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Resistência da Espanha e apoio hesitante do Reino Unido ao conflito no Irã geram atritos com Trump

Resistência da Espanha e apoio hesitante do Reino Unido ao conflito no Irã geram atritos com Trump

'Não à guerra', diz Sánchez em referências à palavra de ordem dos protestos contra a invasão do Iraque em 2003

Por Daniela Arcanjo/Folhapress

04/03/2026 às 18:15

Atualizado em 04/03/2026 às 18:24

Foto: Reprodução/Instagram

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O presidente dos EUA, Donald Trump

"A posição do governo da Espanha se resume em três palavras: Não à guerra", afirmou nesta quarta-feira (4) o primeiro-ministro Pedro Sánchez, em um pronunciamento televisionado que dá a dimensão do atrito entre alguns países da Europa e os Estados Unidos após o início da guerra no Irã.

A declaração do líder socialista ocorre após o presidente americano, Donald Trump, ameaçar suspender o comércio entre as duas nações em retaliação a Madri, que negou à Casa Branca o uso das bases de Rota e Morón para atacar Teerã.

Um dos críticos mais ferrenhos tanto de Trump quanto do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, Sánchez criticou líderes que "usam a névoa da guerra para esconder seus fracassos".

"É assim que começam os grandes desastres da humanidade", afirmou. "Não seremos cúmplices de algo que é ruim para o mundo e também contrário aos nossos valores e interesses simplesmente por medo das represálias de alguém".

Mais tarde, a vice-primeira-ministra, María Jesús Montero, reforçou a crítica enquanto falava com jornalistas. "Certamente não seremos vassalos de ninguém, não toleraremos nenhuma ameaça e defenderemos nossos valores", disse ela, citando o apoio da Comissão Europeia.

Sem mencionar a Espanha, o órgão disse em um comunicado que espera que os EUA cumpram o acordo comercial com a União Europeia e expressou "total solidariedade" aos Estados-membros —o bloco exige que outros países o tratem como um grupo aduaneiro único.

A postura combativa de Sánchez contrasta com a do restante dos líderes europeus, que se abstiveram de criticar diretamente o presidente americano. Mesmo hesitante em ceder temporariamente suas bases militares para Trump, o premiê britânico, Keir Starmer, por exemplo, não fez acusações a Washington —o que não o livrou de atritos com o republicano.

Durante entrevista coletiva nesta quarta, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, comentou sobre a relação do governo americano com a Espanha. Ela disse que os dois países chegaram a um acordo e que Madri vai cooperar com as ações militares dos EUA.

"Acho que eles [os espanhóis] ouviram a mensagem do presidente. Nas últimas horas, entendi que eles chegaram em um acordo para cooperar com as tropas americanas", disse a porta-voz.

O governo da Espanha negou que vá cooperar com os americanos na ação militar no Irã.

Em uma entrevista ao jornal The Sun na terça-feira (3), Trump afirmou que a relação historicamente forte entre Reino Unido e EUA "não é mais como antes". Ambos os países, aliados desde a Segunda Guerra Mundial, têm uma cooperação de longa data em defesa e no compartilhamento de informações de inteligência.

"Era a relação mais sólida de todas. E agora temos relações muito fortes com outros países da Europa", continuou o presidente, elogiando especialmente França e Alemanha, além da aliança ocidental, a Otan, como um todo —apesar de acumular críticas ao grupo que preside.

Na segunda (2), o presidente da França, Emmanuel Macron, ordenou o aumento do arsenal nuclear do país. "Para ser livre, é preciso ser temido. E para ser temido, é preciso ser poderoso. Este aumento em nosso arsenal comprova isso", disse o político.

Enquanto isso, a Alemanha demonstrava postura ambígua. Na terça (3), o premiê Friedrich Merz foi recebido por Trump na Casa Branca e reiterou seu apoio à ofensiva americana ao dizer que está "na mesma página" que os EUA em relação ao conflito no Oriente Médio. Já nesta quarta, porém, o ministro da Defesa alemão afirmou que conflitos não podem ser resolvidos "apenas pela força militar".

Um dia depois, o premiê da Alemanha, Friedrich Merz, foi recebido por Trump na Casa Branca e reiterou seu apoio à ofensiva americana ao dizer que está "na mesma página" que os EUA em relação ao conflito no Oriente Médio. Já nesta quarta, o ministro da Defesa alemão afirmou que conflitos não podem ser resolvidos "apenas pela força militar".

Starmer, após se recusar inicialmente a ter qualquer papel nos ataques, anunciou no domingo que permitiria que Washington usasse bases militares de seu país para um "propósito defensivo específico e limitado", mas reafirmou que não participaria "de ações ofensivas no Irã".

Em resposta, foi criticado pelo americano que, em entrevista ao jornal The Daily Telegraph, disse que o premiê demorou "muito tempo" para liberar a base militar de Diego Garcia, no oceano Índico. Depois, reiterou suas críticas ao britânico no encontro com Merz, ao afirmar que não estava "lidando com Winston Churchill". "O Reino Unido tem sido muito, muito pouco cooperativo", disse Trump.

Starmer defendeu no Parlamento sua decisão de manter o Reino Unido afastado dos ataques iniciais contra o Irã. "Trump manifestou sua discordância com nossa decisão de não nos envolvermos nos ataques iniciais, mas é meu dever julgar o que atende ao interesse nacional do Reino Unido".

O chefe de governo britânico tenta adotar uma postura pragmática em relação ao seu partido e à opinião pública, que tende a ver com cautela o envolvimento com guerras no Oriente Médio após o alinhamento total de Tony Blair à invasão do Iraque pelos EUA, em 2003.

A intervenção do início dos anos 2000 também respingou na retórica de Sánchez. Ao falar "Não à guerra", o premiê recorreu às palavras de ordem das manifestações espanholas contra a invasão do Iraque, na qual o então governo do conservador José María Aznar se alinhou ativamente aos EUA.

Muitos espanhóis culparam esse envolvimento pelos atentados terroristas de março de 2004. Mais de 190 pessoas morreram nos ataques, apontados como uma das causas para os socialistas terem chegado ao poder pouco depois. Agora, a posição de Sánchez agrada ao seu eleitorado de esquerda às vésperas das eleições e em um momento em que o entorno do premiê é afetado por vários escândalos de corrupção.

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