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Trump ameaça uso de força na América Latina e ressalta guerra do Irã durante discurso na ONU

Trump ameaça uso de força na América Latina e ressalta guerra do Irã durante discurso na ONU

Presidente dos Estados Unidos afirma que os cartéis são o 'Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental'

Por Isabella Menon/Mayara Paixão/Folhapress

22/09/2026 às 17:30

Atualizado em 22/09/2026 às 17:34

Foto: Reprodução Instagram

Imagem de Trump ameaça uso de força na América Latina e ressalta guerra do Irã durante discurso na ONU

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa na Assembleia-Geral da ONU

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou sua fala na Assembleia-Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (23) para ameaçar uso de força militar nas Américas e de aniquilar a população iraniana.

Se no ano passado o presidente falou da vontade de vencer um prêmio Nobel e se gabou de, supostamente, encerrar guerras, Trump usou o plenário para aumentar pressões na América Latina. Afirmou que os cartéis são como o "Isis do hemisfério Ocidental" —comparação com o grupo terrorista Estado Islâmico que já vinha sido feita pelo governo americano.

"Eles são inimigos em guerra com a civilização, usando assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror", disse Trump.

"Os EUA não permitirão mais que ameaças ao país ganhem espaço em qualquer parte do hemisfério Ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para proteger os interesses nacionais vitais dos EUA", disse o republicano.

Trump dobrou a aposta ao dizer que Venezuela também tinha um aparato militar de ponta, mas nada disso deteve os EUA. "A Venezuela tinha o melhor equipamento do mundo vindo de outros países. E adivinhem? Não funcionou. Nem chegou perto de funcionar", disse.

Também falou que como objetivo de encerrar o tráfico de drogas na região designou os cartéis como terroristas —em nenhum momento Trump citou o Brasil ou o presidente Lula, mas o governo Trump, em maio, designou duas facções brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas.

Trump foi o segundo chefe de Estado a falar no primeiro dia do Debate Geral, logo depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seguindo a tradição segundo a qual o Brasil abre os discursos e os EUA, país anfitrião, vêm na sequência.

A fala ocorre a menos de dois meses de Trump ter seu governo testado pelas eleições de meio de mandato com uma guerra no Irã em curso e taxas de aprovação em baixa.

Em meio ao conflito com o Irã, iniciado no fim de fevereiro deste ano, Trump disse que tem uma decisão importante a tomar: firmar um acordo com o país persa ou "aniquilar a República Islâmica e fazer isso rapidamente, sem jamais dar a eles a chance de voltar a matar e destruir pessoas e países".

"Eu os mando para o inferno, sem qualquer chance de sobrevivência e sem esperança de grandeza futura ou para as próximas gerações?", disse Trump.

Porém, na sequência, disse que acredita que Washington e Teerã vão chegar em um acordo após as eleições de meio de mandato, marcadas para o início de novembro.

"Acho que vamos chegar a um acordo logo depois da eleição, porque não faz sentido que eles não façam isso. Eles estão esperando para ver como eu me saio nas eleições de meio de mandato. O que eles não percebem é que eu não estou concorrendo. Eu já fiz isso e venci de lavada", disse o presidente.

Justificou a guerra no Oriente Médio alegando que deu ao Irã todas as chances por um acordo, mas que o país persa não deverá ter uma arma nuclear e, por isso, o conflito foi necessário. Mesmo após ameaçar assassinar uma nação, Trump voltou a afirmar que foi responsável por solucionar oito conflitos ao redor do mundo —no ano passado, ele fez uma afirmação semelhante.

Sob pressão em Cuba, Trump também disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, está tentando chegar a um acordo com a ilha, que vive sob apagões em meio a sanções impostas pelo governo americano.

"O regime cubano também passou décadas coordenando ações com radicais de esquerda e redes comunistas aqui nos EUA", disse Trump. "Como detalhou o nosso Departamento de Estado, eles cultivaram laços com grupos subversivos e radicais, como o Partido Comunista dos EUA, a Antifa e os Socialistas Democráticos da América".

Em meio a discussões globais sobre receios ao desenvolvimento da inteligência artificial, Trump usou seus discurso para dizer que não vai tomar decisões para frear a tecnologia e que sua gestão vai passar a usar o termo "superinteligência" para se referir à inteligência artificial. Ele também criticou quem aponta efeitos nocivos da tecnologia.

O discurso acontece um ano depois de Trump usar sua primeira participação na Assembleia Geral desde o retorno à Casa Branca para apresentar um amplo balanço de seu governo, atacar a atuação da ONU e defender políticas mais rígidas de imigração, maior produção de combustíveis fósseis e o uso de tarifas comerciais como instrumento da política externa americana.

A passagem de Trump por Nova York também inclui uma série de encontros diplomáticos paralelos à Assembleia. Entre eles está uma reunião com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, a primeira presencial entre os dois desde que uma operação militar americana capturou Nicolás Maduro, em janeiro, e o levou aos EUA para responder a acusações na Justiça americana.

O encontro deve ocorrer em formato mais informal, conhecido no jargão diplomático como "pull-aside". Rodríguez assumiu o comando do país depois da queda de Maduro e seu governo passou a negociar com Washington temas como petróleo, recuperação econômica e reestruturação da dívida venezuelana.

A Assembleia deste ano tem como tema "Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas". Os discursos do Debate Geral seguem até a próxima segunda-feira (28).

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