Home
/
Noticias
/
Economia
/
Governo prevê levantar R$ 22,4 bi com leilão extraordinário do pré-sal em 2027
Governo prevê levantar R$ 22,4 bi com leilão extraordinário do pré-sal em 2027
Equipe econômica trata operação como central para fechar as contas e entregar superávit
Por Marcela Ayres/Bernardo Caram/Folhapress
04/09/2026 às 21:45
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo
O presidente Lula
O governo prevê arrecadar R$ 22,4 bilhões com leilão extraordinário do pré-sal em 2027, segundo anexo do projeto de lei orçamentária enviado ao Congresso. A receita será crucial para atingir a meta de cumprir a promessa de entregar o primeiro superávit primário em anos.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição em outubro, projetou na proposta orçamentária um superávit primário de R$ 18,6 bilhões no próximo ano, equivalente a 0,13% do PIB (Produto Interno Bruto).
Ministros da área econômica têm afirmado que Lula deixará ao próximo governo, independentemente de quem vencer as eleições, um Orçamento equilibrado e sem depender da aprovação de medidas adicionais pelo Congresso.
Na prática, contudo, o leilão do pré-sal será decisivo para o cumprimento da meta fiscal, uma vez que a arrecadação prevista supera o próprio superávit calculado para o ano.
Uma fonte da equipe econômica confirmou, sob condição de anonimato, a expectativa de ingresso dos recursos.
Uma segunda fonte familiarizada com o assunto afirmou que a operação prevista para 2027 envolverá a venda de uma previsão futura do petróleo da União.
Neste ano, o governo chegou a prever arrecadação de R$ 31 bilhões com um novo leilão extraordinário do pré-sal. A medida era amparada por lei aprovada em 2025, que autorizou a União a alienar direitos e obrigações decorrentes de Acordos de Individualização da Produção em áreas do pré-sal.
A estimativa, contudo, foi abandonada em maio com a desistência de realizar o leilão este ano.
À época, o governo argumentou que o modelo de venda de direitos da União no pré-sal, utilizado no ano anterior, havia sido alvo de questionamentos do TCU (Tribunal de Contas da União), tornando necessária a retirada da receita projetada "até que o modelo de alienação do óleo esteja devidamente implementado".
Se confirmado o resultado fiscal estimado pelo governo para 2027, será o primeiro superávit primário desde 2022.
Integrantes da equipe econômica argumentam, porém, que o resultado de 2022 foi distorcido pelo adiamento do pagamento de parte dos precatórios após a aprovação, no governo de Jair Bolsonaro, de uma emenda constitucional que impôs limites ao desembolso com essas despesas judiciais.
