/

Home

/

Noticias

/

Economia

/

Dólar fecha abaixo de R$ 5 e Bolsa avança no último pregão antes do 2º turno

Dólar fecha abaixo de R$ 5 e Bolsa avança no último pregão antes do 2º turno

Investidores ajustam posições com pesquisas e cenário fiscal no radar

Por Júlia Galvão/Folhapress

23/10/2026 às 20:45

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Dólar fecha abaixo de R$ 5 e Bolsa avança no último pregão antes do 2º turno

Dólar fechou em queda de 0,96% nesta sexta-feira (23), cotado a R$ 4,989

O dólar fechou em queda de 0,96% nesta sexta-feira (23), cotado a R$ 4,989, no último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais, que será realizado neste domingo (25).

O recuo ocorre em meio às expectativas dos investidores em torno de uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que aparece à frente nas pesquisas eleitorais, embora os levantamentos mais recentes do Datafolha e da Quaest indiquem uma disputa acirrada.

O Ibovespa também refletiu o humor positivo do mercado doméstico e fechou em alta de 0,47%, aos 205.082 pontos.

Segundo analistas, a expectativa de alternância de poder favorece os ativos brasileiros diante da possibilidade de uma mudança na condução da política fiscal. Investidores esperam medidas para conter o avanço das despesas públicas, o que poderia abrir espaço para a queda dos juros e, consequentemente, beneficiar a Bolsa. A concretização desse cenário, porém, depende das medidas adotadas pelo próximo governo.

Rafael Stephano, advisor sênior da Blue3 Investimentos, afirma que a Bolsa passou boa parte do pregão sem uma direção definida, mas ganhou força perto do fechamento, especialmente nos setores imobiliário e de consumo. Segundo ele, o movimento refletiu uma melhora do ânimo dos investidores e a redução das taxas de juros negociadas no mercado.

O especialista, porém, recomenda cautela diante da possibilidade de volatilidade após o resultado eleitoral. Independentemente de quem vencer, ele diz que o investidor deve observar o tamanho das posições e o grau de exposição ao risco, priorizando uma carteira estruturada para o longo prazo.

Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, afirma que uma eventual continuidade do governo Lula no domingo poderia levar o mercado a devolver parte dos ganhos acumulados ao longo do mês, em meio à expectativa de vitória de Flávio. Segundo ele, as propostas apresentadas pelo presidente durante a campanha, com ampliação de benefícios sociais, alimentam preocupações sobre o aumento dos gastos públicos.

Já no caso de uma vitória de Flávio, o mercado tende a conceder inicialmente o benefício da dúvida à possibilidade de alternância de poder, embora ainda haja incertezas sobre como o candidato pretende financiar suas propostas.

"O mercado vai cobrar, mas, em um primeiro momento, haverá uma precificação positiva dos ativos de risco, a taxa de juros deve continuar caindo e o real deve se valorizar mais. Obviamente, essa lua de mel não dura muito se não vierem anúncios positivos, como um bom nome como ministro da Fazenda e um plano de governo crível", diz Marcatti.

Ao longo do dia, os investidores também repercutiram a pesquisa Datafolha, que apontou empate entre Flávio Bolsonaro e Lula. Considerando o arredondamento, os dois candidatos têm 50% dos votos válidos. Sem arredondar, o senador aparece com 50,47%, ante 49,53% do presidente.

O levantamento foi realizado de terça-feira (20) a quinta-feira (22) e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Os votos válidos excluem brancos e nulos e são a base utilizada pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado final.

No cenário doméstico, os investidores acompanharam ainda a divulgação do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), que desacelerou para 0,32% em outubro, ante 0,70% em setembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado ficou abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, de 0,45%, segundo a Bloomberg, e também do piso das estimativas, de 0,33%.

Apesar da desaceleração, a inflação segue com um quadro qualitativamente preocupante, afirma Carlos Lopes, economista do banco BV.

"A distribuição da inflação entre os principais grupos veio dentro do esperado, com destaque para a pressão em alimentação, que registrou alta de 0,88%. A inflação de alimentos está disseminada entre diferentes itens, refletindo questões de oferta e pressões associadas ao El Niño", diz Lopes.

Em habitação, houve queda de 0,10% no mês, em razão da aplicação da bandeira tarifária verde na energia elétrica, que contribuiu para aliviar o grupo. Em transportes, a principal surpresa foram os reajustes do transporte público, que ficaram abaixo do esperado, segundo o economista.

Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, destaca também a queda das passagens aéreas, que registraram deflação, ao contrário do que o mercado esperava.

A economista afirma que a inflação de serviços, especialmente a dos componentes subjacentes, continua preocupante.

"Isso é um retrato de uma economia que, embora esteja em processo de desaceleração, ainda tem um mercado de trabalho bastante aquecido", diz.

Para Veronese, o resultado altera pouco as perspectivas para a política monetária. A inflação acumulada em 12 meses continua acima do teto da meta, o que exige cautela do BC (Banco Central). Por outro lado, a desaceleração dos preços pode permitir a continuidade dos cortes de juros.

No exterior, Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, afirma que o ambiente internacional contribuiu para limitar o apetite por risco. O petróleo voltou a subir diante da escalada das tensões no Oriente Médio, enquanto dúvidas sobre os investimentos em inteligência artificial pressionaram as Bolsas americanas.

Às 17h10, o petróleo Brent subia 0,17%, cotado a US$ 116,90.

A commodity está em trajetória de alta desde a semana passada, quando se intensificaram os ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, a pontos estratégicos da Arábia Saudita, incluindo refinarias e aeroportos. As negociações por um acordo de paz na região também não avançaram nos últimos dias.

A pressão sobre o petróleo aumenta as preocupações com a inflação e se soma à turbulência nas Bolsas. Segundo Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, o mercado americano registrou na véspera uma intensa rotação de ações de tecnologia para setores mais tradicionais e defensivos, além de uma maior procura pelos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries.

Às 17h11, os títulos americanos de dez anos registravam alta de 0,91%, com rendimento de 4,995%. Os papéis de 30 anos subiam 0,79%, com rendimento de 5,329%.

Em Wall Street, as Bolsas fecharam o dia em queda. O S&P 500 caiu 0,46 o Dow Jones recuou 1,23% e o Nasdaq teve queda de 0,21%.

Sene afirma que a próxima semana será uma das mais importantes do ano para os mercados, com uma série de eventos capazes de influenciar os preços dos ativos.

O principal fator para o mercado brasileiro será o resultado do segundo turno das eleições. Além disso, na quarta-feira (27), o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anuncia sua decisão de política monetária. A expectativa majoritária é de manutenção dos juros, mas os investidores estarão atentos às sinalizações sobre os próximos passos, especialmente em dezembro.

Nos Estados Unidos, a divulgação do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), principal medida de inflação acompanhada pelo Fed, também estará no radar, em meio à pressão exercida pelo petróleo sobre os preços.

A temporada de balanços também continua, com resultados de empresas como Gerdau, Klabin, Santander, Vale e Multiplan.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
politicalivre@politicalivre.com.br
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.