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Vorcaro chama Nelson Tanure de 'comandante' e diz ter dado ao empresário baiano relógio de R$ 28 mil

Vorcaro chama Nelson Tanure de 'comandante' e diz ter dado ao empresário baiano relógio de R$ 28 mil

Empresário relatou planos de negócios a ex-banqueiro; mensagens incluem declarações de 'saudades'

Por Pedro S. Teixeira/Folhapress

06/03/2026 às 16:00

Atualizado em 06/03/2026 às 17:25

Foto: Divulgação/Alerj/Arquivo

Imagem de Vorcaro chama Nelson Tanure de 'comandante' e diz ter dado ao empresário baiano relógio de R$ 28 mil

O empresário baiano Nelson Tanure

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, chama o empresário baiano Nelson Tanure de "comandante" em mensagens de WhatsApp interceptadas pela Polícia Federal.

O material, enviado pela PF ao Congresso e obtido pelo jornal Folha de São Paulo, traz relatos de encontros com ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), líderes do Senado e da Câmara dos Deputados, integrantes do governo federal e do setor produtivo.

Na correspondência, Tanure relata que foi presenteado por Vorcaro com um relógio da marca suíça Jaeger-LeCoultre, vendido na internet por preços acima de R$ 100 mil. O acessório, do modelo Duómetre, não está mais à venda na versão exibida pelo empresário baiano.

O empresário também detalha planos de investimentos em telefonia. Ambos trocam declarações de "saudades".

Procurado pela Folha, Tanure diz que "nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master, tendo mantido com a instituição apenas relações comerciais legítimas, como cliente e investidor, nos mesmos moldes em que opera com diversas outras instituições financeiras".

Tanure foi alvo de busca e apreensão em 14 de janeiro, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, que mirou pessoas supostamente envolvidas em fraudes realizadas pelo Banco Master por meio do uso de fundos de investimento. Ao todo, essa ação policial envolveu o sequestro e bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens de diversas pessoas.

Na investigação, a PF apontou indícios de que ele é "sócio oculto do Banco Master, exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas, razão pela qual o bloqueio do seu patrimônio deve ocorrer".

A operação da PF foi uma espécie de ápice na trilha de controvérsias que marcam a trajetória de Tanure desde a década de 1990.

Entre as empresas nas quais figurou como investidor mais recentemente estão a Prio, do setor de óleo e gás, a incorporadora imobiliária Gafisa, a distribuidora de energia Light, a varejista Dia e a companhia de saúde diagnóstica Alliança Saúde.

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