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Netanyahu ordena fechamento total da Cisjordânia após ataque a tiros matar 2 israelenses

Netanyahu ordena fechamento total da Cisjordânia após ataque a tiros matar 2 israelenses

Dois homens armados abriram fogo contra militares e morreram no confronto

Por Folhapress

23/10/2026 às 18:30

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Netanyahu ordena fechamento total da Cisjordânia após ataque a tiros matar 2 israelenses

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ordenou nesta sexta-feira (23) um "fechamento total" da Cisjordânia após um ataque a tiros que matou dois militares israelenses. O episódio ocorre a quatro dias das eleições legislativas de 27 de outubro, nas quais está em jogo a sobrevivência política do premiê.

No início da manhã desta sexta, dois homens vestidos de preto, um deles armado com um fuzil e o outro com uma pistola, abriram fogo contra um grupo de militares em Hebron, no sul da Cisjordânia, antes de serem mortos em um intenso tiroteio.

O Exército afirmou que os homens, identificados como Mohammad Jaaba e Firas Jaaba, ambos moradores de Hebron, planejavam realizar um ataque de maiores proporções. No entanto, perceberam que não conseguiriam chegar à estrada e decidiram abrir fogo contra o posto de controle temporário.

O Exército identificou os mortos como os sargentos Ron Yonatan Roytman, 23, e Yuval Shai Svilem, 20. Outros três militares ficaram levemente feridos.

O ataque ocorreu a quatro dias das eleições legislativas previstas para terça-feira (27) e em um contexto de aumento das tensões na Cisjordânia.

Em resposta, Netanyahu, que busca um novo mandato como chefe de governo, ordenou o "fechamento imediato" da cidade de Hebron e pediu ao Exército que se prepare para impor um "fechamento total" da Cisjordânia nesta sexta.

O premiê foi até Hebron e afirmou que haverá uma operação militar de grande escala no território, "como não se realiza desde a Guerra dos Seis Dias", referindo-se à guerra árabe-israelense de 1967. Netanyahu ainda prometeu expulsar moradores da cidade.

"[Os militares] entrarão no bairro de onde vieram os terroristas, retirarão os moradores, vasculharão as casas uma a uma e destruirão a infraestrutura terrorista", afirmou o premiê, que lidera o governo mais à direita da história de Israel.

O ministro das Finanças, o extremista Bezalel Smotrich, disse ter ordenado a demolição de edifícios próximos ao local do ataque. Ele defendeu uma campanha militar na Cisjordânia "exatamente como em Gaza". Após as declarações dos líderes, tratores israelenses começarem a demolir casas perto do local do tiroteio.

O grupo terrorista Hamas, que tem base na Faixa de Gaza e realizou o ataque de 7 de outubro de 2023, celebrou o atentado e lamentou a morte dos dois agressores, mas não reivindicou a autoria. O ataque foi uma "resposta natural e legítima aos crimes e ataques brutais que continuam sendo cometidos contra o nosso povo", afirmou em comunicado o Hamas, rival do Fatah, partido governista da Autoridade Palestina.

O ministro das Finanças de Israel, o extremista Bezalel Smotrich, disse que ordenou a demolição de edifícios próximos ao local do ataque. "A ordem será executada dentro da próxima hora, e os trabalhos ocorrerão ao longo da tarde", afirmou. Ele defendeu uma campanha militar na Cisjordânia "exatamente como em Gaza".

O ataque abalou a campanha eleitoral, e Netanyahu pediu ao seu partido, o Likud, que cancele todos os eventos programados para esta sexta.

O incidente ocorreu em um posto de controle do Exército, em um cruzamento ao norte de Hebron, cidade dividida em dois setores: um controlado pelas autoridades palestinas e o outro, onde vivem colonos israelenses, pelo Exército do Estado hebreu.

O ministro israelense da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben-Gvir, aproveitou a ocasião para pedir que a Autoridade Palestina seja "desmantelada". "Não devemos esperar que ocorra um 7 de outubro" na Cisjordânia, afirmou. "É ali que a próxima guerra eclodirá. A Autoridade Palestina deve ser desmantelada e desmilitarizada", acrescentou o ministro, que compareceu ao local do ataque.

Netanyahu e Katz, compararam as operações militares planejadas com as realizadas em acampamentos de refugiados no norte da Cisjordânia, como Jenin e Tulkarem. Nessas áreas, o Exército israelense deslocou mais de 30 mil pessoas e conduziu operações devastadoras, com o uso de veículos blindados e até mesmo um ataque aéreo no final de agosto, em Jenin.

"Aplicaremos o modelo ofensivo e bem-sucedido que colocamos em prática nos acampamentos de refugiados urbanos", declarou Netanyahu em uma mensagem de vídeo, na qual apareceu vestindo um colete à prova de balas.

O governo de Netanyahu supervisionou uma rápida expansão dos assentamentos na Cisjordânia. O território abriga cerca de 500 mil colonos e pelo menos 3 milhões de palestinos. Órgãos da ONU e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais sob o direito internacional relativo a ocupações militares. Israel rejeita essa posição, considerando o território como disputado, não como ocupado.

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