Home
/
Noticias
/
Exclusivas
/
Demora na escolha de vice expõe fragilidade na coordenação política de Jerônimo, por Raul Monteiro*
Demora na escolha de vice expõe fragilidade na coordenação política de Jerônimo, por Raul Monteiro*
Presidente do Avante, Ronaldo Carletto, é o favorito até o momento para vaga
Por Raul Monteiro*
12/03/2026 às 07:25
Atualizado em 12/03/2026 às 18:09
Foto: Joá Souza/Arquivo/GOVBA
Jerônimo Rodrigues
Para quem detém o poder, a demora na escolha dos membros de uma chapa é mais desgastante do que para quem é oposição. Por este motivo, não é um bom sinal para o governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato natural à reeleição, que não tenha conseguido até agora escolher seu principal companheiro de campanha. Se uma vaga de vice é ofertada a muita gente e todos declinam do convite é porque, no mínimo, não acreditam na viabilidade eleitoral da liderança. A bem da verdade, a escolha do novo titular da posição não se inscreveu de cara entre os problemas de campanha para o governador, o que indica a falta de previdência de sua coordenação política.
Desde que o senador Jaques Wagner (PT) impôs sua candidatura à reeleição, forçando a que a chapa abrigasse três petistas entre as quatro vagas existentes, a prudência recomendava que a escolha do vice deveria ter se tornado um tema de discussão na articulação política do governo, levando em conta que uma composição predominantemente puro-sangue exigiria um complemento importante no único espaço restante para representar a diversidade e a oxigenação do grupo. Já ali, todos sabiam que a peça não seria o atual vice-governador Geraldo Jr. (MDB), dada sua irrelevância política e eleitoral, que, entretanto, correu o risco de permanecer na posição por mera inércia.
Portanto, não tivesse sido o governismo engolfado pela crise aberta com o fato de Geraldo Jr. ter sido pego tramando num grupo de WhatsApp contra o ministro Rui Costa (Casa Civil), candidato a senador e talvez quadro mais importante da chapa do ponto de vista eleitoral, talvez ele fosse mantido na posição exclusivamente para que não se exigisse dos articuladores de Jerônimo o trabalho de substituí-lo. Mas hoje, depois do justificado veto de Rui à manutenção do vice, o governador poderia utilizar o limão para fazer uma limonada, aproveitando-se da oportunidade para dar uma fisionomia de mais impacto à chapa, o que parece que não está sendo fácil.
Dos três nomes de maior destaque que apareceram até agora no mundo político para substituir Geraldo Jr., um já fechou questão contra a indicação, outro resiste, porque permanece mais interessado na suplência de Rui, e um terceiro, dividido entre o governismo e a chapa oposicionista de ACM Neto (União), está na iminência de marchar na direção do candidato adversário. A presidente da Assembleia, a deputada Ivana Bastos (PSD), está convencida de que o caminho mais seguro é tentar a reeleição, projeto que se, como tudo indica, for bem sucedido, pode lhe assegurar as condições para ser reeleita ao comando da Casa Legislativa.
Considerado a aposta mais robusta para a chapa, por causa da força política e financeira, o presidente do Avante, Ronaldo Carletto, seria o nome preferido de Rui mas acredita que é melhor ocupar a primeira suplência do ministro ao Senado, certo de que ele vai ser mantido num eventual novo governo do presidente Lula, destinando-lhe o novo mandato, do que concorrer para a vice. Ainda assim, aparece como o nome mais provável para a posição. O terceiro concorrente, Zé Cocá (PP), prefeito de Jequié, está em vias de abraçar Neto porque - acreditem! - a coordenação política de Jerônimo teme que ganhe musculatura e se torne um nome para a sucessão em 2030.
• Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
2 Comentários
Carlos Marques de Santana
•
12/03/2026
•
10:02
Alexandre Junior
•
12/03/2026
•
04:31
