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Os nomes do governo para a sucessão de 2028 à Prefeitura, e de 2030, ao governo, o balão de ensaio com o famoso ‘quem’, a derrota da bancada de Rui e a revanche contra os ’traíras’
Os nomes do governo para a sucessão de 2028 à Prefeitura, e de 2030, ao governo, o balão de ensaio com o famoso ‘quem’, a derrota da bancada de Rui e a revanche contra os ’traíras’
Por Política Livre
28/10/2026 às 12:21
Atualizado em 28/10/2026 às 14:49
Foto: Arte Política Livre
O famoso ‘quem’
O balão de ensaio da semana, nem bem passou a eleição, ganhou o nome de Guilherme Bellintani, ex-Cartola do Esporte Clube Bahia. Do nada, colocaram seu nome na pista como opção para a Prefeitura de Salvador supostamente com o apoio do petismo. A justificativa é que foi de um nonsense sem tamanho. Ele teria apoiado a eleição de Lula em Salvador e por isso adquirido a gratidão do presidente da República para entrar na corrida pela sucessão do prefeito Bruno Reis (União Brasil). O governador Jerônimo Rodrigues (PT) ficou tão ‘intrigado’ com a façanha que, rindo, pediu para conhecê-lo.

Animados
Com a vitória de Lula à reeleição, os petistas baianos se animaram para disputar a sucessão de Jerônimo em 2030. Partem do pressuposto de que, com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) e ainda mais com o vexame da fuga que o ex-presidenciável protagonizou, depois de ter jogado nele todas as fichas no segundo turno das eleições, ACM Neto (União Brasil) perde as condições de se manter no páreo até a próxima disputa estadual, abrindo espaço para a continuidade no lado governista de uma forma mais suave do que eles haviam um dia imaginado.
O sucessor
Diferentemente do senador eleito Rui Costa (PT), que nunca se preocupou em preparar um nome para apresentar à própria sucessão ao governo, em 2022, apesar dos apelos incessantes do senador Jaques Wagner (PT), Jerônimo vai acelerar o passo para definir quem, em sua avaliação, tem condições de preservar seu ‘legado’ e o do petismo no comando do governo baiano a partir de 2030. Hoje, todas as apostas vão na direção do secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, em quem o governador redobrou a confiança pessoal e política nesta campanha.

Peso eleitoral
Pupilo de Wagner eleito deputado federal sob a pressão da máquina do governo com uma votação incompatível com sua capacidade política pessoal, Lucas Reis (PT) não cansa de fustigar Rui nos bastidores, dizendo que os preferidos do senador eleito foram derrotados. Refere-se ao deputado estadual Patrick Lopes, que não conseguiu se reeleger, e a Dr. Marcelo Emerenciano, ex-prefeito de Cocos, que perdeu a eleição para a Câmara dos Deputados - ambos colocados com todo carinho por Rui no Avante. A outra eleita de Wagner foi Rowena Brito (PT) para a Assembleia.
Eu te disse
Numa das reuniões do governador com deputados e assessores que antecederam o segundo turno para avaliar a estratégia eleitoral por Lula na Bahia, pelo menos um deputado levantou-se e pediu atenção com relação à situação do transporte público em Salvador no dia da eleição. Disse com todas as letras que era necessário, inclusive, montar uma alternativa caso houvesse algum boicote por parte das empresas ao eleitor. O governador e seus assessores mais próximos preferiram desconsiderar o alerta para correr atrás do prejuízo quando o sumiço dos ônibus se confirmou.

Candidata
Com a reeleição à presidência da Assembleia praticamente selada, a deputada estadual Ivana Bastos (PSD) tem sido aconselhada a pensar em voos mais altos, como a sucessão de Jerônimo. A todos vem dizendo que a ideia não faz parte dos seus planos políticos e que, além disso, é uma mulher de partido, ou seja, coloca nas mãos do líder Otto Alencar (PSD), senador cujo mandato termina em 2030, a decisão sobre o que fazer daqui a quatro anos. O novo mandato de Ivana na presidência da Assembleia vai terminar em 2028.
Os traíras
A articulação política de Jerônimo preparou para o governador uma relação com os nomes dos deputados aliados nos quais teria identificado corpo mole para trabalhar por Lula no segundo turno das eleições. Entraram na lista e estão sendo chamados de ‘traíras’ os estaduais Vitor Azevedo, Eduardo Salles, Marcinho Oliveira, Neto Coelho, João de Furão e Eduardo Alencar. A orientação é tratar o bloco com frieza por um bom tempo para que sinta que quem não confia no projeto não pode se beneficiar de seu poder.
Marcinho Oliveira
Nome forte
Apesar de ser ironizado por wagneristas como Lucas Reis, Rui é considerado por lideranças próximas a Jerônimo o nome mais competitivo do partido para disputar a Prefeitura de Salvador em 2028. Sem o ex-governador na corrida, avaliam, o PT corre o risco de ser um mero coadjuvante, principalmente se o adversário for o ex-prefeito ACM Neto (União). A possibilidade de candidatura pode, inclusive, pesar na decisão do presidente Lula (PT) sobre uma eventual nomeação de Rui para seu Ministério.
Volta possível
Do outro lado, a derrota de ACM Neto na disputa pelo governo da Bahia o colocou como virtual candidato à Prefeitura, mesmo ele dizendo hoje que não tem esse desejo. O ex-prefeito seria um nome mais forte do que o deputado federal Léo Prates (Republicanos) e a vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT), que cobiçam o cargo. Desde o resultado das urnas, o líder da oposição não se manifestou publicamente sobre a derrota nem fez qualquer publicação nas redes sociais. O silêncio é a fonte das especulações.

Silêncio estratégico
Aliados de ACM Neto justificam o silêncio do ex-prefeito após o segundo turno como um “gesto de respeito aos adversários”. “Do que adianta falar se não há nada a dizer? Quem ganhou tem que comemorar, e quem perdeu se recolhe”, afirmou um dos coordenadores da campanha dele. Ele também minimizou o peso da Bahia na derrota de Flávio Bolsonaro (PL). “Foi derrotado em Minas Gerais, sofreu uma virada na cidade do Rio de Janeiro e viu Lula crescer em municípios do Sul do país. Aqui no Estado, o resultado já era esperado”, argumentou.
Saída adiada
O deputado estadual Adolfo Menezes (PSD) se reuniu nesta terça (27) com a presidente da Assembleia, Ivana Bastos (PSD), para discutir os próximos passos de sua indicação ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Embora já tenha sido aprovado pela Casa, o nome do parlamentar só deve ser encaminhado ao governador em dezembro. A intenção de Adolfo é simples: prolongar ao máximo sua permanência no mandato de deputado antes de assumir a nova função. Denise Menezes (PSD), sua esposa, assume o mandato em janeiro.

Pitacos
• Ivana Bastos se reuniu nesta terça (27) com deputados do PT em busca de apoio à reeleição. Participaram do encontro a líder petista, Neusa Cadore, Júlio Pinheiro, Rowenna Brito e Rosemberg Pinto, líder do governo, que apareceu de surpresa.
• Jerônimo já disse que só vai começar a tratar da reforma do secretariado com os partidos a partir do início de novembro. Entretanto, tem dado sinais de que fará mudanças no primeiro escalão.
• Em uma reunião no segundo turno no sul da Bahia, o governador disse, por exemplo, que não deixará o deputado federal Paulo Magalhães (PSD), que não conseguiu a reeleição, desamparado. Prometeu um espaço ao parlamentar.
• Outra possibilidade do governador é colocar na Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização Jayme Vieira Lima (MDB), sobrinho dos irmãos Vieira Lima. Ele perdeu a eleição para a Câmara dos Deputados com mais de 115 mil votos.

• Deputados estaduais que não foram reeleitos pelo Avante esperam ser lembrados no segundo governo Jerônimo. Na reunião da última terça (27), na sede do partido, todos estiveram presentes.
• Quem não apareceu na reunião foi o ex-secretário de Agricultura, Pablo Barrozo, que tem a expectativa de ser indicado novamente ao cargo, caso seja essa a oferta de Jerônimo. Entretanto, os deputados estaduais eleitos são contrários à indicação.
• Há notícias de que a Justiça investiga se uma desembargadora baiana pega na Faroeste tem dinheiro escondido no exterior.
• Sem noção, o vice-governador Geraldo Jr. (MDB) tem insistido tanto em que o filho derrotado na reeleição à Assembleia ganhe uma secretaria que Jerônimo resolveu não ficar mais sozinho com ele.
• Governistas dizem que a reeleição de Lula fez Jerônimo respirar em relação à necessidade de quitar as faturas dos fornecedores do Estado.
