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Alcolumbre diz que votar PEC pelo fim da escala 6x1 exige coragem

Alcolumbre diz que votar PEC pelo fim da escala 6x1 exige coragem

Presidente da Casa afirma que proposta afeta milhões de trabalhadores, e que é preciso ouvir 'quem trabalha e quem emprega'

Por Cristiane Gercina/João Pimentel/Gabriela Cecchin/Folhapress

14/10/2026 às 19:45

Foto: Ton Molina/Agência Senado/Arquivo

Imagem de Alcolumbre diz que votar PEC pelo fim da escala 6x1 exige coragem

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que votar a PEC (proposta de emenda à Constituição) pelo fim da escala 6x1 exige coragem. Segundo ele, seu papel como dirigente da casa foi conduzir os trabalhos e cumprir a promessa de colocar o tema em votação após o primeiro turno das eleições.

Alcolumbre leu um discurso antes do início da votação da PEC 221, em que destacou a mudança que o fim da escala trará para a vida de "milhões de trabalhadores. "À primeira vista, pode parecer uma mudança sutil, mas, para quem pega ônibus lotado, é uma mudança gigantesca", disse.

"Um tema dessa dimensão exige coragem para enfrentar desafios, responsabilidade para avaliar seus efeitos e disposição republicana para construir caminhos".

A oposição tem criticado o senador, em especial setores ligados a Flávio Bolsonaro (PL), por ter colocado a PEC em votação entre o primeiro e o segundo turno das eleições, conforme acordo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A leitura é que a aprovação do fim da escala 6x1 pode favorecer o atual presidente, que tenta a reeleição, mas saiu das urnas em desvantagem, em segundo lugar ante Flávio Bolsonaro.

O presidente do Senado disse que os parlamentares devem considerar os efeitos da mudança na rotina da população. "Neste momento, milhões de brasileiros, milhões de trabalhadores e trabalhadoras estão acompanhando esta sessão com esperança. São pessoas que conhecem na própria rotina o valor de um dia a mais de descanso", afirmou.

Alcolumbre disse ainda que os senadores devem votar com "consciência, coração e seu livre-arbítrio". Ele afirmou também que é preciso ouvir quem trabalha e quem emprega, e disse ver como natural que haja posições diferentes. "É legítimo que haja dúvidas e preocupações. Cabe ao Senado Federal oferecer espaço para este debate e, sobretudo, decidir com serenidade", disse.

Sobre não ter pautado o texto antes, afirmou ter feito um acordo com o governo para dar mais liberdade aos senadores durante a eleição. "Assumi este compromisso para que cada senador e cada senadora pudesse decidir, passada a disputa eleitoral, com liberdade, com a sua consciência e com a sua convicção. Hoje cumpro a minha palavra", disse.

A PEC 221, que acaba com a escala 6x1 —na qual se trabalha por seis dias com um de folga—, reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais 14 meses após promulgação e publicação. Cria também a escala 5x2, com dois dias de descanso semanal remunerado por hora.

A PEC cria também a figura do superempregado, que é o profissinal com diploma de curso superior e salário a partir de dois tetos e meio do RGPS (Regime Geral de Previdência Social), o que dá hoje R$ 21.188,88, sem controle de jornada.

Há ainda previsão para que micro e pequenas empresas tenham algum tipo de compensação durante a mudança de jornada e permite que acordos e convenções coletivas prevejam arranjos e acordos sobre folgas e escalas, que valham mais do que a legislação —não a Constituição.

A PEC pelo fim da escala 6x1 foi aprovada no final de maio na Câmara dos Deputados e no início de setembro na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

Durante os discursos, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) defendeu a redução da jornada e afirmou que o descanso pode melhorar a produtividade. Ele também reconheceu a preocupação de pequenos comerciantes com a mudança. "O que não podemos é usar a solução para negar a regra geral do fim da escala 6x1", disse.

Favorável à proposta, o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) criticou o uso eleitoral da discussão. "Este tema passou meses sendo tratado como peça de campanha. Foi adiado por cálculo eleitoral, apressado por cálculo eleitoral, atacado e defendido conforme a conveniência do calendário das urnas", afirmou.

Já a senadora Teresa Leitão (PT-PE), também favorável à PEC, rejeitou a interpretação de que a proposta seja motivada por interesses eleitorais. "Para ele [presidente Lula], essa PEC não é um cálculo eleitoral, essa PEC é concepção de vida. É concepção de trabalho, é concepção de sociedade". Ela também afirmou que a população deve acompanhar a votação e cobrar o posicionamento de seus representantes.

O senador Paulo Paim (PT-RS) voltou a se emocionar enquanto falava sobre o tema. "Há momentos solenes e decisivos, em que o Parlamento é chamado a se encontrar diretamente com a história. E esse momento chegou no Senado Federal", afirmou.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) tratou sobre questões de cor e raça ligadas ao funcionamento da escala 6x1. "A escala 6x1, em primeiro lugar, é racista. Dos trabalhadores brasileiros que mais sofrem com seis dias de trabalho e somente um de folga, são os homens negros. 36,7% dos trabalhadores com mais de 44 horas são homens negros, contra 32,4% da população ocupada de homens brancos", disse.

Já o parlamentar Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), que também declarou voto favorável à proposta, afirmou que a mudança exige atenção aos possíveis efeitos sobre os trabalhadores e empresas de pequeno porte. "Nós não podemos permitir que essa conquista se transforme em prejuízo para quem queremos proteger", disse. "Todo mundo sabe que eu sou engenheiro, e como engenheiro eu aprendi que nenhuma missão pode ser lançada sem um plano de contingência".

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