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Eleição do dia 25 baliza comportamentos e movimentos na política da Bahia, por Raul Monteiro

Eleição do dia 25 baliza comportamentos e movimentos na política da Bahia, por Raul Monteiro

Por Raul Monteiro*

15/10/2026 às 07:28

Atualizado em 15/10/2026 às 13:14

Foto: Joédson Alves/Arquivo/Agência Brasil

Imagem de Eleição do dia 25 baliza comportamentos e movimentos na política da Bahia, por Raul Monteiro

Urna eletrônica

Nada anda na política da Bahia até o resultado das eleições de 25 de outubro. Enquanto o time petista, liderado pelo senador eleito Rui Costa, trabalha pela reeleição do presidente Lula, convencido de que esta será a única forma de não fazer o novo governo Jerônimo Rodrigues naufragar antes do tempo, impedindo a legenda de fazer seu sucessor em 2030, na outra ponta o ex-candidato a governador ACM Neto (União Brasil), o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e o ex-ministro João Roma (PL) tentam melhorar a performance do bolsonarismo no Estado para ajudar o presidenciável Flávio sem qualquer garantia, no entanto, de que terão seus esforços reconhecidos.

Afinal, é o que se depreende de aplicativo criado recentemente pela campanha do filho de Jair que rankeia a atuação de aliados no segundo turno em favor do candidato para ver em que medida eles devem ser recompensados em seu eventual governo - aliás, a criatividade controladora do bolsonarismo é a comprovação de que nada está tão ruim na política nacional que não possa ficar pior. No campo do petismo, o clima de confiança nos aliados é infinitamente superior, mas também o investimento para que Lula consiga encostar e superar Flávio até o segundo turno pode ser considerado infinitamente maior, não apenas pela estrutura de que o partido se dispõe na Bahia.

Na realidade, o que não passou batido de suas considerações até agora é a necessidade de que Lula ganhe a eleição de qualquer jeito para dar um mínimo de fôlego a Jerônimo a partir de janeiro do ano que vem, uma vez que, apesar de parecer que não, o governo federal deu uma mão grande à administração baiana por meio da nomeação de um ministro da Bahia, da liberação de recursos do PAC, processo para o qual a presença de Rui Costa na Casa Civil foi fundamental, de entendimentos para a viabilização de empréstimos e da manutenção da rede de cargos federais da qual qualquer administração amiga da União historicamente se beneficia imensamente.

Além dos ministérios, com toda sua conhecida capilaridade e influência, são dezenas e às vezes até centenas de posições que o governo federal possui nos Estados que, no final das contas, governadores utilizam para ajudar na gestão do Estado e para fazer muita política. Levando em conta o tempo de 20 anos que o partido está no poder na Bahia, não espanta que tenha se acostumado a todos eles com se pertencessem ao Estado nem o esforço desmesurado que terá que fazer para não deixar ninguém desempregado, buscando espaço numa administração local já inchada por indicações política e ainda mais num cenário hostil plantado por um governo federal adversário.

Alguém já disse que a verdadeira tragédia anunciada na política da Bahia seria a reeleição de Jerônimo conjuminada com a vitória de Flávio para a Presidência. Por motivos óbvios. Jerônimo deu quatro anos de demonstração de que não tem preparo para enfrentar tamanha adversidade representada por um presidente da República de oposição. Basta voltar no tempo e tentar simular uma comparação entre a elogiável postura de enfrentamento que Rui adotou em relação a Jair Bolsonaro na época da pandemia e como atuaria Jerônimo em seu lugar. Acertaria quem dissesse que Jerônimo ia preferir continuar viajando pelo interior ao invés de enfrentar a situação. 

*Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

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