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Indústria tem menor intenção de investir desde 2020 diante de incerteza eleitoral, diz pesquisa
Indústria tem menor intenção de investir desde 2020 diante de incerteza eleitoral, diz pesquisa
Levantamento da CNI reforça cautela do setor para investir, produzir e contratar
Por Gustavo Boldrini/Folhapress
21/09/2026 às 17:45
Foto: Carol Garcia/GOVBA/Arquivo
Índice de evolução da produção industrial registrou forte queda de 4,7 pontos entre julho e agosto
O índice que mede a intenção de investimento pela indústria brasileira caiu em setembro ao menor nível desde agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19. É o que mostra a última edição da Sondagem Industrial da divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada nesta segunda-feira (21).
O indicador caiu de 52,6 pontos na última edição do levantamento para 51,3 pontos. Foi a quinta baixa consecutiva do índice de intenção de investimento da indústria —desde maio, a queda acumulada é de 3,5 pontos.
A Sondagem da CNI se apoia em quadro indicadores de expectativa, utilizados para medir o apetite por investimentos pelo setor: a demanda por produtos, a compra de insumos e matérias-primas, a quantidade exportada e o número de empregados. Todos eles recuaram no mês, com destaque para a perspectiva de demanda.
"A queda expressiva da intenção de investimento reflete um quadro que a gente já vem acompanhando de perda de ritmo da atividade industrial. Além disso, há um aumento das incertezas, o que também contribuiu para o resultado", comenta o gerente de análise econômica da confederação, Marcelo Azevedo.
PRODUÇÃO EM QUEDA
O índice de evolução da produção industrial registrou forte queda de 4,7 pontos entre julho e agosto, atingindo 46,3 pontos. Além de deixar o campo considerado positivo —acima de 50—, foi o pior resultado para o indicador desde 2015, quando a economia brasileira vivia período de recessão.
Em meio ao cenário de atividade mais fria, caiu também a UCI (Utilização da Capacidade Instalada), indicador que mede o quanto a capacidade produtiva máxima da indústria brasileira está sendo efetivamente empregada. O dado recuou 1 ponto percentual, chegando aos 69%, e o nível de uso do parque fabril ficou 2 pontos percentuais abaixo da média histórica para agosto.
Marcelo Azevedo, da CNI, vê o resultado como "atípico" e atribui parte dele às incertezas eleitorais. "Não dá para negar que a proximidade das eleições traz um certo grau de imprevisibilidade, fazendo com que as empresas se tornem mais cautelosas na hora de investir, produzir e contratar".
O último dado de produção industrial do IBGE, referente a julho, mostrou uma leve alta mensal de 0,2%. Nos dois meses anteriores, houve queda do indicador.
