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Vorcaro negociou jatinho e helicóptero em 2º contrato de R$ 50 mi com escritório de esposa de Moraes

Vorcaro negociou jatinho e helicóptero em 2º contrato de R$ 50 mi com escritório de esposa de Moraes

Escritório de Viviane Barci de Moraes diz que contrato não foi assinado

Por José Marques/Mateus Vargas/Raquel Lopes/Constança Rezende/Ana Pompeu/Luísa Martins/João Gabriel/Folhapress

01/09/2026 às 17:45

Foto: Antonio Augusto/TSE/Arquivo

Imagem de Vorcaro negociou jatinho e helicóptero em 2º contrato de R$ 50 mi com escritório de esposa de Moraes

O casal Viviane Barci e Alexandre de Moraes

Investigação da Polícia Federal aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro negociou a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como pagamento por um segundo contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Mores, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O contrato de R$ 50 milhões previa quitar R$ 40 milhões com a transferência de cotas das duas aeronaves. Outros R$ 10 milhões seriam acertados como reembolso das despesas envolvidas nos voos, segundo uma minuta de contrato.

Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes disse que assinou apenas um primeiro contrato, de cerca de R$ 130 milhões, com o Master e nega "transferência ou substituição do contrato". Diz ainda que a proposta de Vorcaro não foi aceita e que "nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição".

Moraes chegou a utilizar uma das aeronaves citadas no contrato, de prefixo PP-NLR, da Prime Aviation, que teve Vorcaro como sócio, ao menos em julho de 2025.

Em diálogo obtido pela PF, uma funcionária da Prime também menciona viagem de Viviane agendada para agosto. "Não deixa de atender Barci", respondeu Vorcaro.

A PF localizou minutas do segundo contrato em diálogos que se deram a partir de maio de 2025. Alguns dias antes, Vorcaro teria pedido para Marcos Mata, ex-sócio de Vorcaro na Prime, enviar informações sobre as duas aeronaves: um avião Legacy 650 e um helicóptero EC 155 B1.

As mesmas aeronaves seriam mencionadas na minuta de contrato, destaca a PF.

Os diálogos também apontam que, em maio de 2025, Vorcaro e um advogado discutiram se os "ativos" citados no contrato deveriam ser transferidos imediatamente ao escritório da esposa de Moraes ou apenas depois do fim do contrato.

O ex-banqueiro respondeu ao advogado que "os ativos são deles já".

Em outra conversa, de julho de 2025, Marcos Mata, ex-sócio de Vorcaro na Prime, enviou ao dono do Master uma reprodução de tela de conversa que teve com Viviane.

A conversa mostra que ela havia sido questionada por Mata se "estão gostando da utilização das cotas de vocês". Viviane respondeu: "Sim, estamos gostando muito, todos que nos atenderam sempre foram muito educados e atenciosos".

A apuração da PF mostra que havia entre Vorcaro e Viviane preocupação em não expor os pagamentos ao escritório de advocacia.

Em julho de 2025, Vorcaro foi informado de que os ativos não seriam mais transferidos ao escritório de Viviane, mas para uma "empresa deles Lux".

Não fica claro se a empresa é o Lex - Instituto de Estudos Jurídicos, que tem Viviane e os três filhos como sócios, ou outra empresa.

No mesmo mês, um advogado de Vorcaro afirma que a preocupação sobre os pagamentos envolveria o "risco reputacional" e que havia discussões sobre "adotar uma estrutura diferente para a propriedade dos ativos ou não".

A apuração da PF também aponta outros momentos em que Vorcaro discute formas de evitar a exposição dos pagamentos, inclusive para o primeiro de R$ 130 milhões, chamado de "mais importante que temos" pelo ex-banqueiro em uma das conversas.

Em março de 2024, o empresário Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro e responsável por ter aproximado Moraes do ex-banqueiro, disse que "o careca não pode atrasar". Em seguida, Vorcaro cobrou de forma incisiva um funcionário, classificou a falta do pagamento como surreal e afirmou que o banco poderia enfrentar problemas caso a transferência não fosse realizada imediatamente.

No mesmo dia, Vorcaro orientou outra funcionária de que os pagamentos ao escritório da esposa de Moraes não poderiam atrasar "nem um dia" e autorizou que fossem feitos "sem nota, do jeito que for", segundo os diálogos obtidos pela PF.

Em abril de 2025, Vorcaro determinou a um funcionário que o contrato físico com o escritório fosse mantido sob acesso restrito, com a orientação expressa de que "ninguém tenha acesso" ao documento dentro da instituição.

Meses depois, em outubro, a forma de pagamento voltou a provocar preocupação. Ao ser informado por outro funcionário de que a última fatura do escritório havia sido quitada por Pix, Vorcaro questionou a escolha e afirmou que "não é bom" realizar as transferências dessa maneira, indicando preferência pelas TEDs usadas anteriormente.

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