serviços da rede pública. Disse ainda que a integração de dados é "sequência daquilo que já está em curso".

O indicado de Flávio ao ministério disse que o SUS é uma "estrutura vitoriosa" que precisa ser melhorada ou aperfeiçoada, sem exigir uma "reforma".

Já Padilha criticou a postura antivacina e cortes feitos pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) em recursos de programas como o Farmácia Popular.

Padilha, porém, não mencionou o nome de Lottenberg. Interlocutores do atual ministro dizem que ele e Lottenberg têm uma relação amistosa e lembram que o conselheiro de Flávio foi especulado ao cargo de vice na chapa de Padilha para a campanha a prefeito de São Paulo, em 2014.

Nesta terça, ambos participaram de evento organizado pelo canal Amado Mundo com representantes das campanhas a presidente sobre propostas para o setor até 2030. Os assessores dos candidatos tiveram 20 minutos para apresentar as propostas e não houve debate entre eles ou perguntas da plateia.

Padilha disse que, se reeleito, Lula deve consolidar políticas em andamento, como o programa Agora Tem Especialistas. Ele afirmou que a iniciativa está "enterrando" o pagamento fragmentado por procedimento ao repassar aos prestadores de serviço um valor pelo "combo" que envolveria desde o diagnóstico e a consulta até outros procedimentos.

Disse ainda que irá expandir o uso de carretas para atendimentos em regiões remotas, além de reforçar uma rede nacional de cuidado do câncer. Afirmou que deve ampliar protocolos de cuidados para mulheres na menopausa, idosos em cuidado domiciliar e citou o plano de incorporar "definitivamente" ao SUS as canetas emagrecedoras.

Já Lottenberg propõe melhorar a integração dos dados, usar IA para organizar filas do SUS, como de transplante, e aproveitar bases de dados para conseguir ir atrás de pacientes com vacinas e outros exames atrasados. Ele defendeu que o uso de dados de mapeamento genético da população brasileira pode evitar desperdício de recursos com medicamentos que se baseiam em dados estrangeiros.

O indicado de Flávio para a Saúde disse ainda que investiria na produção local de medicamentos e insumos para garantir a "segurança nacional" em momentos de crise. Ele citou a falta de respiradores em cidades como Manaus (AM), durante a pandemia da Covid-19, como exemplo de fragilidades atuais do parque fabril.

Outras candidaturas

No mesmo evento, Luiz Henrique Mandetta, representando a candidatura de Ronaldo Caiado (PSD), defendeu uma divisão do SUS por regiões de saúde. A ideia é distribuir recursos e planejar serviços considerando áreas que acomodam de 1 milhão a 1,5 milhão de habitantes.

Ele afirmou que seria uma forma de planejar, por exemplo, o uso de emendas parlamentares que hoje são "jogadas ao vento" em municípios. Também defendeu discussão mais aprofundada sobre o vício em apostas. Mandetta foi ministro de Bolsonaro, mas deixou a pasta da Saúde após divergir do ex-presidente na condução da resposta à Covid.

O médico Felipe Roth, da candidatura de Renan Santos (Missão), defendeu o projeto "SUS fila zero", organizando a fila da rede pública com base em indicadores sobre gravidade da doença, impacto funcional, entre outros pontos.

O plano do Missão ainda envolve reajustar o piso da saúde pela inflação, em vez de considerar o investimento mínimo de 15% da Receita Corrente Líquida. Roth ainda disse que pretende manter a vacinação acima das metas.

A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP), que formula as políticas de saúde de Romeu Zema (Novo), defendeu a contratação de espaços ociosos em hospitais privados. Ela disse ainda que é preciso "melhorar a gestão" dos recursos repassados pela União e criticou a aplicação atual das emendas parlamentares.

Ventura também defendeu a remuneração dos serviços do SUS pelo desfecho clínico do paciente em vez de baseado no volume de procedimentos realizados.

A candidatura de Augusto Cury (Avante) não enviou representantes ao evento.

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