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Irã não tem arma nuclear, e EUA se meteram a fazer guerra desnecessária, diz Lula

Irã não tem arma nuclear, e EUA se meteram a fazer guerra desnecessária, diz Lula

Por Artur Búrigo/Folhapress

01/04/2026 às 12:09

Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Arquivo/Agência Brasil

Imagem de Irã não tem arma nuclear, e EUA se meteram a fazer guerra desnecessária, diz Lula

O presidente Lula

O presidente Lula (PT) voltou a criticar nesta quarta-feira (1º) a guerra no Irã e afirmou ser uma mentira que o país do Oriente Médio tenha uma arma nuclear e que os Estados Unidos começaram uma guerra desnecessária sob esse argumento —Washington, no entanto, diz que atacou no dia 28 de fevereiro para impedir Teerã de construir o armamento.

"Os Estados Unidos se meteram a fazer uma guerra desnecessária com o Irã alegando que no Irã tinha arma nuclear, é mentira. Porque eu fui em 2010 no Irã fazer um acordo, e depois os EUA e a União Europeia não aceitaram", disse Lula em entrevista à TV Cidade do Ceará.

O petista se refere a um acordo assinado na época entre Brasil, Turquia e Irã para que o enriquecimento de urânio do Irã fosse feito em um outro país, como forma de diminuir as ameaças de desenvolvimento de armamentos, que exige um nível mais complexo de enriquecimento. Em troca, o país receberia combustível enriquecido a nível mais baixo, para uso médico.

A tratativa, porém, não convenceu os EUA, que continuaram pressionando por sanções no Conselho de Segurança da ONU, realizaram um acordo à parte implementado em 2016 e deixado unilateralmente por Trump durante seu primeiro mandato.

Hoje, a Agência Internacional de Energia Atômica diz haver 440 kg de urânio enriquecido a 60% no país do Oriente Médio, suficientes para talvez 15 bombas de menor potência —além da arma mais fraca, transformar esse material em armamento é um processo à parte e posterior ao enriquecimento.

"Você está lembrada do ano 2000? Cadê a bomba nuclear e as armas químicas do [ex-ditador iraquiano] Saddam Hussein e do [ex-ditador da Líbia] Muammar Gaddafi, que não apareceram? Era um pretexto para fazer essas bobagens", disse o presidente.

O governo Lula condenou os ataques contra o Irã no início do conflito, manifestando "grave preocupação" com o episódio. Os países travavam processo de negociação pela paz antes dos bombardeios.

"O governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região", diz o Itamaraty.

"O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil", diz ainda a nota.

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