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Documento assinado por produtora de Dark Horse relata pressões para fazer delação
Documento assinado por produtora de Dark Horse relata pressões para fazer delação
Por Fábio Zanini, Folhapress
10/09/2026 às 17:47
Foto: Reprodução/Redes sociais/Arquivo
A dona da produtora Go Up, Karina Gama, responsável pelo filme 'Dark Horse'
Um documento assinado por Karina Gama, dona da produtora Go Up, responsável pelo filme "Dark Horse" menciona pressões que ela teria sofrido para fechar um acordo de delação premiada.
A declaração circunstanciada de fatos, datada de 4 de setembro e com firma reconhecida em cartório, foi encontrada pela Polícia Federal durante operação de busca e apreensão em um endereço ligado a ela nesta quinta-feira (10).
No documento de quatro páginas, Gama diz que foi procurada por três pessoas desde maio dizendo que ela deveria fechar acordo de delação.
Uma delas seria o jornalista Breno Pires, da revista Piauí, autor de uma reportagem publicada no começo do mês que revelou um novo repasse do banqueiro Daniel Vorcaro, no valor de US$ 1,6 milhão, para um fundo que financiou a produtora para a realização do filme.
No relato de Gama, o jornalista a teria procurado em 3 de setembro deste ano. "O referido jornalista já havia anteriormente formulado questionamentos relacionados à possibilidade de eu realizar uma delação premiada, no sentido de me incentivar a realizar tal procedimento", diz a dona da produtora, segundo o termo circunstanciado. Ela não apresenta provas do relato.
Ainda na versão dela, Pires teria dito que ela estava "servindo de bucha de canhão para o candidato, em aparente referência ao contexto político relacionado aos fatos atualmente investigados, dando a entender que, se eu não fizesse nenhuma colaboração premiada, eu poderia ser alvo de medidas judiciais". Não fica claro a qual candidato ela se refere.
A produtora também cita outras duas pessoas que a teriam procurado para pressionar pela delação, conforme revelou a revista Veja. Seriam o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, que teria dito ser próximo do ministro Flávio Dino, do STF, e um pastor que ela não nomina. À Veja, Sarney negou o relato de Gama.
No termo circunstanciado, ela diz que não tem intenção de fazer delação premiada por não ter o que revelar e por não ter cometido irregularidades.
Procurado pelo Painel, o jornalista Breno Pires não quis se manifestar.
