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Um Reda para Matheusinho, o impacto da perda dos cargos federais na Bahia se Lula for derrotado, Neto ou Roma no ministério de Flávio? E a ascensão de Vilma e Kleber em Salvador
Um Reda para Matheusinho, o impacto da perda dos cargos federais na Bahia se Lula for derrotado, Neto ou Roma no ministério de Flávio? E a ascensão de Vilma e Kleber em Salvador
Por Política Livre
07/10/2026 às 12:35
Atualizado em 07/10/2026 às 16:09
Foto: Arte Política Livre
Na estratosfera
Petistas entraram em campo esta semana para tentar baixar a bola do governador Jerônimo Rodrigues (PT) depois que o chefe do Executivo estadual baiano insinuou numa roda que foi ele o responsável pela votação de Lula na Bahia e não o presidente da República o fiador de sua vitória à reeleição. Eles atribuem o ‘engrossamento’ do cangote de Jerônimo à atuação de duas figuras muito próximas a ele - Bruno Monteiro que o assessorou na campanha e Adolpho Loyola, que a coordenou -, acusados de blindar o governador e estimularem sua vaidade ao máximo grau.
Jogo combinado
Os bolsonaristas que atacaram João e Roberta Roma na campanha por não terem visto o candidato a senador e a deputada federal fazendo propaganda ostensiva de Flávio Bolsonaro na Bahia não sabem que a estratégia foi totalmente combinada entre o presidente do PL no Estado e o presidenciável do partido para não prejudicar o voto Lula-Neto no candidato a governador do União Brasil. Roma não só esteve em contato permanente com Flávio campanha como falou com ele várias vezes no sábado e no domingo em que o presidenciável passou para o segundo turno.
João Roma
Torcida pragmática
Uma eventual vitória do presidente Lula (PT) no segundo turno tem um motivo adicional para mobilizar os principais partidos da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). E não é apenas ideológico — afinidade mais restrita aos petistas e às legendas de esquerda. Nos bastidores, a conta é simples: se Lula perder o Palácio do Planalto, aliados hoje acomodados na estrutura federal poderão bater à porta do governo baiano em busca de cargos e empregos, desalojando alguns que por aqui estão.
Promessa feita
A pressão sobre Jerônimo tende, nesse cenário, a aumentar, principalmente diante do tamanho e da diversidade de sua base política. Para muita gente nos partidos aliados, portanto, manter Lula em Brasília significaria também evitar uma concorrida fila de emprego no Palácio de Ondina. O governador já tem compromisso em assegurar emprego para quadros como a deputada federal Lídice da Mata (PSB) e o deputado federal Zé Neto (PT), que não se reelegeram.
Lídice da Mata
Dupla derrota
Um dos maiores derrotados na eleição deste ano foi o marqueteiro de ACM Neto, João Santana. Além de perder a disputa na Bahia, fracassou também no Ceará, onde trabalhou na eleição de Ciro Gomes (PSDB) para governador. No PT da Bahia, o sentimento foi, portanto, de alma lavada. É bom lembrar que o publicitário recebeu do candidato do União Brasil R$ 6 milhões, embora seu nome tenha passado a circular para assessorar Lula neste segundo turno.
Chateado
As lideranças do MDB baiano, a começar por Geddel Vieira Lima, estão chateadas com o desempenho da ex-prefeita de Lauro de Freitas Moema Gramacho na eleição para a Câmara dos Deputados. A ‘nouveau’-emedebista recebeu apenas 5.383 votos, o que foi fatal para a campanha de Jayme Vieira Lima, primo de Geddel e dono de 115.292 sufrágios que, mesmo assim, não conseguiu se eleger. Se o partido tivesse mais 10 mil votos, Jayme teria entrado na Câmara dos Deputados como segundo da sigla.
Moema Gramacho
Risco
A derrota do primo tem implicações diretas sobre o controle ‘secular’ que a família Vieira Lima exerce sobre o MDB baiano, afinal ele seria a voz dela em Brasília, uma vez que o único emedebista eleito, Ricardo Maia, não tem relação de afinidade com o grupo. Sem ninguém dos Vieira Lima na Câmara dos Deputados, o risco de ataques especulativos pela tomada da legenda das mãos da família, como já aconteceu no passado, volta à ordem do dia.
Sem quociente
O Avante saiu fortalecido das eleições. Sob o comando de Ronaldo Carletto, que assumiu a presidência estadual em 2023, o partido ampliou sua presença nas urnas e também ganhou espaço na chapa majoritária. Carletto foi eleito primeiro suplente de Rui Costa (PT) para o Senado. Para a Câmara, a sigla elegeu três representantes. Para a Assembleia, foram cinco nomes. Todos, entretanto, podem trocar de legenda quando quiserem, já que a sigla não alcançou o quociente eleitoral.
Reda
Malaco do jeito que todo mundo sabe que ele é, o vice-governador Geraldo Júnior (MDB) já trabalha nos bastidores para empregar o filho, Matheus Ferreira (MDB), que não se reelegeu deputado estadual, em um cargo no governo. O problema é que no PT a queda do rapaz é comemorada abertamente, num sinal do baixo prestígio do pai, que foi apagado da campanha da chapa majoritária exatamente por causa da derrota à Prefeitura de Salvador, em 2024. Lá, o que se sugere é que ele tenha, no máximo, um Reda para matar uns trocados do setor público, tradição na família, a partir de agora.
Matheus Ferreira
Novos líderes
A eleição da petista Vilma Reis, com 83.222 votos, e de Kleber Rosa (PSOL), com 68.921 sufrágios, para a Assembleia Legislativa, colocou inevitavelmente os dois na rota das discussões sobre a sucessão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) em 2028. Vilma, que teve votação estupenda para a Câmara dos Deputados, em 2022, mas não conseguiu se eleger, assim como Kleber, está conquistando um mandato de deputada pela primeira vez por mérito próprio. Os dois são agora líderes incontestes na esquerda na capital baiana.
Pitacos
* Lideranças do Avante já avisaram: não irão aceitar que Pablo Barrozo, candidato derrotado a deputado estadual pela sigla, volte a ser indicado secretário no governo Jerônimo 2.0. Acham que há muita gente na frente.
* Jonga Bacelar (PL), vitorioso na disputa pela Câmara, foi mesmo um herói. Fez campanha sem fundo eleitoral e informou que ainda não gastou um real ao TSE. Muita gente quer saber o segredo. O PL o puniu por subir no palanque petista.
* Presidente da Câmara de Salvador, Carlos Muniz parabenizou, na sessão desta terça, Jerônimo pela vitória na Bahia. Ele desejou sorte ao petista e afirmou que "muita gente confia" no petista.
* ‘Competentíssimo’, para não dizer o contrário, Bruno Monteiro esqueceu de colocar Lula no material de campanha de Jerônimo algumas vezes. Em todas, Rui Costa cobrou a inserção de forma dura ao ex-secretário de Cultura.
* Nesta campanha em que Lula foi para o segundo turno, Janja já conseguiu desagradar até ao casal super simpático Jaques Wagner (PT) e Fatinha, que adoram boa prosa e festa animada sob qualquer céu.
* Aliás, reeleito senador, Wagner está repensando sobre indicações que fez ao governo Lula, podendo retirar o apoio a algumas delas, se Lula se reeleger.
* Na Justiça eleitoral baiana, que recebeu elogios pela atuação imparcial na acirrada campanha eleitoral, os olhos, no TRE, já começaram a se voltar sobre a sucessão do presidente Maurício Kertezman.
* Pesquisas qualitativas assustaram a equipe logo no início da campanha de Jerônimo. Mostravam como ele era mau visto, diferentemente do PT e do presidente Lula.
* De olho na sucessão de Jerônimo em 2030, Adolpho Loyola é o principal defensor da ida de Bruno Monteiro para a secretaria de Comunicação do governo.
