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Servidores da PGR relatam clima de tensão e 'debocham' de Gonet no WhatsApp

Servidores da PGR relatam clima de tensão e 'debocham' de Gonet no WhatsApp

Funcionários falaram em ‘revanchismo’ a chefe da Procuradoria Geral da República por se sentirem desprestigiados por Paulo Gonet

Por Leticia Fernandes/Estadão

03/09/2026 às 21:15

Atualizado em 03/09/2026 às 21:41

Foto: Rosinei Coutinho/STF/Arquivo

Imagem de Servidores da PGR relatam clima de tensão e 'debocham' de Gonet no WhatsApp

O procurador-geral da República, Paulo Gonet

Um dia depois de virem à tona conversas que mostraram relação de proximidade entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, servidores da Procuradoria Geral da República (PGR) relataram à Coluna do Estadão um clima tenso nas dependências da PGR, em Brasília, ao longo desta quarta-feira, 2.

Enquanto em pequenas rodas durante o expediente funcionários questionavam os possíveis desdobramentos do caso e debatiam detalhes das revelações do Estadão, havia apreensão com a possibilidade de represália em caso de vazamento de informações sobre o chefe. “Só se fala nisso”, contou à Coluna um servidor sob condição de anonimato. Segundo ele, o clima no órgão era de tensão e muitos com “medo de perseguição”, citando como exemplo a investigação que a PGR abriu contra funcionários que criticaram o pagamento de penduricalhos a procuradores.

O jornal O Estado de São Paulo revelou conversas que expuseram a proximidade entre Vorcaro e o procurador-geral, que atua no processo em que o empresário é réu. O banqueiro utilizou um emissário, o advogado Ciro Soares, para conversar com Gonet e incluí-lo no seleto rol de convidados de uma degustação de charutos e do uísque Macallan realizada em Londres. A autoridade aceitou.

“Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan”, disse o procurador em mensagem que foi encaminhada por Soares a Vorcaro, que prometeu atender as expectativas do convidado. “Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de macalan”.

Tom jocoso com Gonet em grupos de WhatsApp

Os grupos de WhatsApp de servidores da PGR também ficaram em polvorosa nesta quarta-feira. Servidores ouvidos pela Coluna contaram que havia um “tom de gozação” a Gonet nas mensagens por conta das conversas com Vorcaro, especialmente as que falam sobre charutos e uísque.

Relataram ainda um “clima de revanchismo” nas conversas virtuais, o que teria ocorrido, segundo eles, por se sentirem desprestigiados pelo chefe da PGR. O principal motivo seria a demora de Gonet em conseguir a paridade de salário entre os servidores da PGR e os do Judiciário, o que aconteceu em outubro de 2025.

Nos grupos de WhatsApp, alguns citavam, de maneira jocosa, que a exposição da relação do chefe do MP com o Vorcaro era uma “penalização” pelo que consideram “desprestigio” com os servidores.

Comentários
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1 Comentário

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Newton Macedo

03/09/2026

18:37

Acho que os Ministérios Públicos deveriam ser fechados. Se acham um Quarto Poder, mas na grande maioria dos Estados, inclusive o Federal, se tornaram depois da Lava à Jato instrumentos de Vassalagem e Servilidade do Poder Executivo e dos autoritários do Judiciário.
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