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Deputados governistas resistem à indicação de Leandro para comissão, que tem prazo regimental vencido para instalação
Deputados governistas resistem à indicação de Leandro para comissão, que tem prazo regimental vencido para instalação
Por Política Livre
04/03/2026 às 14:44
Foto: Divulgação
Mais do que as sessões em plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), o tema que domina os corredores da Casa é a disputa pela presidência da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública. Pelo acordo firmado entre os blocos de governo e oposição, o comando do colegiado caberia à minoria. No entanto, o nome indicado pelo líder oposicionista Tiago Correia (PSDB) — o do deputado Leandro de Jesus (PL) — enfrenta forte resistência da base governista.
Na terça-feira (3), durante mais uma tentativa de instalação da comissão, o impasse ficou evidente. O deputado Marcelino Galo (PT), que conduziria a reunião para convocação da eleição, chegou a registrar presença, mas a sessão acabou esvaziada. Galo teria articulado junto a parlamentares governistas para que não marcassem presença, inviabilizando o quórum necessário.
O deputado Radiovaldo Costa (PT) e o deputado Hilton Coelho (PSOL) não participaram da reunião foram vistos por este Política Livre articulando a derrubada da reunião junto a Marcelino Galo. Hilton, inclusive, declarou abertamente que não votaria na indicação de Leandro de Jesus por discordar do seu nome para o comando do colegiado.
Após a queda da sessão, Leandro fez duras críticas ao PT e ao governo estadual, acusando o PT de “corja” e governo de “defender facção criminosa” (leia aqui).
Prazo regimental vencido
A disputa, porém, não se limita ao campo político. O impasse também levanta questionamentos regimentais. No dia 20 de fevereiro, por meio de ofício, Tiago Correia formalizou, com base no artigo 32 do Regimento Interno da AL-BA, a indicação de novo membro titular para compor a comissão, em substituição ao então presidente, Diego Castro (PL).
Com a nova composição, o artigo 67 do Regimento determina que a comissão deve eleger presidente e vice-presidente no prazo máximo de seis dias após sua constituição. O prazo, portanto, teria se encerrado em 26 de fevereiro, sem que a eleição fosse concluída.
A expectativa é que a discussão seja retomada na próxima terça-feira (10). Nos bastidores, fontes governistas ouvidas por este Política Livre apontam como improvável a eleição de Leandro de Jesus para o cargo. Integram a comissão, pela base do governo, parlamentares como Hilton Coelho, Olívia Santana (PCdoB), Radiovaldo Costa e Fátima Nunes, que resistem à indicação do deputado do PL.
A comissão foi presidida no último ano por Diego Castro, também alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, sem registro de impasses semelhantes. O contraste reforça a avaliação de que a atual resistência tem forte componente político, em meio às críticas frequentes de Leandro ao governo de Jerônimo Rodrigues (PT).
