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Governo vê armadilha e desafio de criticar medida dos EUA sem parecer defender 'bandidos'

Governo vê armadilha e desafio de criticar medida dos EUA sem parecer defender 'bandidos'

Por Mônica Bergamo/Folhapress

29/05/2026 às 12:40

Atualizado em 29/05/2026 às 12:34

Foto: Arquivo/EBC

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Palácio do Planalto

O governo Lula vê uma armadilha eleitoral no anúncio dos EUA de designar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, e um desafio de criticar a medida sem parecer que está defendendo as organizações criminosas.

A decisão foi anunciada um dia depois que o pré-candidato Flávio Bolsonaro e seu irmão, Eduardo, se reuniram com o presidente norte-americano e com outros integrantes da cúpula do governo dele, e afirmaram ter sugerido a providência para os norte-americanos.

Ao contrário do que ocorreu quando Donald Trump baixou um tarifaço de até 50% sobre produtos brasileiros vendidos aos EUA, medida de fácil compreensão que foi amplamente condenada ao gerar efeitos negativos imediatos em diversos setores da economia, desta vez o assunto é mais complexo.

Em um primeiro momento, como escreveu o advogado Welber Barral em artigo publicado na Folha, o anúncio pode parecer um gesto simbólico da guerra contra o crime. E isso é simples de ser assimilado.

Mais difícil, desta vez, seria perceber as consequências negativas para a economia, já que as medidas aumentam os riscos de bancos, seguradoras, fundos de investimento, empresas de logística e multinacionais sofrerem sanções dos EUA.

Isso pode ocorrer caso se descubra que elas financiaram alguma operação que acabou conectada, ainda que indiretamente, às organizações agora designadas como terroristas pelo Departamento de Estado. A medida é apontada também como um atentado à soberania brasileira.

São riscos e conceitos menos simples de entender do que o da "guerra ao crime".

"Estamos combatendo e asfixiando financeiramente o crime em várias operações, e agora não podemos errar na narrativa", afirma uma das lideranças do PT mais próximas de Lula.

A mesma autoridade afirma que o tema deve dividir o país da mesma forma que tantos outros: os eleitores de Lula vão criticar a medida e o eleitorado bolsonarista vai aplaudí-la.

Seria necessário dialogar, portanto, "com os 5% a 7% que vão pender para um lado ou outro até outubro e decidir o resultado das eleições.

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